domingo, 11 de abril de 2010

Poetas do Negro

Fala, gente. Venho para apresentar um coletivo de poetas da Cidade Líder, Zona Leste de São Paulo. Os Poetas do Negro já produzem textos juntos desde o ano passado, mas só agora decidiram invadir o espaço online.


O blogue está no ar desde sexta, e esperamos atualizar constantemente, com muitos poemas novos.
Vistem:
http://poetasdonegro.blogspot.com/

Estamos juntos. Em rede somos mais fortes.

[Edu]

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domingo, 4 de abril de 2010

Professores em Greve!!! Sem educação, literatura é um sonho distante.


Falar em arte sem falar em Educação é difícil. Mais difícil é vivenciar ao caos em que encontramos as escolas Estaduais de São Paulo. Professores humilhados por uma política perversa, mesquinha, que, ao longo de mais de 15 anos de desgoverno (PSDB, é claro), vem lançando os estudantes, filhos de trabalhadores, moradores de periferia, ao mais completo abandono.


Assim, a luta dos Professores da Rede Estadual de ensino é de todos. A Greve busca melhoria de condições de estudo para todos. Apóie a greve. Acompanhe. A luta é contra o governo Serra, os tubarões da mídia (Globo, Folha de São Paulo, Estadão...), contra todos os inimigos da escola pública, gratuita e de qualidade. Com a vitória, quem leva a melhor é o povo, que é dependente da educação pública.

Nas ruas, em busca de maiores conquistas.
Contra as ratazanas do capital.

Pela arte, cultura, educação e literatura.

Tudo em nossas mãos.

[Edu]

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porque eles mandam os pobres



Este é um video com o clip da banda System of a down onde eles fazem uma pergunta
que muito devem fazer, principalmente quem esteve na guerra sem ter desejado isso.

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O que é poesia

Poesia é veneno, é bomba

Artilharia pesada
Que acerta a alma
Não erra
Alcança
Nunca se cansa.

Poesia é alento
É o último recurso
De uma vida sofrida
Marcada

Bomba, veneno, pancada
O poema explode

Não tem hora marcada.


[Eduardo Kawamura]
edukaw@hotmail.com
Twitter: @edukaw
http://edukaw.blogspot.com/

Inalgurando as postagens dos Poetas do Negro, no Rebeliarte.
Em rede somos mais fortes.

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terça-feira, 30 de março de 2010

Já era tempo!!!

Sempre é tempo de iluminar
Fazer dia a escuridão sem fim
E sonhar
Com os olhos abertos

Sonhar sonhos diurnos.


É isso. Depois de um tempo elaborando novas ações, estou de volta, e, muito, mas muito em breve, com novos poemas e novas notícias.

Um abraço
com muita revolta
e arte.

Edu

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terça-feira, 23 de março de 2010

A gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. A Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti


Nesse texto, Marina Colasanti, como em tantos outros textos de sua autoria, desvela comportamentos e ações humanas de todo dia, coisas que fazemos sem nenhuma reflexão. Aqui ela, a meu ver, traz uma profunda reflexão do quanto nos alienamos ao sistema capitalista e o adotamos a partir de modos individualistas, sem nem relutar a isso, apenas nos acostumamos à vida como ela é, sem nenhum questionamento ou intenção de mudá-la.



Texto publicado no livro "Eu sei, mas não devia", Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pag. 09.

Leiam também E por falar em amor, Ed. Rocco,1986.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

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