quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ferréz- Ninguém é inocente em São Paulo


Ninguém é inocente em São Paulo.

Ferréz é um escritor que eu admiro. Não apenas pela luta que realiza ao lado dos oprimidos, mas também pela qualidade de seus escritos. Apesar de se apresentar como romancista, autor dos ótimos “Capão Pecado” e "Manual Prático do Ódio”, tem demonstrado grande talento para narrativas curtas, divulgadas em diversos meios de mídia, dos quais, o que vale citação, Caros Amigos. Esse livro peguei emprestado na biblioteca da FFLCH/USP, o que pode ter um significado positivo: Ferréz já está catalogado nos acervos da conservadora Univesidade de São Paulo, a elite ta lendo e estudando escritores da periferia.

Em Ninguém é inocente em São Paulo a periferia de São Paulo é apresentada nua e crua. No entanto isso não retira o bom humor de várias situações, como no conto “No Vaga”, em que dois trabalhadores desempregados dialogam sobre as enganações sofridas na tentativa de conseguir um emprego, batendo sempre nas vagas de vendas de seguro, planos dentários e outras robalheiras que se apresentam como esperança aos desesperados inocentes. Em “Buba e o muro social” a vida de um cão burguês é transformada quando seu dono, viciado em cocaína o utiliza para pagar dívida com o tráfico. Pela visão do narrador/cachorro temos um retrato da periferia, comparada com a vida sem sentido, do ser enjaulado no apartamento, sem perspectivas, amigos ou liberdade.

O que se sobressai do livro não é a violência, mas a crítica social, com um peso muito grande na esperança e no humanismo. Livro altamente recomendado, para qualquer situação e qualquer leitor.

Boa fonte de referência para a galera que procura algo sobre a verdadeira Literatura Marginal.

Fica a dica, do seu crítico literário da quebrada, para o Rebeliarte.

Edu

edukaw@hotmail.com

twitter.com/edukaw

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Receita para uma revolução!!!

Ingredientes, pessoas que acreditam na mudança e que lutam por ela, que tem esperança e não se conformam com o que está acontecendo. arte. literatura. Uma pitada dos livros dos maiores autores da história. Um microfone. Um espaço com gente que está na luta.

Misture tudo e fazemos um sarau histórico no dia 19/12/2009.

E aí vem gente com todo tipo de armamento pesado, do marginal, do rap, do afro, do erudito, do rock, foi uma mistura de tudo isso, de Sergio Vaz a Brecht, do mangue ao Olimpo. O espaço ficou pequeno pra tanta arte, pra tanta bala-poema, provavelmente seriamos pegos por porte ilegal e armamento pesado, tanta foi nossa munição poética.

O rebeliarte mostrou a face da ousadia, com a antologia dos poetas da periferia mostrou o calibre da bala e segurou o gatilho, disparando-o aos poucos em cada um que chegava, estes levantavam e ,também bem armados, disparavam, com mira certa, a queima roupa.

Morria então todo um mundo opressivo e devorador,
Nascia o sonho e a libertação, a arte e a revolução!

É com grande alegria e satisfação que celebramos nossa conquista, nossas guerras travadas, batalhas ganhas, e nossa ousadia.

O ano está acabando, mas a revolução começando. O REBELIARTE está aí para lutar e combater, com armas munidas e calibradas na mira só para disparar.

Foi muito bom ousar com vocês neste ano, mas ano que vem tem mais, pois a luta e sonho continuam.

Preparem e carreguem suas armas para 2010.

Um abraço a todos que ousaram conosco. Samuel Macário.

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Poesia, política e resistência

Eu acredito na construção de uma nova sociedade. Acredito no resgate dos valores humanos. Acredito que o ser é mais importante que o ter. Acredito que a literatura é uma arma contra a alienação imposta pela sociedade contemporânea.

Tenho escrito alguns poemas, algo não comum. Sou teórico, estudo literatura, atuo nos movimentos da esquerda política. Mas agora escrevo poemas, também.
Vou postar um que eu publiquei na primeira coletânea do Rebeliarte. Trata de utopia, necessária, e revolução, obrigatória.

Revolução

Uma revolução não se faz só com armas
É preciso também coração.
O gosto amargo do meu poema político
É a bile do homem-máquina aprisionado em seu tempo.

Corro as unhas por sobre minha face plastificada,
Não sinto dor nem medo.

Cercas elétricas separam o escravo exausto do homem faminto.

Caminho descalço por entre vielas e becos,
Me misturo aos condenados da terra para uma nova jornada
Ao encontro da dignidade humana
e da paz universal

edukaw@hotmail.com
twitter.com/edukaw

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Pra lembrar de Celebrar

Dezoito horas e nenhum convidado ainda tinha chegado.
dezoito e quinze, e vinte, e trinta.
"Vamos começar assim mesmo, fazemos um sarau pra gente."
É começávamos então um sarau sem os convidados, mesmo estando presentes apenas os conhecidos, uma certa timidez amarrava as pessoas às cadeiras!
Um levantou puxou do bolso um poema e pronto, fogo na palha e o sarau começou.

Aos poucos o espaço foi ficando com calor de gente, gente de todo canto e o susto de todo o trabalho ter sido em vão começou a passar.
Manifestação de indignação, de sonho e de tantos outros sentimentos.
Brado em prol da arte independente, da arte que não é comércio, que não é mercadoria.
E o sarau foi esquentando, o povo já transitava pelo quadradão de cimento sem timidez, mal um saía e outro assumia o microfone, poesia, música, discurso, tudo oque um sarau de gente que vive do nosso lado precisa ter. O violão ja tocava, de repente apareceu um atabaque pra acompanhar, depois os bumbos e logo a musica afro tinha tomado conta e, a coisa estava tão boa que o espaço dali já não era suficiente e o povo tomou a rua, gente nos portões de casa com sorriso no rosto admirada com a beleza do som e da dança contagiante. Um sarau inspirador me fez transformar um poema em discurso.

Pra lembrar de celebrar.

Celebrar é viver a utopia de um palhaço, rir a gargalhada inocente da criança, atirar-se do alto esperando flutuar no ultimo instante, rir do susto e repetir o desvario, é pintar a cara de branco e outras cores e caminhar inconseqüente na corda bamba e sentir no fundo um prazer na aflição da platéia que vai rir do seu tombo na cama elástica. Celebrar é doar a arte a quem tem sede de beleza, é construir uma revolução mais bonita, mais poética. E se alguém disser que é estupidez dar a arte “de graça” a alguém… Com licença este estúpido quer falar.
Que a partir desse encontro de hoje que constata a nossa existência sejamos todos palhaços bêbados na corda bamba em praça pública sem medo da queda, cambaleando, trançando assustadoramente as pernas nos deixemos cair na rede que nos espera logo a baixo, celebrar é falar sem vergonha o que nos der na telha, é divertir-se enquanto se constrói grandes coisas. Celebrar pra despertar a platéia que dispersa não vê que o mundo passa, acontece e se contra nós se levanta podemos com a doçura de uma pintura infantil fabricarmos a mudança necessária e nos desprendermos de qualquer cativeiro que ouse nos limitar. Sejamos sim palhaços embriagados e com a liberdade que temos por sermos os palhaços dessa vez, digamos tudo aquilo que incomoda, tudo aquilo que santifica tantos e tantos profanos…
Que ao acordarmos todos os dias ou noite pra quem assim se fizer necessário, nos lembremos de celebrar e que sobretudo não tenhamos medo ainda da contradição, da beleza que essa tem, da contradição que nos faz encontrar a verdade. Não é mesmo assim que nos encontramos várias vezes? E que assim, celebrando e descobrindo, as coisas fiquem nítidas e levemos tantas outras pessoas a descobertas também. A partir desse momento vamos colocar fogo no circo e quando a lona derreter vamos sorrir, chorar, deslumbrar-se com a beleza das estrelas e quando a platéia vir a nossa loucura, a nossa pressa em espalhar fogo pelo terreno ela perceba que é a revolta circense, dos trapezistas e engolidores de facas, do homem bala e da mulher barbada. Essa trupe não quer mais animar, agora quer ser animada.

“A paz, a ciência, a essência, a poesia prevalece.
Se lembrar de celebrar muito mais” (Fernando Anitelli)

“Não acomodar com o que incomoda” (Fernando Anitelli)

Euber Ferrari

euber.ferrari@hotmail.com

twitter: EuberFerrari

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Esperança através da Arte...

Há pessoas que descobre velhinhas, que seus poemas podem ir longe, poemas de amor pela vida, poemas de esperança para quem não tem mais, poemas como um recado para quem está de braços cruzados esperando sentado, as coisas acontecerem, poemas apaixonados, poemas de relatos do que acontece na sociedade, poemas de desabafo, de chega não dá mais !!!
Olhando em nossa volta, tudo se faz um poema ou um conto, somos escravos desse sistema e nem todos percebem isso, não podemos aceitar calado. Que a nossa voz ecoe através das palvras escritas e de lugar em lugar vamos declamar em alto e bom som a nossa realidade!!!



SEMENTES




Cada dia aprendo mais,
e num instante não sou
mais eu.. O saber nos
transforma em pessoas
diferentes,
como as sementes que
germina com uma gota de
orvalho, somente.

Meu poema vou plantar
no coração dessa gente,
que descrente não acredita
que é possivel mudar
o pensamento de uma pessoa
através da arte declamada, somente.


(JÔ)

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Literatura e periferia, para lembrar

Segue abaixo um vídeo com algumas imagens e gravações que nós fizemos no
início do projeto. Para quem não lembra, foi um sarau sobre literatura e periferia que aconteceu em agosto deste ano.
A música é do Milton Nascimento, chama-se "Menestrel das Alagoas".
O arranjo eu fiz com a Jô.
Abraço.
edukaw@hotmail.com
twitter.com/edukaw

Menestrel das Alagoas

Milton Nascimento

Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

midinvasora

A literatura marginal tá aí faz tempo! Os movimentos de arte na periferia também (se bem que quase sem engajamento algum mas tão aí!)

Muitas lutas, e os poetas, escritores, músicos, graffiteiros penaram e muitos ainda penam!
O Racionais Mc's desde 1988.
Acontece que ultimamente a mídia resolveu falar disso também. O jornal "Agora" divulgou um roteiro dos principais lugares onde assistir um "sarau de periferia".
O Mano Brown, piloto do Racionais Mc's saiu na capa da revista Rolling Sotnes.
O que é que está acontecendo? A mídia cansou de fabricar talentos furados e resolveu atacar os lapidados a mãos artísticas e transformá-los também em mercadoria? Ou esse é o resultado de tantos anos de persistência atrás de voz por parte dos artistas renegados das periferias e bairros esquecidos?
Na verdade eu ainda nem digeri isso pra formar opinião, ultimamente meu processo de absorção de certas questões tem demorado bem mais! O que eu queria era saber o que os leitores desse blog pensam disso. Será que sou só eu que admiro uma certa reclusão artística?
Tudo bem em querer voz, mas por exemplo você daria entrevista à revista contigo?
É só um questionamento em breve volto com um texto bem elaborado sobre o que acho disso, mas antes queria que os leitores me ajudassem a digerir! Dêem sua opiniões!
Abraços

Twitter: EuberFerrari
euber.ferrari@hotmail.com

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Só Marx salva

Só Marx salva

Miséria, fome, exploração
doenças, mea culpa, enganação
nas veredas dessa vida, não há água?
Não insista, leia, instrua-se,
atenção:

Muitos gritos no trabalho todo dia
refazer o que foi feito e novamente
repetir para aumentar o que já fiz
patrão, é dono e também juiz
o salário é a esmola permanente.

Na vergonha, no desprezo e na doença
o abandono do Estado na velhice
produzir o que lhe mandam,
“não lhes disse?”,
é a sina de quem nasce sem pertença.

Mas a vida do operário não termina
com a desgraça violenta da opressão
se entende que uma guerra se organiza
trabalho forçado, é o que precisa,
todo dono, todo senhor,
todo patrão.

A revolta incendeia a resistência
sem correntes, sem amarras, sem porretes
nova ordem, é a hora da vingança
é vermelho o som da esperança
agradável a social independência.

(Edu - edukaw@hotmail.com)

Tô tomando gosto - dá-lhes poemas revolucionários!!!

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sábado, 12 de dezembro de 2009

A Revolução através da arte

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim,
Daqui a pouco não.

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim,
Daqui a pouco...

Se agregar não é segregar;
Se agora for, foi-se a hora.
Dispensar não é não-pensar;
Se saciou, foi-se embora.

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim,
Daqui a pouco não.

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim,
Daqui a pouco...

Se lembrar não é celebrar;
Dura é a dor quando aflora.
Esquecer não é perdoar;
Se consagrou, sangra agora.

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim,
Daqui a pouco não.

Quanta mudança
Alcança o nosso ser
Posso ser assim...

Tempo de dar colo,
Tempo de decolar.

O que há é o que é;
E o que será
Nascerá, nascerá.

Tempo de dar colo,
Tempo de decolar.

O que há é o que é;
E o que será
Nascerá... Será?

Reciclar a palavra,
O telhado e o porão;
Reinventar tantas outras
Notas musicais.

Escreever um pretexto,
Um prefácio e um refrão
Ser essência muito mais.

Ser essência muito mais
A porta aberta, o porto,
A casa, o caos, o cais.

Se lembrar de celebrar muito mais.

Muito mais...
A ciência, a essência,
A poesia prevalece...

Tá certo que o nosso mal
Jeito foi vital
Pra dispensar o nosso tom;
O nosso som pausou.

E por tanta exposição
A disposição cansou.
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora.

Solução é a solidão de nós.
Deixe eu me livrar das minhas marcas;
Deixe eu me lembrar de criar asas.

Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol.

Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor.

A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada;
Já que estamos fincados em dor.

Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar.

(Fernando Anitelli – O Teatro Mágico)

O Teatro Mágico está fazendo história na arte independente, comemora nesse final de semana árduos seis anos de independência.
E eu considero essa letra deles, praticamente um hino da revolução a partir da arte. "Se lembrar de Celebrar muito mais!" Que o nosso sarau seja mais uma grande celebração dessa futura revolução em que passamos fazer parte do exército!

É preciso ousar, é precisa ter coragem de dizer, é preciso ousar reinventar a ordem das coisas para se construir um futuro um tanto quanto melhor!

Observação: o vídeo não é o da musica que postei! hehehe

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Participe do Sarau!!!!




É isso ai, venha conhecer mais de perto nosso trabalho. Se tiver poemas guardados, traga. Se tiver algum poema que você goste, venha compartilhar conosco. Ou apenas venha assistir, quem sabe você não saia inspirado a compor seus próprios textos. São todos bem vindos aqui.

Rebeliarte é de todos e está em todo lugar.

Endereço:

Para dar uma esquentada, fiquem com um poema do Ferreira Gullar que o Samuel escolheu e acabou ficando fora do panfleto.
(Edu - edukaw@hotmail.com)


Subversiva

A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça

E promete incendiar o país

(Ferreira Gullar)

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Relato do Último Encontro do Rebeliarte no Espaço Cultural Carlos Marighella, dia 05/12/09

PESSOAL, decidi excluir o texto que aqui publiquei a respeito do último encontro de alguns integrantes do grupo Rebeliarte no Espaço Cultural, neste último sábado, dia 5/12. O texto agora está postado em tópicos na página do orkut do Rebeliarte, no fórum "Idéias sobre o sarau!". Leiam!

Deixo aqui apenas um aviso urgente e dois poemas-presentes de minha autoria.

UM ÚLTIMO AVISO

O Espaço Cultural Carlos Marighella está pensando em realizar neste mesmo dia do Sarau a Confraternização de Fim de Ano e aí eu gostaria de saber se há algum problema em realizarmos nosso sarau uma hora mais cedo, a partir das 17 horas, para finalizá-lo às 20 horas. A Marriete conversou com o Edú, por telefone, e ele, a princípio, não viu nenhum problema. Eu precisava de saber de vocês: O que acham? O problema é que o Espaço está sem outra data para fazer a confraternização e se começar às 21 horas terminará muito tarde.

Bom pessoal, acho que foi isso (Se faltou algo, os meninos, que também participaram do encontro, complementam. Agora é com vocês: leiam e vejam se a proposta que tiramos é legal ou não, sugiram ajustes, fiquem à vontade.

Grande abraço a todos e todas.

Fábio Pinheiro.


POEMAS-PRESENTES


GRÁVIDO

Visto os meus poemas
Ou você os quer nus?
‘Cê sabe
um poeta grávido de dor
vomita o que é ácido, amargo,
azedo, áspero e rude.
Grávido, um poeta
vomita o que é puro e sem disfarce.


FÁBIO PINHEIRO

ALÉM DE!

além de além de além de negro
além de além de além de pobre
além de além de além de feio
além de além de além estranho
além de além de além de tantas vezes fudido,
apaixonado por outro alguém igual.

negro, pobre, feio, estranho e apaixonado fudido.

FÁBIO PINHEIRO

Poema para as crianças

PARA VER ESTRELAS


Subir montanha
vasculhar céu
e varrer nuvens cinzas
para ver estrelas.

FÁBIO PINHEIRO


Peço que opinem a respeito dos poemas, principalmente este penúltimo, pois penso em publicá-lo.

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TEMPO...

Venho de longe, de um lugar muito quente
cresci com os pés num chão, onde não crescia
nada.

O tempo parecia não passar naquele lugar,tudo
sempre igual.

Mas, houve uma mudança inesperada, onde os ventos
me trouxeram para um lugar frio, onde a neblina
molhava o meu rosto.

O tempo foi responsável pela mudança, ele
nunca parou e nunca vai parar.
Ele vem trazendo o futuro lentamente.




Estamos no final de um ano, o tempo não parou, grandes acontecimentos nos trouxeram experiências e muitas trocas, estamos fortes! E tenho certeza que preparados para mais um ano juntos com muitas esperanças de coisas grandes ! Que no próximo ano possamos ampliar o número dessa equipe.
Mais ainda não acabou, vamos encerrar o ano com um " SARAU " onde serão recitados os poemas criados nos encontros de arte e literatura, onde também surgiu o nome "REBELIARTE " o objetivo é produzir poemas com militancia politíca.
O poema que escrevi acima não é politíco, falo do tempo que eu não percebia passar quando estava na minha terra "Paraiba" e quando cheguei em São Paulo garoava muito e fazia muito frio, um verdadeiro contraste!
Demorei muito para entender as coisas, e entender as pessoas... mais o tempo, o tempo me ajudou muito.

(JÔ)(canteiro de poesia)

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Independência

Ontem era meu dia de postar, eu estava num correria lascada, trabalhei de dia, fui à um evento do teatro e não deu tempo de passar por aqui, resolvi postar hoje, decidido sobre o tema,mas nem sei como escrever (haha).
Vamos lá.
A grande mídia está sempre querendo criar novos artistas,novos talentos fabricados, e muitas vezes com muitos defeitos de fabricação, isso quando não são produtos extremamente supérfluos. É nessa que um bando de gente se enfia num estúdio-casa, num sitiozinho, numa mansão esquisita e sai de lá transformado em artista, como num processo de metamorfose. Aqui fora são só lagartas, se enclausuram num casulo e saem de lá artistas já achando que são o momento, que são notícia, que podem formar opinião, participar de debates que acham úteis e até mesmo fazer arte. Mas não trazem nada de nada, no verdadeiro processo de metamorfose deles tudo o que podia haver ali não há, eles são apenas as cascas dos próprios casulos e o que podia haver de conteúdo virou borboleta e foi embora.
Aí é que vem o Artista, o artista que caminha com as próprias pernas, esse artista (de verdade) é diferente, dentro dele deve vir junto o debate, a militância. Nós não devemos ser só artistas, devemos ser militantes da arte. Nós devemos ter essa consciência, ainda por que o artista já não é mais tão sinônimo de boa coisa hoje em dia, está virando comércio, e até atriz(ator) pornô é artista, agora respondam pra si próprios: "Que arte pode existir em fazer sexo na frente das câmeras?" Tem gente que vai argumentar, que há trabalho de fotografia, de escolha de ângulos pra ficar perfeito, tem até entrevista de uma certa falecida em que ela dizia que houve um trabalho pesado de interpretação, que até ensinou algumas coisas de interpretação pro elenco do filme pornô que fez, e que no caso dela tinha enredo, que as cenas de sexo tinham razão pra acontecer, mas não. Não era um filme com enredo que tinha cenas de sexo, era um filme de sexo que tinha traços de enredo. Que arte há nisso? É comércio, quem paga aparece, quem não paga faz pornô pra aparecer, e quem ama a arte e sonha com o novo faz arte de verdade, milita por ela e conquista o povo apenas com a simplicidade de ser da arte.
Esse é o caminho da independência, é importante trazer esse debate pra superfície, não deixar escondido nas salas de reunião onde as pessoas que estão presentes já sabem de tudo isso. Eu passo na banca vejo a “Caros Amigos” a “Fórum” e compro por que já sei o que encontrar, já sei que tipo de coisa vou ler e na maioria das vezes concordo com o que leio, mas não é pra mim nem pras pessoas que já têm essa consciência que esse tipo de debate tem que ser direcionado, ele deve ser levado a um ponto onde os leigos estejam presentes, se não vira troca de figurinhas, vira papo cabeça na sala. É aí que entra a militância, sair do banco e partir pra ação, seja num conflito verbal na rua, na sala de aula, no ônibus ou seja numa invasão de espaço, o debate e a consciência militante deve ser levado onde ele ainda não chegou, daí então estará se partindo pra uma construção nova de sociedade, caso contrário é em vão!
O mecanismo para a liberdade artística está nas mãos, Nunca se teve tanta liberdade! O segredo é não parar de produzir!

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um poema da margem esquerda.

Novos tempos

A soprar novos ares à esquerda
imortais lembranças de outrora
meus herois, que tombaram na alameda
aguardam ao tempo da desforra.

Sorriem hienas descaradas
em seus ternos-engomados-competentes
à pobreza, lançam sobras esbanjadas
escarram no mendigo, no carente.

Ilustres construtores da opressão
mestres da mentira original
o que gera a riqueza é a miséria
a consciência é o que derrota o capital.

Bem vivos estão em minha gente
Che Guevara, Marighella, Lampião,
Conselheiro no arraial valente
Zumbi, o orgulho da nação.

A vitória aguarda alegremente
a coragem dos filhos do cansaço
seremos povo livre-independente
se olharmos para adiante no espaço.

Então custa a nós mesmos refazer
o trabalho de nossos ilustres sonhadores
para uma vida de ódio, o prazer
de sermos nós libertadores.

(Edu)

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

EDUCAÇÃO E MILITÂNCIA

Hoje acordei com espírito de Gramsci, Emília Ferreiro, Freinet, Paulo Freire.
Vi hoje, e todos os dias, de tempos para cá, que o sonho de se construir um mundo com uma grande educação é possível.
Talvez hoje muita gente me diga que sou louco por querer ser professor, ainda mais de português, dizem frases do tipo "faça uma coisa que dá dinheiro", "faça medicina ou direito", gente vil e suja essa, o que os olhos olham é somente a cobiça, o auto-engrandecer do próprio ego, permitam-me a redundância, olham somente para seus bolsos, e querem que sejamos iguais. Mas eu acredito, e talvez eu seja sonhador demais, acredito na educação, que podemos fazer uma educação diferente, não uma que passe no vestibular, mas uma que construa o cidadão, que luta, que sonha, que não vive preso ao sistema, mas se rebela contra ele, acredito da educação como militância, assim como Marcos Bagno.
É preciso que se dê mais valor ao professor e ao ensino, se isso um dia acabar, não existirá mais médico, pois, o médico passa por nossas mãos antes de tornar-se médico, nem haverá mais advogados, pois, eles antes precisam aprender com esse ser desprezado que tem em seu poder lousa e giz.
REBELIARTE, que acredita na ousadia, acredita também que se pode fazer um mundo melhor através da educação, pois, educar já é ousar.
Não sei se pude exprimir com essas poucas e rudes palavras meu sonho e minha luta. Mas digo que essa é minha estrada, rumo a fazer crescer novas pessoas que rumem nessa rota e que lutem, e que sonhem, e que não acreditem nisso que anda errado, mas possam gritar o ideal de um novo amanhã.

Um abraço a todos, e vamos sempre, através de nossos ideais, ousar!!!! (Samuel Macário sam.macario@gmail.com)

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domingo, 29 de novembro de 2009

Ninguém controla nossa história

Tudo na calma, tudo sob controle. Tudo muito sob controle.
Pra que gritar, dessa vez vai ser sem berro, o grito vem na escrita e a bandeira vai na capa. Já era, ninguém controla mais nossa história nego.
A gente já começou a selecionar os textos que vão pra nossa primeira coletânea, o Fábio levou textos animais, o Anderson prometeu mandar mais textos iguais ao primeiro cheios de indignação, o Samuca confirmou a presença dos seus textos revoltados já conhecidos, o Edu reafirmou sua existência como poeta da revolução e eu também não fiquei de fora, vou colocar um conto e um poema meus.
Agora é lamentável doutor, tem mais gente do que vocês imaginam produzindo o que vocês controlaram durante tanto tempo.
Esses dias eu tava trocando idéia com um ator parceiro meu sobre essa situação de classes, de quem domina quem e quando isso vai acabar. Começamos falando de um pessoal que não tem essa dimensão de pensamento, de mudança social, de alienação através de pseudo-arte a etc.. Falando disso, falando daquilo a gente lembrou de uma treta que eu tive na sala de aula esses dias. Eu estudo teatro e tava no meio de uma aula de projeto e captação de recursos, a professora tava falando que não tem por que ter patrocínio se nãofor pra baratear o espetáculo e fazer arte popular, pra todo mundo, uma mina pegou e falou “é mas tem que ver até que preço vai ficar barato também né professora, por que se eu faço uma peça a dez reais que tipo de gente que vai? por que tem gente que assim (pensou pra falar, achou que não tinha perigo) você sabe né professora, vai uns pobres, vai só pra dar risada , gritar, tossir, aí é complicado né… Antes dela terminar eu interferi “Você ta falando então que só pobre é mal educado? Os burguês do seu condomínio não falam palavrão não? Eu sou morador de favela, tenho orgulho de ser e tô aqui. Pobre é sem educação? Pobre é sem educação mesmo, mas sabe por que? por que a gente não tem a educação que vocês negaram pra gente, vocês burgueses fizeram os pobres sem educação. Você não quer baratear espetáculo não é por causa da bagunça não, é por que vocês querem que os pobres não tenham cultura, por que o dia que nós tivermos cultura a gente vai mandar em vocês!” Ela ficou quieta, um pessoal falou pra eu deixar pra lá que não valia a pena, pra eu não falar mais e a aula continuou. Quando o meu amigo lembrou desse dia a gente começou a falar da revolução através da arte. Ele falou que a gente tinha que brigar por isso, pra arte ficar na mão de todo mundo. Aí eu falei que essa ordem social já tava no fim, a periferia ta acordando faz tempo e a ira dela ta pra explodir, por isso a gente tem que disseminar a arte por lá, por que se esse ódio não explodir artisticamente vai ser complicado. Mas a periferia ta mais lotada de arte que o mundo pode imaginar, tem vários poetas, atores, contistas, desenhistas, fotógrafos dentro das favelas, cheios de ideais e convicção de mudança, as coisas vão mudar e não demora.
O monstro cresceu, agora já era ninguém controla nossa história, a gente vai falar o que quiser e eles vão ouvir. Dessa vez vai ser sem berro, o grito vai estar na escrita e a bandeira vem na capa!

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma nova voz da periferia - Andressa dos Santos

Poucos são os que ousam falar alto. Poucos são os que têm olhos e coragem para enxergar a realidade em que vivem. Eu vou apresentar a vocês alguém que desafiou o silêncio e, por meio da poesia, vem falando da vida, da existência e da exclusão social.

Essa jovem poeta mora na Cidade Líder e vem produzindo bons textos já há algum tempo. Apreciadora de Literatura Marginal, lê Ferréz, Sacolinha, Akins, fora outros escritores, conhecidos do grande público ou não. É uma das lideranças de um movimento literário escolar e pela forma como vem produzindo, merece um lugar entre os "rebelados da arte". Bem vinda ao Rebeliarte.

A voz da periferia clama por mudança

A vida me pregou
mais um dessa, por essa
não pude esperar.
Tudo que sonhei desmoronou.

Há anos que vivo em cavernas
e ninguém nunca notou.
Sorriso que vem com a dor.
Desespero, choro, lágrima e emoção
que dominava a todos da comunidade.
Escutar gritos de socorro é comum;
não sei se dá pra confiar em minha própria sombra.

Queria poder acreditar em papai noel,
duendes e fada madrinha.
A única pessoa em quem eu acredito
e que não é capaz de me trair é Deus,
pois nele acredito.

Pessoas que moram em Copacabana, Morumbi
acham que o mendigo, o pobre que mora em uma favela
não seria capaz de morar onde eles estão.
Pois fiquem sabendo vocês que nos somos pobres
mas ricos de coração e alma.
Pois o que vocês pensam ou deixam de pensar,
só Deus, naquele grande dia, irá julgar.

Se inveja matasse, quantas
pessoas iriam morrer de desgosto.
Novamente a voz da periferia clama mudança.
Mudança para melhorar não só de vida,
mas de lugar.

Acho que faltam várias coisas neste mundo:
a esperança de renascer de novo.
Vivo em conflito com o tempo
porque perdi horas e horas
tentando achar a solução para mudar o mundo.
Até que ponto isso vai chegar?

O maconheiro, com sua maconha
pede ajuda para sobreviver.
Os moradores em desespero, ajudam.
Na periferia é um ajudando o outro.

Prefeitos, polícia. Eles não são mestres.
Onde eles estão nesta hora em que a periferia clama mudança?
Acho que nem tudo que brilha é ouro,
pois é a vida de todos que está em jogo.

Joia rara, isto que nós somos.
Dinheiro, inveja, pobreza, morte, arrepio na alma.

Todos que estão nesta vida vão triunfar
apenas coloque sua fé
em prática.

Andressa dos Santos

(Andressa tem 13 anos, estuda na rede municipal e é poeta)

(Edu)

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tenda Literária nº 5

No dia 15/11 nós estivemos na atividade que fechou a Semana de Arte Maloqueira, a Tenda Literária. Foi bacana, contou com a presença do escritor Sacolinha, sarau, dança afro e muita conversa. Aproveitei a foto e fiz um vídeo, minha nova diversão... hehehe
Detalhe, o blogue do projeto Tenda Literária:
Estamos juntos.

A música chama-se "Grândola Vila Morena". Ficou para a história por ter sido a senha para o início da Revolução dos Cravos, em Portugal, que pôs fim ao período de ditadura política, que vigorava desde os tempos no tirano Salazar. Eu acho a letra linda.
Abraço.
(Edu)

No caso, eu gravei as guitarras e a Jô cantou. Quem quiser cantar junto:

Grândola Vila Morena

Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade



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Atividade da Consciência Negra

Não poderia escrever aqui, hoje, sem falar dos momentos que passamos na Marcha da Consciência Negra, no último dia 20. Fomos num grupo de mais de 16 pessoas, mais especificamente os grupos de Percussão e Literatura (Rebeliarte). Foi muito empolgante, deu pra sentir que a galera curtiu muito. Todo mundo colaborou, tocou, dançou, carregou instrumento, dividiu lanche, tomou chuva e tudo mais. A única coisa chata foi o motorista “mala” que nos arrumaram, o cara implicava com tudo, se queixou até de ter que transportar os nossos instrumentos, não permitiu um “sambinha” de lei, foi um mala de fato; mais uma ofensa a nossa cor, costume e cultura negra.
Em relação ao evento, eu tive a impressão de não ter atraído muitas pessoas, a Marcha parecia estar um tanto esvaziada, o que nos revela o fato de que as pessoas vêem o Dia da Consciência Negra como mais um belo feriado para pegar a estrada, curtir uma praia, colocar a casa em ordem, saí de balada, tudo menos marchar em protesto. E protestar o que? Nem temos o que protestar! Já somos até reconhecidos pela lei como cidadãos. Ora se somos!!! Temos até cotas nas universidades, cotas nas passarelas, temos uma lei que nos protege das ofensas que possamos sofrer pela nossa cor, freqüentar a "macumba" é permitido e na rua ninguém te olha atravessado, a polícia nos respeita a toda hora do dia, podemos usar cabelos espalhafatosos porque já é moda, é fashion. Se nossos heróis negros estivessem vivos se surpreenderiam, pois hoje tem TV e negro é personagem principal em novela, rico, padrão de beleza top e tudo; EUA é negro. Negro agora, aliás, é moda, é doutor e todos nos respeitam. É, estamos com tudo!!! Quem nos viu quem nos vê!
Então reivindicar o que? Pra que? Na vida tudo se alcança se houver esforço, se o dia-a-dia for encarado como uma verdadeira batalha na qual a vitória deve ser exclusivamente minha. Que vençam os melhores!
Infelizmente, estes discursos já conquistaram muitas mentes e corações (como diria nosso amigo Serginho), inclusive negros. E a gente é visto como louco (lembro até que liguei para um amigo negro convidando-o e ele tava bem "dormindo" e rindo de mim) quando diz que o nosso programa do fim de semana é marchar com a negrada que sabe bem que ainda há muito o que conquistar neste mundo em prol do povo negro (as estatísticas estão aí pra provar). Negro que, aliás, ainda vive preso a condições de vida, muitas vezes, subumanas, sujeito a salários baixos, educação de péssima qualidade, acesso limitado ao ensino superior, desrespeito a suas crenças e costumes, etc; todas estas condições limitam a população negra a uma vida precária com poucas perspectivas. Como se diz o processo é lento e o barato é louco.
Então, a Marcha foi prejudicada pela chuvinha que resolveu cair pouco depois do início dela e isso fez com que a gente encerrasse a nossa participação, uma vez que não podíamos colocar em risco os nossos instrumentos. Mas até onde participamos foi muito legal, o pessoal da Percussão foi o único grupo que acompanhou a Marcha tocando e a galera curtiu demais, até "chorou" quando fomos obrigados a parar.

Distribuímos panfletos, o Edú e Jô prepararam um material bem interessante com poema do Solano Trindade e apresentação do grupo e o Espaço Cultural levou a carta manifesto em homenagem ao Carlos Marighella. Fizemos balanço da atividade no ônibus, todo mundo manifestou satisfação e maturidade para sugerir alguns cuidados a ser tomados nas próximas atividades.

À noite eu voltei e curti os shows do Luiz Melodia e da Elza Soares, foi louco, me diverti muito.

Mudando de assunto, o pessoal tirou de se encontrar no próximo sábado para discutir a atividade de fim de ano. Eu, particularmente, não poderei estar, pois terei de participar num Congresso de Educação na Cidade Tiradentes. Mas deixarei minhas sugestões aqui no blog e enviarei por e-mail ao Edú os poemas que selecionei para publicação.

Agora preciso falar de uma coisa muita séria com vocês: todos sabem que fomos aprovados no edital de Ponto de Cultura, mas estamos com alguns problemas financeiros. Acontece que a nossa documentação está sendo regularizada e para assinar contrato, segundo o contador, falta apenas a emissão de uma certidão negativa municipal, conhecida como CCM. Para emití-la precisamos acertar dívidas com o município, multas e taxas fiscais de anos anteriores que não foram pagas. O contador levantou um valor de R$ 923,00, fora o valor de pagamento do serviço dele. Não temos muito a quem recorrer senão as pessoas que participam do Espaço, pois já recorremos à APEOESP, à galera do PSOL, e eles já colaboraram alguns meses atrás. Colaboraram inclusive para resolvermos questões da documentação e despesas do Espaço. Então fica complicado solicitar mais doação. Fora isso estamos com aluguel atrasado, duas contas de luz e telefone atrasadas e a Marriete para pagar. Está complicado, porém sabemos que a prioridade deve ser a documentação, haja vista que isso garantirá a existência do nosso trabalho por mais três anos, com direito a muito ar e fôlego.
Bom, gostaria de fazer esse apelo, quem puder contribuir, a contribuição será muito bem vinda, já que estamos com a corda no pescoço e temos prazo curto demais para resolver isso. Quem puder é só ligar para a Marriete no Espaço Cultural e trocar uma idéia.

"A união fará a força!"

Forte abraço a todos e todas.

Deixo para vocês um poema-presente, adianto que esse não será de nenhum bambambam da literatura, mas sim de um cara louco que inventou de se achar poeta.

Uma idéia


Paira no ar uma idéia
uma idéia vaga
uma idéia vagabunda
uma idéia ordinária
uma idéia safada
uma idéia promíscua
uma idéia romântica
uma idéia ideal
uma idéia revolucionária
uma idéia
uma idéia qualquer
uma idéia vaga
cabe ao poeta ocupá-la.


Fábio Pinheiro

(Penso em criar um pseudônimo que chame mais a atenção. Ajudem-me!)

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

TRAPÉZIO

Tava na hora de postar esse poema, que foi um dos primeiros a ser lido nos encontros. Esse poema é um retrato do artista que se vê frustrado acima do trapézio e começa a cair, a queda é tão alta e forte, que nesse cair surge um poema, talvez o último de sua existência como artista. Retrata bem um dos meus temas favoritos que é o circo, além dessa arte cheia de escuridade e tragédia. recomendo ai a vcs que entrem no meu blog, que é exatamente voltado para a produção poética e sempre tratando do tema circence (um circo meio obscuro...rsrs). ta ai o link:

http://fluoxetinaprapalhaco.blogspot.com/




TRAPÉZIO

Em silêncio a platéia espera.
Em três quedas o palco partiu-se
O trapézio que segurava não era
Tão forte quanto o destino disse.

Acima de todos cai a primeira
Do alto ao olhar o redor a seguinte veio
Então às quedas a alma se rendera
E enquanto caía ainda naquele meio

Veio então chegando a queda maior,
O chão chamava para o desfecho,
E caindo olhava o esplendor ao redor
Num grande portão sem trinco e fêcho.

O chão puxava uma queda que não achava o chão,
O tamanho do tombo foi tão grande e feio
Que antes de cair já não existia vestígio do coração,
Então com a última queda deixou-o tão cheio,

Seu barulho como de um trovão estilhaçado
Um terremoto nesse momento treme o chão.
Em trevas cobriu-se um barulho por todo lado,
A alma caída, o corpo que dorme em vão.

Em vão o rosto olha ensangüentado,
Os olhos sem expressão, boca muda não dizia
Depois disso de repente as luzes do
Circo apagaram, de repente a platéia silencia.



Um abraço a todos que tem ousadia. Samuel Macário.

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domingo, 22 de novembro de 2009

Dia da consciência negra - rebeliarte



Esse fim de semana foi cabuloso. Dia 20 de novembro, na sexta, houve participação do Espaço Cultural Carlos Marighella, com o grupo de percussão e o pessoal do Rebeliarte, no ato do Largo do Paissandu. Eu e a Jô panfletamos, com um informe do Rebeliarte mais um poema do Solano Trindade. O Fábio, o Anderson, a Gabriela, o Serginho e o Miqueias estiveram tocando o tempo todo com o pessoal da percursão. Além da importância política, pois o ato envolveu as principais correntes da luta organizada contra a opressão da classe trabalhadora, tivemos a chance de compartilhar um dia juntos. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos encontros. E que o pessoal da percussão venha aos nossos encontros de arte e literatura.
Por uma sociedade sem discriminação, sem opressão e sem pobreza.
(Edu)

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

20 de Novembro

Mil anos que eu não apareço por aqui, to ligado que hoje nem era meu dia de escrever mas ta firmão eu escrevo hoje e amanhã também pra recuperar o tempo que eu perdi por causa do apagão que apagou meu pc, e das mil ocupações que eu tenho agora. Vishe, meu pc zuou mano, perdi vários baratos, até uns tecos do meu livro foram pro saco, vou ter que escrever tudo de novo, mas ta firmão, ta firmão o Estado já me lesou várias vezes uma a mais a gente suporta até chegar a nossa hora, eu escrevo de novo e salvo em algum lugar pra não perder de novo, se fosse na época que eu tava escrevendo no caderno nem tinha acontecido isso aí.

Mas nem foi disso que eu vim falar, eu vim falar do meu dia 20 de novembro mesmo. Hoje eu trampei só das 9:00 às 20:00h. pouco né?
Feriadão, rolou vários shows de Rap em São Paulo eu tava até afim de colar em uns, mas nem virou.
Dia da consciência negra nem pude ta presente nos atos a pans da um apoio, um salve pros mano.
Cheguei em casa e meti um rap no som pra simular os dos shows que eu perdi e to aqui sentadão na frente do pc dando um enrolada até achar um jeito de escrever o dia como que foi.
Mano é complicado falar de preto ou branco, sem parecer plagiador, cheio de demagogia ou falsa consciência, mas vamo lá que o barato é o seguinte a reflexão do dia vinte vem do dia anterior.
Ontem eu vi um mano, mil anos que eu não trombava, colava pouco com ele mas a gente tinha uma amizade forte, era um mano admirável, estudava pra caralho, dava um trampo pra ajudar a mãe, tinha futuro o moleque. Colou em mim me pedindo uma moeda, "Qualquer coisa serve, só pra eu interar o busão e voltar pra casa!" Ele não me reconheceu, mas eu me liguei ele mora a uns dois quarteirões dali "Tem não irmão, to quebrado". Mal vestido, o chinelo saindo do pé, no friozão da madrugada de bermuda e camiseta. É mais um negro que o sistema apagou a consciência, o mano que era uma ameaça pro sistema pela capacidade que tinha, agora transita por aí pedindo uma moeda, um qualquer, pra cheirar um pino, queimar uma pedra sei lá, de repente se não arrumar nada na crise pode até matar alguém em troca de uns minutos de viagem.
É o barato é louco fiquei com essa cena na mente, vishe o mano até curtia uma poesia, várias vezes veio em casa pedir livro emprestado pra fazer trabalho de escola e ontem o que ele me pediu nem tem nada a ver com isso.
Firmeza pra fazer um H os caras correram lá e transformaram o dia da consciência negra em feriado, mas e aí?
Os pobres tão aí largado no mundão se nós não fizermos por nós ninguém faz.
Essa é a real ninguém faz nem vai fazer, ninguém quer fazer nada.
O mundão é assim durão e frio de jeito que é, mais um parceiro que eu perdi pras drogas, mais um pobre que entra para as estatísticas que ninguém faz nada pra mudar.
Eu vim só pra relatar e por um carrapato atrás da orelha do leitor.
E pra deixar um salve pra massa negra do meu país e do meu planeta, pra todos que têm a coragem de dizer, pra todos aqueles que fazem desse feriado uma oportunidade de revirar essa lógica do sistema corrosivo que mastiga a liberdade e a soberania da nossa gente, do nosso povo, um salve pro povo da favela, Marabá vai ta no coração pra sempre, a favela fez eu ser quem eu sou. Um salve pros negros que cresceram comigo e me fizeram não ser só mais um branquinho filho da puta, de nariz e topete empinado: Cipó, Cássia, Rubão, Negão, Márcio, André, Jhonny, Marta, Bebê, Enrique (Preto), Dô, Sangue, Acum, Michel, Deyse, Jhully, Gabriela, Paca, Banha, Tripão, Huoslon, Ana, Cidinha (In Memorian), Jeremias (O Gê), Pedrão (In Memorian), Miriam, Moisés, Matheus, Josi, Tio Basto (In Memorian), Ricardinho, Abel, Keilinha, Ana Cláudia, Miriam (prima), Maicon e vários outros que talvez eu não tenha citado mas não foram esquecidos, Feliz final de dia da consciência de vocês, vocês mais do que eu sabem o que é ser preto e favelado por aqui, valeu por tudo que a gente compartilhou e compartilha até hoje.
Salve!

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Em homenagem ao dia da Consciência Negra

Em homenagem ao dia da consciência negra, vai o poema:




Consciência Negra
Sou a alma que ontem nasceu no mundo.
Sou filha da África,
Dos olhos de pérolas,
Do sorriso de marfim,
Dos sons dos atabaques em noite de luar,
Da roda de capoeira,
Do jongo ao maculelê.

Sou da raça que irradia perfume de alegria.
Sou semente da história humana,
De vida apesar de tanta dor.

Dos canaviais e senzalas,
Das mãos calejadas, exploradas e injustiçadas.

Podem tirar a minha vida,
Menos o direito de sonhar,
De ter esperança...
De lutar por dignidade e respeito,
Nem que seja em grito mudo,
Clamando por igualdade e justiça,
E de acreditar num amanhã melhor.
Consciência Negra
Sou a alma que ontem nasceu no mundo.
Sou filha da África,
Dos olhos de pérolas,
Do sorriso de marfim,
Dos sons dos atabaques em noite de luar,
Da roda de capoeira,
Do jongo ao maculelê.

Sou da raça que irradia perfume de alegria.
Sou semente da história humana,
De vida apesar de tanta dor.

Dos canaviais e senzalas,
Das mãos calejadas, exploradas e injustiçadas.

Podem tirar a minha vida,
Menos o direito de sonhar,
De ter esperança...
De lutar por dignidade e respeito,
Nem que seja em grito mudo,
Clamando por igualdade e justiça,
E de acreditar num amanhã melhor.


(Sarah Janaína Leibovitch)



Um abraços a todos os cheios de sonhos e ousadia que lutam pela liberdade.
(Samuel Macário - sam.macario@gmail.com)

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Ah! Esqueci de falar sobre a atividade da consciência negra, a Marcha no centro. O ônibus sairá às 10h00 do ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA e retornará às 16 horas; haverá lanche para os participantes.

Abraço a todos.


Vamos todos e todas!!!

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BOAS NOVAS

Meus queridos arteiros, já faz um tempo que não escrevo, mas agora volto com o prazer de trazer novidade e respostas às sugestões que foram postadas pelo Edu, que são resultado do Encontro que tivemos domingo passado na Semana de Arte Maloqueira, na atividade com o Sacolinha, que foi 10! A novidade é que o ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA teve o projeto ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA: INTERAGIR COMUNIDADE E CULTURA entre os aprovados no Edital de "PONTOS DE CULTURA" da Secretaria de Estado da Cultura. Esta foi uma vitória super merecida, pois nos dedicamos muito a construção deste projeto. Gostaria até de em nome do ESPAÇO agradecer a todos que de uma forma ou de outra contribuíram para esta conquista e dizer que "é nóis na fita". Quanto as nossas próximas ações - o Sarau, a Publicação, o Boletim, os Encontros e a Internet - penso o seguinte: acho que a data do dia 13/12/2009 talvez comprometa a minha participação, por conta da prova do estado. Sugiro a data de 6/12/09, mas como há a possibilidade de o evento ser junto ao de comemoração e encerramento das atividades do Espaço, não sei se a data que sugiro será a melhor. Em relação à publicação acho que teríamos que, de repente, nos encontrar para discutir, ao certo, como será, talvez até escrever juntos o Editorial e encaminhar as demais coisas. O problema é que é tudo para ontem! Aí como faremos? Bom, acho que seria legal ter um espaço na revista para um texto do Espaço Cultural dialogando com o grupo rebeliarte e com o seu próprio fazer. O que vocês acham? Bom, em relação aos encontros acho interessante a idéia da Josi, penso que devíamos tentar. O Boletim acho necessário, porém não sei como podemos encaminhar a escrita dele. E a questão da internet ainda não pude expor à Coordenação já que o pessoal não se reuniu na segunda por conta da organização para o Congresso Estadual da APEOESP no interior do estado. Na próxima segunda dará para conversar a respeito de tudo que está sendo sugerido no blogger. Na sexta nós nos encontraremos na Marcha da Consciência Negra e aí a gente discute sobre a publicação e o sarau. Ah, precisamos definir a data logo, até para fecharmos a presença do Sacolinha, poeta de Suzano.Pra terminar que eu falo muito, rs rs rs... só de pensar em publicar o coisas que escrevemos e fazemos fico emocionado.

POEMA-PRESENTE
Os Filhos da época

Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.

Wislawa Szymborska
Tradução - Ana Cristina César
Abraços e beijos a todos e todas.
Saudações culturais!
FÁBIO

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Eis que surge um novo poeta!!!


Hoje vou postar o primeiro poema do Anderson, ele está conosco desde o ínicio, sempre quietinho mais vem participando muito e isso nos deixa muito feliz porque é bom ver os frutos desses encontros de Arte e literatura e o Anderson é um deles e nos trouxe a alegria de seu poema que foi escrito por ele.





QUE DISFARCE!




Um ser sem alma que só trabalha
Que a história apaga
os erros cometidos contra ele
Um túnel tido como sem luz


Agora encontra a sua luz,
através da arte ele mostra
seu verdadeiro disfarce
e desmente todo este disfarce.



(Autor: Anderson( Angels♫♪) )



Continue escrevendo Anderson, pois você está no caminho certo,espero que de onde veio este venham muitos outros e logo estarão na nossa coletânea.

(JÔ)

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domingo, 15 de novembro de 2009

Organização de fim de ano - rebeliarte

Hoje nós estivemos no fechamento da Semana de Arte Maloqueira. Antes do início da atividade, nós tiramos um tempinho para definir algumas orientações para o encerramento do ano. Para não haver necessidade de outra reunião, tiramos alguns encaminhamentos que serão discutidos aqui mesmo nessa página do blogue. Assim, fique a vontade em palpitar, o espaço tá aberto para isso.


1º - Organizar um sarau para encerrar as atividades de 2009. Deve ser no mês de dezembro e, de preferência, casado com a atividade de finalização das ações do próprio Espaço. Eu sugiro o dia 13 de dezembro, domingo, as 15:00hs.

2º - Publicação - o pessoal achou que dava pra fazer uma revista para venda, com tiragem inicial de 200 cópias. A editoração eu vou passar para uns parceiros que têm uma agência de publicidade, vai ficar profissa. Entrariam poemas da gente, contos do Euber e comentários das atividades. Precisamos tirar uma data limite. Seria para esse ano?

3º - Internet - também foi sugerido o uso da internet no espaço pelo pessoal do Rebeliarte. A ideia poderia estar ligada a uma contribuição mensal para ajudar a pagar a conta de telefone. Fica mais barato que Lanhouse e ajuda no custeio do Espaço. O Fábio vai levar para a reunião da coordenação, e passar o resultado pra gente. Bom pra dar um gás no blogue e divulgar o nosso trabalho.

4º - Sarau itinerante - fazer um sarau mutcho loco, pra levar pra rua. O Samuel ficou de combinar com o Euber, mas eu também quero me envolver.

5º - Encontros semanais - combinar encontros semanais, mesmo que não seja para uma atividade especifica, mas ter o sábado, as 15:00 como o nosso ponto de encontro, para ler, escrever, pegar dicas de poemas, ou mesmo para bater papo.

6º - Boletim - Ter um boletim na mão para o dia 20 de novembro, que vai ser nossa atividade. Mandem ideias. Tem que ser rápido.

Acho que foi isso. Vou destacar no topo da página, postem nos comentários.

Abraço!!!

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Dois poemas sobre o nosso circo real!

Fala gente to postando ai dois poemas, que estarão no meu livro em breve, e falam sobre essa coisa de ter que se mascarar todo dia, no mundo de hj o riso daquele palhaço pode ser uma dor bem lá no fundo daquele ser, porém somos obrigados a disfarçar nossos descontentamentos com as coisas erradas que andam acontecendo por ai.
Confiram ai e digam o que acharam

abraços, Samuel Macário

PALHAÇO-HOMEM

O palhaço que nasceu num circo
Mas num circo onde não se ri.
Um palhaço arrancado pelo bisturi
Sempre foi a gargalhada do rico.

O palhaço mais triste que já vi
Tendo no momento de mágoa seu pico,
Ausentando de si a cor do Colibri.
O palhaço no palco sempre pagava mico,

E sempre caía na hora que não podia.
Uma vez que fazia número principal,
Foi a piada contada no meio dia.
Quando para construir o circo foi preciso cal

Trouxe areia e a areia foi descendo
E o tempo devorando o espaço
E devorando o homem que ainda nascendo
Já pintava em si a grande máscara do Palhaço.



O PALHAÇO DE NEGRO

Toda vez que o circo vinha
Era um sorriso que puxava o da criança
E ela da outra que atrás caminha.
Quando chegava o circo pintava uma esperança

Que então gritada nascia.
O circo com carros, festas e alegoria
A avenida em cores descia,
Amanhecido o rosto menino ria.

De repente notou-se o estranho
Havia uma jaula escura e fria
Uma jaula de grade de estanho
E nele cheia d'água uma bacia,

Não chovera aquele dia,
Mas visível aparecia um rosto mal pintado,
Olheiras negras que a lágrima já dizia,
Talvez esse seja o palhaço errado.

25-09-2009 Samuel Macário



Abraços a todos. Samuel Macário (sam.macario@gmail.com)

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um pouco sobre a Semana de Arte Maloqueira


Como já havia comentado, o pessoal do Espaço Carlos Marighella está participando dos eventos da Semana de Arte Maloqueira de Guaianases, organizada pelos movimentos de cultura da região. Eu vou falar sobre duas atividades em que eu e o Fábio estivemos representando o Espaço Cultural e nossa Rebelião de Arte e Literatura.
No dia 08/11, domingo, rolou uma roda de conversa sobre Poesia como Utopia. Para abrir o debate, estavamos, eu, representando o Espaço Carlos Marighella; o Luciano, do Dolores Boca Aberta e o Akins Kinte, poeta da Edições Toró.
Eu abri falando basicamente da ausência de horizontes em que nos encontramos, da nossa condição amesquinhada, pensamentos voltados para nós mesmos, em contradição direta com as condições de vida do povo pobre, trabalhador. Daí propus que utopia, apesar de aparentemente morta, está presente na literatura de periferia, no RAP e no sentimento das pessoas, enscondidinho, pedindo lenha e chama. Também chamei a atenção para a necessidade de direcionar o potencial revolucionário contido nos movimentos culturais da periferia, e o cuidado para não perdermos a dimensão política da coisa, para não virar mercado.

O Luciano chegou dando continuidade, afirmando a obrigatoriedade de aliar teoria e prática, sendo a arte uma arma, e dando como exemplo o trabalho do Dolores Boca Aberta, que é pura militância política, enquanto arte. Mandou também dois poemas fortíssimos, que deixou a galera de cabelo em pé.
E quanto ao Akins, sem palavras. O cara transpira poesia. No jeito dele, na moral, falou da vivência, da relação dele com a arte, e também, a relação da arte com ele. Fez um relato do trabalho que ele desenvolve na Fundação Casa, em que os moleques escrevem os poemas, mas entregam para ele escondidos, muquiado dos "monitores", senão, já viu.
Sem contar um poema/samba que ele mandou, ainda inédito, sobre futebol de varze.
Cara, tô esperando você aqui no Espaço Carlos Marighella pra passar o Documentário.
Nossa, a partir daí as ideias foram longe, a galera tava inspirada. Acho que boa parte dos movimentos de cultura da região estavam presentes, a galera dos Jovens Urbanos, Cine Campinho, Onorio Arce... vou pegar com o Renato o nome de todos para postar, para não cometer injustiça. No final ainda rolou uma tietagem e tirei foto com o Akins. (Tô acompanhado seu trampo, mano, com admiração!!!)

No dia 10/11, na terça rolou um debate também pegado sobre Diversidade Cultura. Deste, a Jô filmou, vou editar, daí eu posto aqui. Então, retornem a esta postagem que ainda será editada com o vídeo, mas já ficam as fotos.
Um abraço revolucionário.







(Edu)



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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Criadouro de analfabetos, onde está o compromisso com a educação e a cultura?

A educação não é levada a sério nesse país. O importante é ter prédios públicos erguidos e enchê-los de filhos de pobres, alimentá-los e dar leite, uniforme e sapato. Isso tudo é para os pais nem pensarem em reclamar da qualidade de ensino que é dado aos seus filhos, que vão aprender o minímo para trabalhar numa loja de calçados e ser explorado até o fim de suas vidas. Esse caminho foi escolhido a dedo pelo capitalismo e pelo governo, por que senão quem vai manter essa máquina de fazer ouro? quem vai assentar bloco por um custo mais baixo? O mais triste é que temos uma universidade pública em que 90% dos que conseguem entrar são filhos de ricos que estudaram em escola particular, tiveram um ensino de primeira e vão passar em primeiro lugar em medicina, direito e assim vai... mais para consolar os pobres o governo financia as milhares de faculdades, dos mais diversos nomes. Parece até igreja evangélica que tem aos montes, onde ele pode pagar a metade ou conseguir financiamento no banco para conseguir ter o ensino superior da pior qualidade, que é o que lhe foi deixado como opção. Ou então ficar sábado e domingo dentro de uma escola no projeto escola da família. Será que só eu não me conformo com isso? As coisas são muito bem feitas pra que as pessoas não percebam que estão sendo enganadas. Temos o ENEM, o prouni, os financiamentos, para que o pobre não possa reclamar, dizer que ele tem muito mais oportunidades do que o rico. Se isso fosse verdade não precisava dessa parafernalha toda. Não concorde... não se conforme tão rápido com o que te dão, não. Tem um ditado que talvez case com isso.. " quando a esmola é muita, o santo desconfia! " pois é...

Tive uma experiência esse mês quando fui à reunião na escola da minha filha, onde me foi pedido para preencher a ficha do Saresp. É uma prova onde o governo precisa ter a certeza de que a família e o aluno estão satisfeitos com o programa escolar, e diz a lenda, com " o desempenho do aluno ". O incrível é que tem uma parte da prova que o aluno teria que responder, pois está escrito, "RESPOSTA DO ALUNO", mais foi pedido pela professora que os pais respondessem por ele. Claro, por que eles já sabem que a criança não sabe ler e quanto mais escrever. Uma mãe ficou muito revoltada e disse que não ia responder porque o filho teria que estar ali. Como ela poderia respoder por ele? A professora desaprovou o comportamento da mãe, mais ela bateu o pé e disse: "Não, respondo amanhã. Meu filho vem comigo e ele responde!" Na sala da minha filha a metade não sabe ler. E o que eu acho mais absurdo é que esses professores que dão aula na escola pública, também dão aula na particular, onde todos sabem ler e são adiantados. A minha filha faz aula de reforço fora da escola porque senão também não saberia ler. Ela lê livros pra idade dela, porque é incentivada por nós, os país. Se dependesse do governo, os livros continuariam nas bibliotecas e nas livrarias. O incentivo é zero, na escola da minha filha a maioria dos pais também não sabem ler... Esse é o futuro do pais, é a nossa realidade e enquanto isso os filhos dos ricos estão se formando e vão se tornar empresários, patrões e vão continuar explorando os pobres e analfabetos.


Poema de vida



Com os olhos sempre baixos
e sem saber onde me encaixo
encontrei-me lá embaixo
e no fundo me alojei
**
No poço da solidão
só encontrei a ilusão
de uma vida sem visão,
então me afastei
**
Foi aí que alguém me disse
ainda na minha meninice
uma coisa que gostei
Fui embora esperançosa
e não mais me afundei.


(Jô)jokw@estadao.com.br

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

To sem criatividade pra postar mas taí um poema do Manuel Bandeira grande poeta brasileiro que revolucionou o campo da arte na semana de 22 juntamente com Mario de Andrade e Oswald de Andrade. Esse poema é pra ficar na cabeça.

Poética
(Manuel Bandeira)

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare


— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Abraços pra todos vcs. Salve Marighella. (Samuel Macário)

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domingo, 8 de novembro de 2009

Semana de Arte Maloqueira

Segue abaixo a programação dos eventos da Semana de Arte Maloqueira de Guaianases. Tem muita coisa boa, para todos os gostos e seguimentos artísticos. Eu vou participar diretamente de duas atividades:

Domingo: roda de conversa, a partir das 19:00, sobre poesia e utopia, na casa de cultura de Guaianases.
Terça: Roda de Conversa, a partir das 19:00, sobre Diversidade Cultural, no Espaço Cultural Carlos Marighella.

Deixo como sugestão a gente se encontrar no domingo, dia 15, na praça do Mercadão, para a atividade da tenda literária. A gente já troca uma ideia, e participa da atividade.

(Edu - edukaw@hotmail.com)

PROGRAMAÇÃO

Dia 07 – sábado
Local = Praça do Mercado Municipal de Guaianases (o evento vai iniciar com um Cortejo que sairá do CEU Lajeado e seguirá até a Praça do Mercadão)

13:00 – Mostra Cultural da Zona Leste – Programa VAI (Secretaria Municipal de Cultura)

Dia 08 – domingo
Local = Casa de Cultura de Guaianases

13:00 – P.O.R.R.A. (Projeto Ostensivo de Rimas Revolucionárias e Atitude) – Encontro de grupos de Rap e microfone aberto

19:00 – Roda de Conversa: “Poesia como Utopia” – Convidados: Professor Edu, (Espaço Carlos Marighella), Akins (Edições Toró) e Luciano (Dolores Boca Aberta)

Dia 09 – segunda-feira
Local = Casa de Cultura de Guaianases

15:00 – Intervenção de Graffiti no entorno da Casa de Cultura / Convidados: 5 zonas de Graffiti, Rim, Art e Graffiti, Cota Crew

19:00 – Exibição do filme “Profissão MC” e roda de conversa com o diretor: Alessandro Buzzo

Dia 10 – terça-feira
Local= Espaço Carlos Marighella

15:00 – Oficina de produção de Fanzine – Convidados: Marcelo (Fanzine Catraca) e Celso (Zine Concreto e Asfalto)

19:00 – Roda de Conversa: “Diversidade Cultural” – Convidado: Tião Soares (Cientista Social)

Dia 11 – quarta-feira
Local = Biblioteca Cora Coralina

15:00 – Sarau/oficina de poesias – Convidado: Tenda Literária (GT de cultura do IPJ)

19:00 – Roda de Conversa: “A Mercantilização da Cultura” – Convidada: Iná Camargo (Pesquisadora)

Dia 12 – quinta-feira
Local = Casa de Cultura de Guaianases

15:00 – Mostra de teatro e performance com grupos da região e convidados

19:00 – Roda de Conversa: “Fomento à cultura: limites e desafios” – Convidada: Maria do Rosário (Secretaria Municipal de Cultura)

Dia 13 – sexta-feira
Local = CEU Lajeado

15:00 – Apresentação dos projetos dos jovens do Programa Jovens Urbanos: vídeos, blogs, revistas, graffiti, teatro, leitura dramática, etc.

19:00 – Mostra de vídeos produzidos por alguns coletivos de áudio-visual da cidade (Local = Cine-campinho)

Dia 14 – sábado
Local = Casa de Cultura de Guaianases

SEMINÁRIO = A CULTURA QUE QUEREMOS

9:00 – Mesas: “Histórico do Movimento Cultural na zona leste” / “Cultura de Periferia na Cidade” / “Política Cultural na cidade” / “Política cultural em Guaianases” – Convidados: Sacha Arcanjo (MPA), Representante do Movimento dos Guaianás, Carlos Calil (Secretário de cultura), Jorge Perez (Subprefeito de Guaianases)

14:00 – Grupos de discussão: 1. Equipamentos e estrutura para a cultura / 2. Movimento de cultura / 3. Casas de cultura na cidade

19:00 – Show de MPB com músicos do MPA / Cacá Lopes / Valdir Bota / Tita Reis / Costa Senna

Dia 15 – domingo

9:00 – Continuação do Seminário – Mesas: “Histórico da Cultura em Guaianases” / “Propostas da Casa de Cultura de Guaianases” – Convidados: Representante do Movimento dos Guaianás / Sergião (Coordenador de Cultura de Guaianases)

11:00 – Redação do Manifesto: Que cultura queremos? / Cortejo até a Praça do Mercadão

14:00 – Tenda Literária – Roda de Conversa sobre Literatura Marginal – Convidado: Sacolinha

17:00 – Atividade cultural de encerramento da Semana
Local = Praça do Mercadão de Guaianases

ENDEREÇO DOS LOCAIS DAS ATIVIDADES:

1.Praça do Mercado Municipal = Praça Getúlio Vargas – (Próximo a estação de trem de Guaianases)

2. Casa de Cultura de Guaianases = Rua Professor Cosme Deodato Tadeu (Próximo a praça do mercado municipal de Guaianases)

3. CEU Lajeado = Rua Manoel da Mota Coutinho, 293 – Guaianases

4. Espaço Carlos Marighella = Rua Carvalho de Araújo, 06 – Guaianases

5. Biblioteca Cora Coralina = Rua Otelo Augusto Ribeiro, 113 – (Próximo à antiga estação de trem)

6. Cine-Campinho (Jd. Bandeirantes) = Rua Aldésio Prati, s/nº

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