O Deus mercado
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A esperança movimenta a ação. Querer construir uma sociedade sem esperança talvez tenha sido um dos mais sinistros desígnios da contemporaneidade. A velocidade da tela torna a ação real morosa, quase impossível. Daí a morbidez, a insensibilidade, a falta de zelo pelo ser e pelo mundo.
Fala, gente. Venho para apresentar um coletivo de poetas da Cidade Líder, Zona Leste de São Paulo. Os Poetas do Negro já produzem textos juntos desde o ano passado, mas só agora decidiram invadir o espaço online.

Falar em arte sem falar em Educação é difícil. Mais difícil é vivenciar ao caos em que encontramos as escolas Estaduais de São Paulo. Professores humilhados por uma política perversa, mesquinha, que, ao longo de mais de 15 anos de desgoverno (PSDB, é claro), vem lançando os estudantes, filhos de trabalhadores, moradores de periferia, ao mais completo abandono.
Poesia é veneno, é bomba
Sempre é tempo de iluminar
Fazer dia a escuridão sem fim
E sonhar
Com os olhos abertos
Sonhar sonhos diurnos.
É isso. Depois de um tempo elaborando novas ações, estou de volta, e, muito, mas muito em breve, com novos poemas e novas notícias.
Um abraço
com muita revolta
e arte.
Edu
O cartunista carioca Carlos Latuff é um dos artistas mais criativos do movimento social. É muito conhecido no mundo, amado pelos lutadores palestinos e odiado pelos chacais do capitalismo mundial. Recentemente postou essa charge sobre a anistia aos torturadores do regime militar. Achei fantástica e decidi compartilhar.
Torturador tem que ser condenado pelos seus crimes.
Pretendo fazer uma postagem só para comentar o trabalho de Latuff mais pra frente, enquanto isso, visitem a galeria de imagens do artista, basta clicar na figura abaixo. Detalhe, aprecie sem moderação.
[Edu]
Salve, manos e minas do Rebeliarte!!!
Leitores e leitoras da revolução!!!
Trago apenas algumas palavras de revolta em relação a máquina do mal, que corrói cérebros, elege canalhas a presidente, leva a juventude ao esvaziamento e a banalidade "malhacionescas", formata pensamentos a partir de novelas toscas e campeonatos de futebol cambalachados.
Revolta mortal a Rede Globo.
Produto da ditadura.
Enquanto camaradas sofriam torturas, eram mortos, sequestrados por militares, o povo recebia receitas de bolo.
Não podemos esquecer esses fatos.
Emissora da direita.
Emissora do capital.
Não há poesia em um mundo de alienação.
Não há poesia com a Rede Globo!
Mais revolta?
Escrivi sobre o BigBrother, é um texto mais pesado, mas não impossível, se quiser se aventurar, está aqui.
Um abraço aos camaradas e às camaradas de revolta!!!
E vida longa ao Rebeliarte.
Rebelião e Arte!!!!
[Edu]
Eis uma gravação que eu fiz já há um tempinho com a Jô e estava meio que enconstada por ai. Trata-se de "Para não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré.
Nós refizemos o arranjo. As guitarras foram gravadas por mim e a voz é dá Jô. Espero que gostem.
Edu
Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Geraldo Vandré
Composição: Geraldo Vandré
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(4x)
No fim do ano nós participamos de uma atividade do projeto Tenda Literária, que faz parte do Instituto Paulista de Juventude, que também atua em Guaianases. Naquele dia houve um sarau com a participação do escritor Sacolinha e nós escrevemos alguns poemas. Então, o Vandei postou os textos e as fotos. Quem puder passar para olhar, estão aqui.
Abraço.
Edu
O ano novo nunca é novo.
A angústia das palavras caladas, permanece.
As dores na alma,
O estalo do chicote,
A morte insana,
Permanecem.
A vontade de mudar
O sentimento rato.
O esgoto vivo
Tudo permanece.
O ano não muda
não vejo razão para festa
em um recomeço falso.
O tempo é a dimensão eterna
do nada
sem o esforço consciente.
Que não leve uma vida a mudança
Que leve seja a vida, com a mudança.
(Que tenhamos motivos reais para comemorar. Que o novo não seja a contraditória permanência do mesmo. Que a felicidade venha, e seja vermelha. Que seja de todos. E quando vier, se espalhe por todos os cantos do mundo proclamando um novo tempo. E que, ai sim, o céu se ilumine, e seja alimento para almas, ideias e esperanças)
edukaw@hotmail.com
Twitter: @edukaw
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Ninguém é inocente em São Paulo.
Ferréz é um escritor que eu admiro. Não apenas pela luta que realiza ao lado dos oprimidos, mas também pela qualidade de seus escritos. Apesar de se apresentar como romancista, autor dos ótimos “Capão Pecado” e "Manual Prático do Ódio”, tem demonstrado grande talento para narrativas curtas, divulgadas em diversos meios de mídia, dos quais, o que vale citação, Caros Amigos. Esse livro peguei emprestado na biblioteca da FFLCH/USP, o que pode ter um significado positivo: Ferréz já está catalogado nos acervos da conservadora Univesidade de São Paulo, a elite ta lendo e estudando escritores da periferia.
Em Ninguém é inocente em São Paulo a periferia de São Paulo é apresentada nua e crua. No entanto isso não retira o bom humor de várias situações, como no conto “No Vaga”, em que dois trabalhadores desempregados dialogam sobre as enganações sofridas na tentativa de conseguir um emprego, batendo sempre nas vagas de vendas de seguro, planos dentários e outras robalheiras que se apresentam como esperança aos desesperados inocentes. Em “Buba e o muro social” a vida de um cão burguês é transformada quando seu dono, viciado em cocaína o utiliza para pagar dívida com o tráfico. Pela visão do narrador/cachorro temos um retrato da periferia, comparada com a vida sem sentido, do ser enjaulado no apartamento, sem perspectivas, amigos ou liberdade.
O que se sobressai do livro não é a violência, mas a crítica social, com um peso muito grande na esperança e no humanismo. Livro altamente recomendado, para qualquer situação e qualquer leitor.
Boa fonte de referência para a galera que procura algo sobre a verdadeira Literatura Marginal.
Fica a dica, do seu crítico literário da quebrada, para o Rebeliarte.
Edu
edukaw@hotmail.com
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Eu acredito na construção de uma nova sociedade. Acredito no resgate dos valores humanos. Acredito que o ser é mais importante que o ter. Acredito que a literatura é uma arma contra a alienação imposta pela sociedade contemporânea.
Quem é esse viajanteMenestrel das Alagoas
Milton Nascimento
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
Subversiva
A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça
Novos tempos
A soprar novos ares à esquerda
imortais lembranças de outrora
meus herois, que tombaram na alameda
aguardam ao tempo da desforra.
Sorriem hienas descaradas
em seus ternos-engomados-competentes
à pobreza, lançam sobras esbanjadas
escarram no mendigo, no carente.
Ilustres construtores da opressão
mestres da mentira original
o que gera a riqueza é a miséria
a consciência é o que derrota o capital.
Bem vivos estão em minha gente
Che Guevara, Marighella, Lampião,
Conselheiro no arraial valente
Zumbi, o orgulho da nação.
A vitória aguarda alegremente
a coragem dos filhos do cansaço
seremos povo livre-independente
se olharmos para adiante no espaço.
Então custa a nós mesmos refazer
o trabalho de nossos ilustres sonhadores
para uma vida de ódio, o prazer
de sermos nós libertadores.
(Edu)
Poucos são os que ousam falar alto. Poucos são os que têm olhos e coragem para enxergar a realidade em que vivem. Eu vou apresentar a vocês alguém que desafiou o silêncio e, por meio da poesia, vem falando da vida, da existência e da exclusão social.
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

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