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sábado, 15 de maio de 2010

Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Creio que esse texto fala um pouco do mundo nosso. Ele foi postado no meu blog "As Lágrimas do Palhaço" e aproveito também para postá-lo aqui, já que tem tudo a ver com o que discutimos no Rebeliarte. Espero que gostem. Samuel Macário


Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Tornara-se homem com dez anos de idade. Teve de ser pai, para sustentar a mãe e os irmãos pequenos. No farol pedia entre os vidros filmados que não se abriam, o sinal ficava verde uma vez mais. Parecia ter esperança? Nem devia.
Depois fora até a igreja, mas não entrara, ficava onde Deus não existia, mãos estendidas, não clamavam, nem oravam, mas pediam, não para Deus, pois Deus estava entre nuvens filmadas e a ele não via, pedia aos homens que lhe cuspiam a cara e crucificavam-no ainda menino.
Depois de tanto pedir e não ter resolveu tomar. Tomar o que lhe pertencia e outrora lhe tomaram: a fé, o sonho, a esperança... empunhando a doze que o seguia, era Pedro que trilhava os caminhos de um destino que o aguardava. Milagres? Não realizou nenhum. Mas multiplicou os pães que faltavam na quebrada onde nasceu, não na manjedoura, mas num esgoto a céu aberto.
Os humildes o idolatravam a elite queria teu sagrado sangue.
Formou gangue depois de um tempo, escolheu doze parceiros para o crime. Até que um dia por trinta contos um traíra o entregou nas mãos da policia. Não o crucificaram. Morreu a balas, uma em cada mão, uma pra cada pé, não lhe colocaram nenhuma coroa de espinhos, ao invés disso deformaram seu rosto pra que não o reconhecessem.
Não ressurgiu ao terceiro dia, mas em cada irmão que bebeu da água do cálice que repartia, renasceu o teu espírito. Certo é que esses também morreram e morrem da mesma forma, mas virão outros. O sinal está verde. Terão eles esperanças? Nem devem.

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O que é Literatura?

Essa foi a pergunta que abriu o trabalho do REBELIARTE neste ano. A literatura é para nós? Nós da Periferia? Fomos feitos pra literatura?
Perguntas no ar pra pensar e se discutir. O documentário de Ferréz respondeu, Ela não foi feita para nós, mas vamos buscá-la, tomá-la. Agimos com e para Literatura e para seu Universo e a queremos, não a queremos mais como privilégios de alguns, queremos como semente nossa, plantada em infértil concreto, mas possívelmente a árvore mais resistente e bela, com os frutos mais doces e a folhagens mais vivas.
Vamos agir e ousar, pois, a literatura também é toda nossa. Nossa voz será rugido e vento da tempestade.
Sejam bem-vindos novas caras ao REBELIARTE, aqui a poesia não é só dita ou escrita, ela é clamor, é sentimento, é sangue, é vida. Aqui ela acontece, não é arte por arte, é arte por um Mundo. Aqui a poesia ousa no coração e na alma. Samuel Macário.

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sábado, 30 de janeiro de 2010

A MÁFIA DAS GRANDES UNIVERSIDADES

Passou-se o ensino médio e o sonho de muitos jovens é o ingresso numa universidade. Poder finalmente escolher a carreira e seguir e se satisfazer pessoalmente, certo, nada de mal nisso, porém, o jovem encontra alguns obstáculos do meio do caminho.

O primeiro grande desafio será exatamente pra jovens que não tiveram acesso a um bom ensino, ou seja o ensino particular, que é o ensino que visa o maior vestibular do Brasil a Fuvest, ensino esse que é de pequeno acesso, somente aos filhos de um grupo de elite.

Já que citei o grande vestibular da Fuvest, que é um vestibular dificili-mo, que abrange nove obras literárias, e pouco menos de 100 questões de todas as matérias escolares, mas com um grau elevado de dificuldade, impossibilitando alunos de escolas públicas, já que a grande maioria não tem a mínima ideia de como tal questão pode ser resolvida, já que eles não foram preparados para tal vestibular. Ou será que o vestibular não foi preparado para eles? Estranho. A USP é uma universidade pública então por que só os filhos dos patrões tem acesso a ela? O curso de medicina por exemplo é um sonho que só os filhos da elite podem ter, além do curso ser integral, a nota de corte para o ingresso no curso é altíssima.
Por que a USP quer somente os filhos dos patrões? Os que sempre tem tudo?

O jovem então que toma "bomba" na Fuvest vai ter que recorrer ao ensino particular. Justo? Vai procurar as "Uniletrinhas" ou "Unidisciplininhas", além do que vão se tornar produto nas mãos dessas que cobrarão absurdamente, já que há um reajuste todo ano no valor da mensalidade. E por que o dinheiro dos pobres interessa à essas Universidades?

Muitas perguntas sem resposta, provando uma imensa injustiça no sistema educacional de nosso país. Os ricos não pagam e os pobres sempre pagam pelos ricos.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Evolução

A Evolução humana não tem nada em evolução, já que tudo que o Ser Humano fez ate hoje foi ser egoísta, deixando seus desejos mais primitivos - os mesmos de qualquer animal sem inteligência alguma - o dominarem, ao invés do raciocínio e da Inteligencia. Como meio de consolo, já que ser um ser tão egoísta e mesquinho traz a alguns o sentimento de culpa, criaram a ilusão de serem os filhos do Criador do Universo, e com isso o tornavam o "Alfa" entre os outros e não importava quanto de sangue manchariam a Terra, permitindo que seus sentimentos fossem satisfeitos. A Evolução Tecnológica ocorreu curando as limitações humanas, mais a mental não, estando sempre preso ao seu passado.
Deixo aqui o link do vídeo e da musica que me fez pensar um pouco sobre a Evolução Humana e lembre-se que ainda podemos evoluir! .



Faça a Evolução

Woo...
Eu estou a frente, eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a usar calças, yeah
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar pois em Deus eu confio, yeah
É a evolução, baby

Eu estou em paz, eu sou o homem
Comprando ações no dia da quebra
No frouxo, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes, eu irei aplanar todas elas, yeah
É comportamento de rebanho, uh huh
É a evolução baby

Me admire, admire meu lar
Admire meu filho, ele é meu clone
Yeah yeah, yeah yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que eu quiser, irresponsavelmente
É a evolução, baby

Eu sou um ladrão, eu sou um mentiroso
Esta é minha igreja, eu canto no coro
(Aleluia, Aleluia)

Me admire, admire meu lar
Admire minha música, aqui estão minhas roupas
Porque nós conhecemos, apetite por banquete noturno
Esses índios ignorantes não tem nada comigo
Nada, por que?
Porque é a evolução, baby!

Eu estou a frente, eu sou avançado,
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, yeah
Eu rastejei pela terra, mas agora eu estou alto
2010, assista isso ir para o fogo

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Diga não a rede globo.

Salve, manos e minas do Rebeliarte!!!
Leitores e leitoras da revolução!!!

Trago apenas algumas palavras de revolta em relação a máquina do mal, que corrói cérebros, elege canalhas a presidente, leva a juventude ao esvaziamento e a banalidade "malhacionescas", formata pensamentos a partir de novelas toscas e campeonatos de futebol cambalachados.

Revolta mortal a Rede Globo.
Produto da ditadura.
Enquanto camaradas sofriam torturas, eram mortos, sequestrados por militares, o povo recebia receitas de bolo.
Não podemos esquecer esses fatos.
Emissora da direita.
Emissora do capital.

Não há poesia em um mundo de alienação.
Não há poesia com a Rede Globo!

Mais revolta?
Escrivi sobre o BigBrother, é um texto mais pesado, mas não impossível, se quiser se aventurar, está aqui.

Um abraço aos camaradas e às camaradas de revolta!!!
E vida longa ao Rebeliarte.

Rebelião e Arte!!!!

[Edu]

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Retomada à escrita no blog - 2010

Eaê pessoal! Eta 2010, ano eleitoral, ano de muito trabalho à frente do Ponto de Cultura, ano de mais concurso público na área da educação, ano de copa do mundo, ano dos meus 28 anos... Eta 2010... Quanta expectativa nos dá? Sabemos que ainda será difícil, por outro lado,o futebol aí está para apaziguar toda nossa tristeza... Eta Ponto de cultura! Já estamos com a mão na massa para construí-lo; sabemos que as tarefas serão muitas, muitas e por isso, como sempre, contaremos com a mão de todos e todas neste trabalho. Ele será a nossa cara! Bom, quero deixar aqui um texto que escrevi no meu blog - Pé de pinheiro - Espero vocês lá!

O TEXTO

O ano começou difícil com todos estes desastres naturais, em especial a situação nas periferias da cidade, em São Luiz do Paraitinga e outras cidades, e no Haiti. em especial quero falar do Haiti.

SOLIDARIEDADE AO HAITI

Ler jornal e estar no mundo não é nada fácil, infelizmente a felicidade nunca é noticiada e difícil de encontrar, a do povo então, raramente acontece, haja vista a política econômica a favor da constante emancipação das elites imperialistas no Brasil e no mundo.

Muito me entristece todas estas devastações naturais, ainda mais quando atingem povos tão sofridos como o povo Haitiano. A situação lá já não era fácil e agora mais essa, é duro ver um povo perder a vida assim, em meio a tanta desgraça.
Também fico sentido com a morte de pessoas como Zilda Arns, afinal ela, como tantos outros, muito contribuiu para o combate às desigualdades sociais.

Tomo a liberdade de divulgar aqui em meu blog o texto escrito por um camarada de militância, Edú, e publicado em seu blog, pois como ele penso que estas tragédias não podem nos fazer esquecer, se é que lembramos, de todas as injustiças (muitas que acontecem sem que sejamos informados pela mídia) que nos assolam há décadas e nos negam a emancipação e a igualdade de condições de vida, e isso sem prazo de encerramento.

SEGUE O TEXTO

DESGRAÇAS NATURAIS E DESGRAÇAS NATURALIZADAS

Triste a situação do Haiti. País extremamente pobre, espoliado de sua dignidade material pelas nações do norte, como vários outros, recebe agora mais um desastre natural para contabilizar em suas desgraçadas vivências. Mas não vamos esquecer de outros mortos, de outros sujeitos violentados diariamente. Que uma desgraça não sirva para a mídia sobrepor a outra, visando esquecimento.

Lembremos:

Das agressões ao povo palestino;
Da violência policial nas periferias do Brasil;
Dos desabamentos;
Da perseguição sofrida pelos trabalhadores sem terra pelos latifundiários;
Da fome que aumenta no mesmo ritmo em que aumenta a acumulação de capital;
Do imperialismo estadunidense que leva sua máquina de morte milionária aos mais distantes cantos do mundo;
Dos torturados no regime militar;
Dos torturados hoje pela polícia; Do racismo;
Da profunda ignorância a que o povo se encontra lançado;
Do descaso político em relação a Educação pública;
Do modelo econômico que privilegia o capital especulativo e lança o povo na pobreza;
A corrupção deslavada dos mesmos grupos políticos de sempre;
Do meio ambiente destroçado pela consumo exacerbado dos países ricos;
Do golpe em Honduras;
Dos mortos no Carandiru;
Da política nefasta do PSDB.

Lembremos de tudo. De todas as guerras, de todas as mortes, de todas as fomes. O que precisamos é de uma boa dose de revolta.

ENCERRO COM O VÍDEO DO YOU TUBE DE UMA MÚSICA COMPOSTA POR CAETANO VELOSO E GILBERTO DE NOME "HAITI" E QUE TEM TUDO A VER COM ESSAS REFLEXÕES.



Ah, hoje o Frei Beto publicou na Folha de São Paulo um texto em homenagem à Zilda Arns. Vale a pena ler!

É isso aí pessoal... temos um ano inteiro pela frente para construímos uma série de coisas legais e estarmos na luta contra o sistema.

Espero vocês lá no blog, no Espaço Cultural Carlos Marighella e aqui!

Abraços.

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Encontro(le)

Voltando à ativa, não trouxe mensagem de ano novo, trouxe um texto que escrevi no meu blog e que gostei muito.
Não é um texto tão agressivo quanto eu costumo escrever, lembra muito mais o meu novo estilo de revolução filosófica (hehe) do que os textos incisivos que já escrevi por aqui.
Aqui vai:

Encontro(le)

Quem é você afinal?
A que passos você segue? A quantos passos você anda?
Quem é que controla tudo isso a que chamamos VIDA?
Há por acaso um senhor de todas as coisas controlando todos os atos e conseqüências com linhas de marionete super obedientes?

A realidade assustadora de que não há ninguém no controle, o absoluto é apenas uma energia que nos mantém vivos e nada mais.
Não há um intelecto super responsável por tudo o que acontece e acontecerá na vida.
Há uma única realidade que é: É você por você mesmo e tem que assumir o controle.

O que é o teu sagrado e de onde você tira tais valores morais, éticos, estéticos, étnicos, técnicos?
Há uma alma em mim que não condiz com a andança universal pra um único caminho controlado pelo descontrole da própria humanidade. Há na cria um leve traçado de um criador desconhecido que ninguém nem sabe ao certo se do bem ou do mal.
E se desconhecido tal criador é, que razão nos sobra pra crer que esse é quem deve controlar as conseqüências e as antisequências de nossa tão breve existência?

É preciso ter um pulso um pouco mais firme quando se trata de nós mesmos, abandonarmo-nos ao acaso e esperarmos que uma força superior e desconhecida providencie as delícias, as belezas, os sonhos, as conquistas distantes é no mínimo um desperdício tamanho do poder gigantesco que tem a fagulha que nos dá VIDA.

É preciso um tanto quanto mais de amor e também de ódio. É preciso um tanto quanto mais de alegria e um leve toque de tristeza. É preciso antes de mais nada a possibilidade de amar, de odiar, de se sentir alegre e triste. É preciso acima de tudo saber sentir e querer sentir a doçura que tem cada uma das sensações por mais opostas que sejam, é preciso estar aberto à tais êxtases nunca antes experimentados em estado pleno, é preciso acima de tudo amor, amor ao ódio, amor à alegria, amor à tristeza, amor à curta chance de amar.

Tomar o controle pra poder amar, amar pra poder estar no controle.

euber.ferrari@hotmail.com

twitter: @EuberFerrari

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

midinvasora

A literatura marginal tá aí faz tempo! Os movimentos de arte na periferia também (se bem que quase sem engajamento algum mas tão aí!)

Muitas lutas, e os poetas, escritores, músicos, graffiteiros penaram e muitos ainda penam!
O Racionais Mc's desde 1988.
Acontece que ultimamente a mídia resolveu falar disso também. O jornal "Agora" divulgou um roteiro dos principais lugares onde assistir um "sarau de periferia".
O Mano Brown, piloto do Racionais Mc's saiu na capa da revista Rolling Sotnes.
O que é que está acontecendo? A mídia cansou de fabricar talentos furados e resolveu atacar os lapidados a mãos artísticas e transformá-los também em mercadoria? Ou esse é o resultado de tantos anos de persistência atrás de voz por parte dos artistas renegados das periferias e bairros esquecidos?
Na verdade eu ainda nem digeri isso pra formar opinião, ultimamente meu processo de absorção de certas questões tem demorado bem mais! O que eu queria era saber o que os leitores desse blog pensam disso. Será que sou só eu que admiro uma certa reclusão artística?
Tudo bem em querer voz, mas por exemplo você daria entrevista à revista contigo?
É só um questionamento em breve volto com um texto bem elaborado sobre o que acho disso, mas antes queria que os leitores me ajudassem a digerir! Dêem sua opiniões!
Abraços

Twitter: EuberFerrari
euber.ferrari@hotmail.com

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Independência

Ontem era meu dia de postar, eu estava num correria lascada, trabalhei de dia, fui à um evento do teatro e não deu tempo de passar por aqui, resolvi postar hoje, decidido sobre o tema,mas nem sei como escrever (haha).
Vamos lá.
A grande mídia está sempre querendo criar novos artistas,novos talentos fabricados, e muitas vezes com muitos defeitos de fabricação, isso quando não são produtos extremamente supérfluos. É nessa que um bando de gente se enfia num estúdio-casa, num sitiozinho, numa mansão esquisita e sai de lá transformado em artista, como num processo de metamorfose. Aqui fora são só lagartas, se enclausuram num casulo e saem de lá artistas já achando que são o momento, que são notícia, que podem formar opinião, participar de debates que acham úteis e até mesmo fazer arte. Mas não trazem nada de nada, no verdadeiro processo de metamorfose deles tudo o que podia haver ali não há, eles são apenas as cascas dos próprios casulos e o que podia haver de conteúdo virou borboleta e foi embora.
Aí é que vem o Artista, o artista que caminha com as próprias pernas, esse artista (de verdade) é diferente, dentro dele deve vir junto o debate, a militância. Nós não devemos ser só artistas, devemos ser militantes da arte. Nós devemos ter essa consciência, ainda por que o artista já não é mais tão sinônimo de boa coisa hoje em dia, está virando comércio, e até atriz(ator) pornô é artista, agora respondam pra si próprios: "Que arte pode existir em fazer sexo na frente das câmeras?" Tem gente que vai argumentar, que há trabalho de fotografia, de escolha de ângulos pra ficar perfeito, tem até entrevista de uma certa falecida em que ela dizia que houve um trabalho pesado de interpretação, que até ensinou algumas coisas de interpretação pro elenco do filme pornô que fez, e que no caso dela tinha enredo, que as cenas de sexo tinham razão pra acontecer, mas não. Não era um filme com enredo que tinha cenas de sexo, era um filme de sexo que tinha traços de enredo. Que arte há nisso? É comércio, quem paga aparece, quem não paga faz pornô pra aparecer, e quem ama a arte e sonha com o novo faz arte de verdade, milita por ela e conquista o povo apenas com a simplicidade de ser da arte.
Esse é o caminho da independência, é importante trazer esse debate pra superfície, não deixar escondido nas salas de reunião onde as pessoas que estão presentes já sabem de tudo isso. Eu passo na banca vejo a “Caros Amigos” a “Fórum” e compro por que já sei o que encontrar, já sei que tipo de coisa vou ler e na maioria das vezes concordo com o que leio, mas não é pra mim nem pras pessoas que já têm essa consciência que esse tipo de debate tem que ser direcionado, ele deve ser levado a um ponto onde os leigos estejam presentes, se não vira troca de figurinhas, vira papo cabeça na sala. É aí que entra a militância, sair do banco e partir pra ação, seja num conflito verbal na rua, na sala de aula, no ônibus ou seja numa invasão de espaço, o debate e a consciência militante deve ser levado onde ele ainda não chegou, daí então estará se partindo pra uma construção nova de sociedade, caso contrário é em vão!
O mecanismo para a liberdade artística está nas mãos, Nunca se teve tanta liberdade! O segredo é não parar de produzir!

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

EDUCAÇÃO E MILITÂNCIA

Hoje acordei com espírito de Gramsci, Emília Ferreiro, Freinet, Paulo Freire.
Vi hoje, e todos os dias, de tempos para cá, que o sonho de se construir um mundo com uma grande educação é possível.
Talvez hoje muita gente me diga que sou louco por querer ser professor, ainda mais de português, dizem frases do tipo "faça uma coisa que dá dinheiro", "faça medicina ou direito", gente vil e suja essa, o que os olhos olham é somente a cobiça, o auto-engrandecer do próprio ego, permitam-me a redundância, olham somente para seus bolsos, e querem que sejamos iguais. Mas eu acredito, e talvez eu seja sonhador demais, acredito na educação, que podemos fazer uma educação diferente, não uma que passe no vestibular, mas uma que construa o cidadão, que luta, que sonha, que não vive preso ao sistema, mas se rebela contra ele, acredito da educação como militância, assim como Marcos Bagno.
É preciso que se dê mais valor ao professor e ao ensino, se isso um dia acabar, não existirá mais médico, pois, o médico passa por nossas mãos antes de tornar-se médico, nem haverá mais advogados, pois, eles antes precisam aprender com esse ser desprezado que tem em seu poder lousa e giz.
REBELIARTE, que acredita na ousadia, acredita também que se pode fazer um mundo melhor através da educação, pois, educar já é ousar.
Não sei se pude exprimir com essas poucas e rudes palavras meu sonho e minha luta. Mas digo que essa é minha estrada, rumo a fazer crescer novas pessoas que rumem nessa rota e que lutem, e que sonhem, e que não acreditem nisso que anda errado, mas possam gritar o ideal de um novo amanhã.

Um abraço a todos, e vamos sempre, através de nossos ideais, ousar!!!! (Samuel Macário sam.macario@gmail.com)

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domingo, 29 de novembro de 2009

Ninguém controla nossa história

Tudo na calma, tudo sob controle. Tudo muito sob controle.
Pra que gritar, dessa vez vai ser sem berro, o grito vem na escrita e a bandeira vai na capa. Já era, ninguém controla mais nossa história nego.
A gente já começou a selecionar os textos que vão pra nossa primeira coletânea, o Fábio levou textos animais, o Anderson prometeu mandar mais textos iguais ao primeiro cheios de indignação, o Samuca confirmou a presença dos seus textos revoltados já conhecidos, o Edu reafirmou sua existência como poeta da revolução e eu também não fiquei de fora, vou colocar um conto e um poema meus.
Agora é lamentável doutor, tem mais gente do que vocês imaginam produzindo o que vocês controlaram durante tanto tempo.
Esses dias eu tava trocando idéia com um ator parceiro meu sobre essa situação de classes, de quem domina quem e quando isso vai acabar. Começamos falando de um pessoal que não tem essa dimensão de pensamento, de mudança social, de alienação através de pseudo-arte a etc.. Falando disso, falando daquilo a gente lembrou de uma treta que eu tive na sala de aula esses dias. Eu estudo teatro e tava no meio de uma aula de projeto e captação de recursos, a professora tava falando que não tem por que ter patrocínio se nãofor pra baratear o espetáculo e fazer arte popular, pra todo mundo, uma mina pegou e falou “é mas tem que ver até que preço vai ficar barato também né professora, por que se eu faço uma peça a dez reais que tipo de gente que vai? por que tem gente que assim (pensou pra falar, achou que não tinha perigo) você sabe né professora, vai uns pobres, vai só pra dar risada , gritar, tossir, aí é complicado né… Antes dela terminar eu interferi “Você ta falando então que só pobre é mal educado? Os burguês do seu condomínio não falam palavrão não? Eu sou morador de favela, tenho orgulho de ser e tô aqui. Pobre é sem educação? Pobre é sem educação mesmo, mas sabe por que? por que a gente não tem a educação que vocês negaram pra gente, vocês burgueses fizeram os pobres sem educação. Você não quer baratear espetáculo não é por causa da bagunça não, é por que vocês querem que os pobres não tenham cultura, por que o dia que nós tivermos cultura a gente vai mandar em vocês!” Ela ficou quieta, um pessoal falou pra eu deixar pra lá que não valia a pena, pra eu não falar mais e a aula continuou. Quando o meu amigo lembrou desse dia a gente começou a falar da revolução através da arte. Ele falou que a gente tinha que brigar por isso, pra arte ficar na mão de todo mundo. Aí eu falei que essa ordem social já tava no fim, a periferia ta acordando faz tempo e a ira dela ta pra explodir, por isso a gente tem que disseminar a arte por lá, por que se esse ódio não explodir artisticamente vai ser complicado. Mas a periferia ta mais lotada de arte que o mundo pode imaginar, tem vários poetas, atores, contistas, desenhistas, fotógrafos dentro das favelas, cheios de ideais e convicção de mudança, as coisas vão mudar e não demora.
O monstro cresceu, agora já era ninguém controla nossa história, a gente vai falar o que quiser e eles vão ouvir. Dessa vez vai ser sem berro, o grito vai estar na escrita e a bandeira vem na capa!

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

20 de Novembro

Mil anos que eu não apareço por aqui, to ligado que hoje nem era meu dia de escrever mas ta firmão eu escrevo hoje e amanhã também pra recuperar o tempo que eu perdi por causa do apagão que apagou meu pc, e das mil ocupações que eu tenho agora. Vishe, meu pc zuou mano, perdi vários baratos, até uns tecos do meu livro foram pro saco, vou ter que escrever tudo de novo, mas ta firmão, ta firmão o Estado já me lesou várias vezes uma a mais a gente suporta até chegar a nossa hora, eu escrevo de novo e salvo em algum lugar pra não perder de novo, se fosse na época que eu tava escrevendo no caderno nem tinha acontecido isso aí.

Mas nem foi disso que eu vim falar, eu vim falar do meu dia 20 de novembro mesmo. Hoje eu trampei só das 9:00 às 20:00h. pouco né?
Feriadão, rolou vários shows de Rap em São Paulo eu tava até afim de colar em uns, mas nem virou.
Dia da consciência negra nem pude ta presente nos atos a pans da um apoio, um salve pros mano.
Cheguei em casa e meti um rap no som pra simular os dos shows que eu perdi e to aqui sentadão na frente do pc dando um enrolada até achar um jeito de escrever o dia como que foi.
Mano é complicado falar de preto ou branco, sem parecer plagiador, cheio de demagogia ou falsa consciência, mas vamo lá que o barato é o seguinte a reflexão do dia vinte vem do dia anterior.
Ontem eu vi um mano, mil anos que eu não trombava, colava pouco com ele mas a gente tinha uma amizade forte, era um mano admirável, estudava pra caralho, dava um trampo pra ajudar a mãe, tinha futuro o moleque. Colou em mim me pedindo uma moeda, "Qualquer coisa serve, só pra eu interar o busão e voltar pra casa!" Ele não me reconheceu, mas eu me liguei ele mora a uns dois quarteirões dali "Tem não irmão, to quebrado". Mal vestido, o chinelo saindo do pé, no friozão da madrugada de bermuda e camiseta. É mais um negro que o sistema apagou a consciência, o mano que era uma ameaça pro sistema pela capacidade que tinha, agora transita por aí pedindo uma moeda, um qualquer, pra cheirar um pino, queimar uma pedra sei lá, de repente se não arrumar nada na crise pode até matar alguém em troca de uns minutos de viagem.
É o barato é louco fiquei com essa cena na mente, vishe o mano até curtia uma poesia, várias vezes veio em casa pedir livro emprestado pra fazer trabalho de escola e ontem o que ele me pediu nem tem nada a ver com isso.
Firmeza pra fazer um H os caras correram lá e transformaram o dia da consciência negra em feriado, mas e aí?
Os pobres tão aí largado no mundão se nós não fizermos por nós ninguém faz.
Essa é a real ninguém faz nem vai fazer, ninguém quer fazer nada.
O mundão é assim durão e frio de jeito que é, mais um parceiro que eu perdi pras drogas, mais um pobre que entra para as estatísticas que ninguém faz nada pra mudar.
Eu vim só pra relatar e por um carrapato atrás da orelha do leitor.
E pra deixar um salve pra massa negra do meu país e do meu planeta, pra todos que têm a coragem de dizer, pra todos aqueles que fazem desse feriado uma oportunidade de revirar essa lógica do sistema corrosivo que mastiga a liberdade e a soberania da nossa gente, do nosso povo, um salve pro povo da favela, Marabá vai ta no coração pra sempre, a favela fez eu ser quem eu sou. Um salve pros negros que cresceram comigo e me fizeram não ser só mais um branquinho filho da puta, de nariz e topete empinado: Cipó, Cássia, Rubão, Negão, Márcio, André, Jhonny, Marta, Bebê, Enrique (Preto), Dô, Sangue, Acum, Michel, Deyse, Jhully, Gabriela, Paca, Banha, Tripão, Huoslon, Ana, Cidinha (In Memorian), Jeremias (O Gê), Pedrão (In Memorian), Miriam, Moisés, Matheus, Josi, Tio Basto (In Memorian), Ricardinho, Abel, Keilinha, Ana Cláudia, Miriam (prima), Maicon e vários outros que talvez eu não tenha citado mas não foram esquecidos, Feliz final de dia da consciência de vocês, vocês mais do que eu sabem o que é ser preto e favelado por aqui, valeu por tudo que a gente compartilhou e compartilha até hoje.
Salve!

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Criadouro de analfabetos, onde está o compromisso com a educação e a cultura?

A educação não é levada a sério nesse país. O importante é ter prédios públicos erguidos e enchê-los de filhos de pobres, alimentá-los e dar leite, uniforme e sapato. Isso tudo é para os pais nem pensarem em reclamar da qualidade de ensino que é dado aos seus filhos, que vão aprender o minímo para trabalhar numa loja de calçados e ser explorado até o fim de suas vidas. Esse caminho foi escolhido a dedo pelo capitalismo e pelo governo, por que senão quem vai manter essa máquina de fazer ouro? quem vai assentar bloco por um custo mais baixo? O mais triste é que temos uma universidade pública em que 90% dos que conseguem entrar são filhos de ricos que estudaram em escola particular, tiveram um ensino de primeira e vão passar em primeiro lugar em medicina, direito e assim vai... mais para consolar os pobres o governo financia as milhares de faculdades, dos mais diversos nomes. Parece até igreja evangélica que tem aos montes, onde ele pode pagar a metade ou conseguir financiamento no banco para conseguir ter o ensino superior da pior qualidade, que é o que lhe foi deixado como opção. Ou então ficar sábado e domingo dentro de uma escola no projeto escola da família. Será que só eu não me conformo com isso? As coisas são muito bem feitas pra que as pessoas não percebam que estão sendo enganadas. Temos o ENEM, o prouni, os financiamentos, para que o pobre não possa reclamar, dizer que ele tem muito mais oportunidades do que o rico. Se isso fosse verdade não precisava dessa parafernalha toda. Não concorde... não se conforme tão rápido com o que te dão, não. Tem um ditado que talvez case com isso.. " quando a esmola é muita, o santo desconfia! " pois é...

Tive uma experiência esse mês quando fui à reunião na escola da minha filha, onde me foi pedido para preencher a ficha do Saresp. É uma prova onde o governo precisa ter a certeza de que a família e o aluno estão satisfeitos com o programa escolar, e diz a lenda, com " o desempenho do aluno ". O incrível é que tem uma parte da prova que o aluno teria que responder, pois está escrito, "RESPOSTA DO ALUNO", mais foi pedido pela professora que os pais respondessem por ele. Claro, por que eles já sabem que a criança não sabe ler e quanto mais escrever. Uma mãe ficou muito revoltada e disse que não ia responder porque o filho teria que estar ali. Como ela poderia respoder por ele? A professora desaprovou o comportamento da mãe, mais ela bateu o pé e disse: "Não, respondo amanhã. Meu filho vem comigo e ele responde!" Na sala da minha filha a metade não sabe ler. E o que eu acho mais absurdo é que esses professores que dão aula na escola pública, também dão aula na particular, onde todos sabem ler e são adiantados. A minha filha faz aula de reforço fora da escola porque senão também não saberia ler. Ela lê livros pra idade dela, porque é incentivada por nós, os país. Se dependesse do governo, os livros continuariam nas bibliotecas e nas livrarias. O incentivo é zero, na escola da minha filha a maioria dos pais também não sabem ler... Esse é o futuro do pais, é a nossa realidade e enquanto isso os filhos dos ricos estão se formando e vão se tornar empresários, patrões e vão continuar explorando os pobres e analfabetos.


Poema de vida



Com os olhos sempre baixos
e sem saber onde me encaixo
encontrei-me lá embaixo
e no fundo me alojei
**
No poço da solidão
só encontrei a ilusão
de uma vida sem visão,
então me afastei
**
Foi aí que alguém me disse
ainda na minha meninice
uma coisa que gostei
Fui embora esperançosa
e não mais me afundei.


(Jô)jokw@estadao.com.br

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sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween

Dia 31 de agosto, fui na casa do Edu discutir umas idéias que estavam me fritando a mente.

Falamos bastante, assistimos o documentário do Ferréz, que por sinal é do caralho. Tragetória fodida de um cara que nasceu na favela que nem a gente, viveu os mesmos dilemas da favela que a gente e hoje é escritor reconhecido no mundo inteiro e até a burguesia fedorenta teve que admitir que o cara é foda!
Depois que assistimos ao documentário fomos tomar um café, entre uns pedaços do bolo "experimental" da Jô e umas e outras palavras sobre literatura e arte fomos interrompidos pelo toque da campainha... O Edu atendeu e um grupo de criancinhas soltou: "Doçura ou travessura?"
E ele respondeu rapidão: Tem não véi!
Uns quinze minutos depois a mesma cena e se repetiu mais umas duas vezes.
Nas fantasias não tinha nenhum curupira, saci pererê... era o "pânico".
Aí o tema das conversas já passou a ser a brincadeirinha nada brasileira da molecada.
Puta colonização ianque, e o pior tudo molecada pobre, se fosse filho de rico ainda entendia, mas eram filhos de pobre, pobre metido a rico, mas pobre.
É de foder.
Sem contar o teor da frase: "Doçura ou travessura". Como que as crianças dos EUA são educadas mano? "Doçura ou travessura", é bem o estilo de negociação norte americano mesmo: "Ou você me dá o que eu quero ou então cê ta fodido, vou zuar sua casa." E agora depois de tantos anos tentando já estão conseguindo enfiar essa brincadeira na mente das nossas crianças.
O povo brasileiro que sempre teve seu estilo humildão de ser agora ta entrando nessas, de doçura ou travessura, de chantagem desigual.
Mas tudo isso tem um outro lado, se é pra brincar de doçura ou travessura a gente tinha que ir brincar lá no quintal dos magnatas e falar: "Aê é doçura ou travessura, cê que escolhe".
É o que a gente quer ou então o chicote vai estralar!
Aí sim a brincadeira ia ficar interessante.

(Euber Ferrari)


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sábado, 24 de outubro de 2009

Nada Comercial

Dia dez rola uma conversa sobre mercantilização da cultura e depois de tanta pensar em "sobre o que postar" resolvi arriscar clarear um pouco o tema só pra tentar fundamentar a discussão já que provavelmente não poderei estar presente.

Uma das minhas vertentes de fortes de debate é a indústria cultural, que é tema fundamental pra discussão do mercantilismo cultural.
A indústria cultural não é coisa do nosso tempo. Há séculos as instituições de poder já têm o costume de patrocinar certas "manifestações culturais" afim de inibir outras que não lhes interesse ou que lhes ofereça perigo. Assim foi com o simbolismo afim de inibir a ascensão do realismo e assim é com o funk carioca por exemplo afim de dissolver tantas outras manifestações musicais questionadoras, principalmente as de periferia.
Após essa introdução vamos a discussão de tal indústria
Neste campo há uma grande posição a ser destacada. Não chega a constituir-se em uma corrente propriamente dita, embora esteja constantemente fornecendo elementos para a análise da industria cultural.
esta posição é a que deriva de uma das lições fundamentais de Karl Marx: todo produto traz em si os vestígios, as marcas do sistema produtor que o fabricou. Estes traços estão no produto, mas geralmente permanecem "invisíveis". Tornam-se visíveis quando o produto é submetido a uma certa análise, a que parte do conceito segundo o qual a natureza de um produto somente é compreensível quando relacionada com as regras sociais que deram origem a esse produto.
A partir desse ponto de vista, e considerando primeiro, que a indústria cultural tem seu berço propriamente dito apenas a partir do século XIX, de capitalismo dito liberal, e, segundo, quea indústria cultural atinge seu grande momento com o capitalismo de organização ou monopolista (gerador da sociedade de consumo), ficaria claro que a indústria cultural e todos os seus veículos, independentemente do conteúdo das mensagens divulgadas , trazem em si, gravados a fogo, todos os traços dessa ideologia, da ideologia do capitalismo. E, neste caso, também trariam em si tudo aquilo que caracteriza esse sistema, particularmente os traços da reificação e da alienação.
Isto significa que, se levarmos esta análise às ultimas consequências, façam o que fizerem, os veículos dessa indústria cultural só podem produzir alienação. Mesmo que o conteúdo de suas mensagens possa ser considerado como libertário. É que a força da estrutura natural, das condições originais da criação da indústri cultural é mais forte que a força das mensagens que seus veículos possam transmitir, e que se vêem anuladas ou extremamente diminuídas pelo poder da estrutura. Se preferir: A natureza da industria cultural, considerando o sistema que a gerou, aparece como dominante ou como resultante de um sistema de forças.
Nesse sistema podem estar presentes forças contrárias à caracterizadora da natureza do veículo da indústria cultural, mas estas acabam ficando em segundo lugar.O enfoque desta análise é simples e ao mesmo tempo rígido: se o sistema onde surge um determinado produto aparece baseado na alienação, esse produto só pode apresentar essa mesma característica. E não seria pensável a hipótese de uma outra utilização desses veículos no caso de uma mudança de sistema social. Passando-se por exemplo de uma sociedade capitalista para outra socialista, os meios de comunicação anteriormente existentes não poderiam ser postos a serviço da nova ideologia, uma vez que estariam impregnados da ideologia que os gerou e a insistência no uso desses meios poderia (ou com certeza faria) até mesmo colaborar para um movimento de retrocesso na direção do sistema que se desejou superar.
Apesar de radical, esta análise não está pautada exatamente em bases equivocadas, encaixada como está no quadro maior relativo à produção da ideologia, à sua infiltração profunda em todos os setores da vida por ela coberta e aos modos pelos quais pode ser combatida. O problema é que, nesse caso, o único modo de eliminar uma certa ideologia e seus efeitos, seria a destruição de tudo aquilo que estivesse afetado por ela, solução bem pouco prática e, mais ainda, pouco viável. Parece imperioso admitir a hipótese de um gradualismo nessa passagem de uma para outra ideologia. Caso contrário, se chegaria a conclusão de que, por exemplo, o meio por ecxelência de comunicação de massa, a 'TV', não poderia de jeito nenhum ser utilizada revolucionáriamente (quando digo TV, não me refiro ao objeto televisor, mas sim ao produto cultural TV já que não importa que se muda a mensagem de tal produto, se este continuar sendo feito pelas mesmas máquinas nada mudará). Fica claro q nenhuma sociedade existente , e que queira dar início a um processo de grandes e profundas alterações sociais, pode se dar o luxo de dispensar um meio como a TV e os produtos culturais por ela gerados. De todo modo, não podemos esquecer que , de fato, todo produto traz em si os germes do sistema que o gerou; dimiunuir pode gerar graves danos para uma sociedade em processo de transformação.
Eu queria aqui demonstrar que grande parte (senão todos) de conceitos e práticas ideológicas de uma sociedade e compactada e embutida em todos os produtos dessa sociedade. Uma ideologia cujos traços são, entre outros o paternalismo, a necessidade de tornar passivos todos os sujeitos, a transformação em coisa (reificação) de tudo o que possa existir (inclusive o homem) - Traços esses presentes no capitalismo de organização- estaria assim presente num produto como a TV, como de fato está. Efetivamente todos aqueles traços são, simultâneamente, traços caracterizadores desse ramo da indústria cultural que é a TV. Esquecer isso, e tentar manipular a TV como se bastasse alterar seu conteúdo, pode dar origem a entidades isoladas, impermeáveis ou híbridas, como por exemplo um "socialismo" baseado no autoritarismo, no paternalismo, na passividade dos que se poem de baixo de suas asas, isto é, um socialismo baseado na alienação. O que já é uma realidade.
Disso vem o príncipio de mercantilização da cultura. O que é e o que não é comercial? Sendo interesse inibir questionamentos apenas cultura massificadora é comercial. De resto tudo o que for questionador é mais caro de produzir e só serve a partir do momento que pode ser transformado em moeda de troca.
É isso aí, fica aí essa breve contribuição.
Um salve pro pessoal do espaço.
E quero deixar registrado que o encontro de hoje foi responsa, contamos com a presença de Mário Barba falando de suas amargas experiências no período da ditadura militar.
Responsa mesmo, que foi sabe do que eu estou falando.
Abraços vou nessa!

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