Mostrando postagens com marcador crítica literária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crítica literária. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sophia de Mello Breyner Andressen


CHE GUEVARA

Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"


Sophia de Mello Breyner Andresen é uma poetisa e contista portuguesa, uma das mais importantes da história da língua portuguesa, e uma das mais importantes vozes femininas da poesia. Foi a primeira mulher a receber o prêmio Camões.

Vale a pena conferir sua grande obra indico aqui os "POEMAS ESCOLHIDOS" que conta com uma organização de poemas da autora feita por Vilma Arêas que é professora da Universidade Estadual de Campinas e autora.

Leia Mais

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Leia as obras de Gabriel Garcia Marquez

"Amor nos tempos do Cólera", do escritor latino americano Gabriel Garcia Marques foi o livro mais lindo que já li, não conseguia parar, devorei cada pagina... foi uma leitura muito boa, é um livro que recomendo muito, aliás não só ele mais também "Do amor e outros demonios" é muito bom... se eu for começar, vou recomendar todos dele... Agora estou lendo "A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile". O que eu gosto nos livros de Gabriel G.M. é que você viaja junto com o personagem, é como se você estivesse lá também; os detalhes, cada detalhe é descrito e isso faz com que você imagine, como estivesse vendo tudo, inexplicavel!

Hoje deixo essa dica : apreciem a leitura.

Leia Mais

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ferréz- Ninguém é inocente em São Paulo


Ninguém é inocente em São Paulo.

Ferréz é um escritor que eu admiro. Não apenas pela luta que realiza ao lado dos oprimidos, mas também pela qualidade de seus escritos. Apesar de se apresentar como romancista, autor dos ótimos “Capão Pecado” e "Manual Prático do Ódio”, tem demonstrado grande talento para narrativas curtas, divulgadas em diversos meios de mídia, dos quais, o que vale citação, Caros Amigos. Esse livro peguei emprestado na biblioteca da FFLCH/USP, o que pode ter um significado positivo: Ferréz já está catalogado nos acervos da conservadora Univesidade de São Paulo, a elite ta lendo e estudando escritores da periferia.

Em Ninguém é inocente em São Paulo a periferia de São Paulo é apresentada nua e crua. No entanto isso não retira o bom humor de várias situações, como no conto “No Vaga”, em que dois trabalhadores desempregados dialogam sobre as enganações sofridas na tentativa de conseguir um emprego, batendo sempre nas vagas de vendas de seguro, planos dentários e outras robalheiras que se apresentam como esperança aos desesperados inocentes. Em “Buba e o muro social” a vida de um cão burguês é transformada quando seu dono, viciado em cocaína o utiliza para pagar dívida com o tráfico. Pela visão do narrador/cachorro temos um retrato da periferia, comparada com a vida sem sentido, do ser enjaulado no apartamento, sem perspectivas, amigos ou liberdade.

O que se sobressai do livro não é a violência, mas a crítica social, com um peso muito grande na esperança e no humanismo. Livro altamente recomendado, para qualquer situação e qualquer leitor.

Boa fonte de referência para a galera que procura algo sobre a verdadeira Literatura Marginal.

Fica a dica, do seu crítico literário da quebrada, para o Rebeliarte.

Edu

edukaw@hotmail.com

twitter.com/edukaw

Leia Mais

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma nova voz da periferia - Andressa dos Santos

Poucos são os que ousam falar alto. Poucos são os que têm olhos e coragem para enxergar a realidade em que vivem. Eu vou apresentar a vocês alguém que desafiou o silêncio e, por meio da poesia, vem falando da vida, da existência e da exclusão social.

Essa jovem poeta mora na Cidade Líder e vem produzindo bons textos já há algum tempo. Apreciadora de Literatura Marginal, lê Ferréz, Sacolinha, Akins, fora outros escritores, conhecidos do grande público ou não. É uma das lideranças de um movimento literário escolar e pela forma como vem produzindo, merece um lugar entre os "rebelados da arte". Bem vinda ao Rebeliarte.

A voz da periferia clama por mudança

A vida me pregou
mais um dessa, por essa
não pude esperar.
Tudo que sonhei desmoronou.

Há anos que vivo em cavernas
e ninguém nunca notou.
Sorriso que vem com a dor.
Desespero, choro, lágrima e emoção
que dominava a todos da comunidade.
Escutar gritos de socorro é comum;
não sei se dá pra confiar em minha própria sombra.

Queria poder acreditar em papai noel,
duendes e fada madrinha.
A única pessoa em quem eu acredito
e que não é capaz de me trair é Deus,
pois nele acredito.

Pessoas que moram em Copacabana, Morumbi
acham que o mendigo, o pobre que mora em uma favela
não seria capaz de morar onde eles estão.
Pois fiquem sabendo vocês que nos somos pobres
mas ricos de coração e alma.
Pois o que vocês pensam ou deixam de pensar,
só Deus, naquele grande dia, irá julgar.

Se inveja matasse, quantas
pessoas iriam morrer de desgosto.
Novamente a voz da periferia clama mudança.
Mudança para melhorar não só de vida,
mas de lugar.

Acho que faltam várias coisas neste mundo:
a esperança de renascer de novo.
Vivo em conflito com o tempo
porque perdi horas e horas
tentando achar a solução para mudar o mundo.
Até que ponto isso vai chegar?

O maconheiro, com sua maconha
pede ajuda para sobreviver.
Os moradores em desespero, ajudam.
Na periferia é um ajudando o outro.

Prefeitos, polícia. Eles não são mestres.
Onde eles estão nesta hora em que a periferia clama mudança?
Acho que nem tudo que brilha é ouro,
pois é a vida de todos que está em jogo.

Joia rara, isto que nós somos.
Dinheiro, inveja, pobreza, morte, arrepio na alma.

Todos que estão nesta vida vão triunfar
apenas coloque sua fé
em prática.

Andressa dos Santos

(Andressa tem 13 anos, estuda na rede municipal e é poeta)

(Edu)

Leia Mais

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Eis que surge um novo poeta!!!


Hoje vou postar o primeiro poema do Anderson, ele está conosco desde o ínicio, sempre quietinho mais vem participando muito e isso nos deixa muito feliz porque é bom ver os frutos desses encontros de Arte e literatura e o Anderson é um deles e nos trouxe a alegria de seu poema que foi escrito por ele.





QUE DISFARCE!




Um ser sem alma que só trabalha
Que a história apaga
os erros cometidos contra ele
Um túnel tido como sem luz


Agora encontra a sua luz,
através da arte ele mostra
seu verdadeiro disfarce
e desmente todo este disfarce.



(Autor: Anderson( Angels♫♪) )



Continue escrevendo Anderson, pois você está no caminho certo,espero que de onde veio este venham muitos outros e logo estarão na nossa coletânea.

(JÔ)

Leia Mais

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

II Mostra Cultural da Cooperifa - Literatura


Nossa, que rolê!!!

Mas valeu a pena, o que eu assisti ontem foi algo histórico que até agora não consegui assimilar com precisão. Então vamos pelo começo.

Ontem rolaram dois debates dentro da programação da Mostra. O primeiro foi sobre Engajamento e Revolta, com Rodrigo Ciríaco, Michel da Silva, Márcio Batista e Elisandra Souza.

Os debatedores falaram sobre as motivações que os levaram a escrever, as dificuldades, as perseguições e os sonhos. A galera vinculou literatura à política, fato importante, pois toda literatura se vincula a uma interpretação da sociedade, que não é neutra. Eu soltei um pergunta para a mesa sobre o dimensão desse engajamento, sobre a utopia, (que não é um sonho, como alguns entenderam, mas um projeto futuro), e sobre a superação do capitalismo, algo em que eu acredito. As respostas variaram, mas o Márcio Batista acertou em cheio. Literatura é militância, é uma forma de disputar a consciência, de chamar o povo à luta, e caminhar para uma transformação social plena. Fora isso, foram poemas, na voz dos próprios poetas. Indescrítivel. Depois do debate ainda bati um papo com a Elisandra, falei do nosso projeto e, claro, dei uma tietada e peguei um autógrafo do Punga.

O segundo debate foi sobre Literatura Marginal através dos tempos. Na mesa estavam Chacal, Sérgio Vaz, Heloisa Buarque e Ferréz.


A ideia da mesa foi tentar contextualizar os dois períodos, os anos 70, em que Chacal produziu sua obra, e os tempos atuais, em que Ferréz e o Cooperifa despontam como fenômenos sociais, políticos e artísticos. Falou-se sobre Rap, editoras, o Cooperifa, e a relação com o mundo acadêmico. No final fui dar uma tietada e tirei foto com o Ferrez e com o Sergio Vaz. Como minha maquina estava sem pilha, ficaram essas do meu celular xing-ling.


Ainda peguei um autógrafo do Colecionador de Pedra, do Vaz. Só não peguei do Ferréz porque minhas edições do Capão Pecado, e do Manual Prático do Ódio estão circulando pelo mundo.


Eu vivencio Literatura já há alguns anos e posso dizer com tranquilidade que esse foi um marco na história da Literatura Brasileira. Que essa imprensa burra que domina a comunicação fale as mesmas merdas de sempre, ou nem fale, a imbecilidade deles torna aquilo que é realmente significativo invisível, a essa mídia já está reservado uma lugar exclusivo na lata do lixo da história. Sou mais você, Ferréz. A gente não tem rolex, mas a gente faz a história.

E aproveite, ou aproveitemos o teor revolucionário desse movimento; nosso esforço deve ser no sentido de impedir que se torne mercadoria. E a única forma é manter viva a dimensão comunitária. Força, Sérgio Vaz, que o Cooperifa esteja em todas as quebradas, iluminando sonhos, que eles são alimentos para a transformação da sociedade.

Em relação a academia, eu tô por lá, da quebrada da Leste para a USP, levando tudo o que acontence no movimento literário marginal e periférico, goste a playboyzada ou não.

É nóis!!!

(edu - edukaw@hotmail.com)

Leia Mais

domingo, 18 de outubro de 2009

Sacolinha - 85 letras e um disparo - Inspire-se





Sacolinha é um escritor aqui da Leste. Tive o prazer de conhecê-lo em uma atividade no Ceu Lajeado, lá pelo começo do ano. Simpatia e talento, grande artista, além de atuante no cenário cultural da periferia. O cara em pessoa é foda. E a sua obra... também.

85 letras e um disparo é composto por 16 contos ambientados na periferia de São Paulo. Alguns, como é de se esperar, bastante violentos, como o "Traição na joalheria do shopping", em que um assalto se dá juntamente ao envolvimento afetivo com a dona da joalheria, onde se problematiza a ausência de horizontes na existência burguesa, tanto a vivenciada pelo assaltante, quanto a da dona da joalheria. Porém não é esta a tônica do livro. Há também sensualidade, crítica social e muito, mas muito senso de humor.

Dentre todos o que mais me agradou foi "Yakissoba". O texto é tenso, dramático e extremamente bem humorado. Trata das desventuras do autor ao tentar vender seus livros em uma noite na Paulista, em que 10 reais, contas a pagar, fome, e uma coleção infinita de negativas se entrecruzam com a vontade/desejo de comer o tal "marcarrão japonês". O melhor da narrativa fica na dimensão crítica, no olhar em relação ao universitário alienado, na dinâmica centro/periferia, o olhar preconceituoso, a polícia, transporte público, em como tudo parece ser feito para não dar certo para quem é mais pobre neste país. Aliado a isso, há uma base que pode servir para se pensar a condição do escritor independente no Brasil.

Livro de leitura rápida, simples e muito agradável. Recomendo a todos que queiram uns bons momentos de diversão e reflexão.

A periferia fala, e fala cada vez mais alto. Salve, Sacolinha.

(Edu - edukaw@hotmail.com)

Leia Mais

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sobre Literatura marginal e Literatura periférica

Hoje não era o meu dia de blogar, mas como meus posts estão atrasados, vou postar hoje mesmo!

Nos trajetos de ida e de volta entre casa e o espaço Carlos Marighella, eu e o Edu discutimos algumas coisas sobre o que é literatura marginal, qual a relação dessa literatura conosco e se de fato o que fazemos é literatura marginal. E as respostas foram: Sim e Não.
Afinal de contas o que é essa tal literatura marginal?
A literatura marginal que tem sua maior força nas letras do RAP, forte em algumas grandes metrópoles do país (principalmente em São Paulo), caracteriza-se pela seu forte teor de crítica social e reflexão sobre o viver e a realidade das periferias, o dia-a-dia do morador da periferia permeia as letras musicais e recentemente tem havido publicações de poesias e romances ( com Ferréz, Akins Kinte, Sacolinha etc.) "marginais", mas não é exatamente isso que faz uma obra literária ser propriamente marginal.
Primeiro, qual é o significado da palavra marginal?
Marginal é tudo aquilo que está à margem, às beiras. E o que dentro da literatura marginal pode ser considerado à margem de algo?
O vocabulário carregado de gírias está à margem do vocabulário das grandes publicações.
A temática: o crime, as condições de vida, o ser humano da periferia estão à margem da sociedade. À margem por que encontram-se afastados empurrados para longe, logo, para as beiradas, para longe dos grandes centros. Daí então a justificativa para o nome: Literatura marginal. Uma literatura que fala de coisas que estão à margem, com um vocabulário que está à margem do grande olho do furacão da produção literária.
Outra coisa é literatura de periferia, é possível se produzir literatura na periferia sem ser literatura marginal, o que faz a literatura ser de periferia é ela ser produzida na periferia por pessoas da periferia, falando sobre a periferia ou não. Isso é literatura periférica.
A literatura marginal é literatura periférica, mas literatura periférica nem sempre é literatura marginal.
Na realidade a idéia inicial do nosso projeto era estimular a arte de periferia e não unicamente a arte marginal.
Espero ter conseguido esclarecer as diferenças! (rs)
E viva a literatura e a arte de periferia sendo marginal ou não.
E que através de nossa arte nosso grito calado seja ouvido.

[Euber Ferrari]

Leia Mais

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Apresentando - Michel Manson - tome nota!!!


Conheci esse cara recentemente. Assim, meio que na moral, chegou aos Encontros de Arte e Literatura do Espaço Cultural Carlos Marighella. Falava pouco, mas, depois, revelou sua paixão pelas artes visuais, seu desejo de se tornar fotógrafo e, recentemente, após muita insistência, desengavetou alguns ótimos poemas.
A temática, como vocês verão, está muito marcada por um universo gótico. Algo de esotérico ronda a sua escrita, a morte, a noite e os seres invisíveis... tudo isso costurado em um formato romântico, bem ao gosto dos poetas malditos de outrora.

Espero que apreciem o teor insólito das poesias.

(Edu)



A Sepultura

se por noite cheia de assombros um bom cristão,
todo apiedado, enterra sob velhos escombros
o teu corpo tao celebrado
na hora em que as límpidas estrelas cerrarem olhos de miosotis
a aranha aqui fará as teias
e a víbora fará os filhotes
ovirás, toda a temporada,
tua fronte condenada,
livros de lobos em solidões
e os dois feiticeiros famintos,
e o dos velhos cheios de instinto
e os viu nos olhos dos ladroes.
(Michel Manson)

***

Na noite sou livre
No vazio de toda noite
Me sinto tão livre, tão liberto
Não preciso mais daquela foice
Agora estou com a mente aberta

A lua em silêncio me observa
A brisa leve toca meu rosto
Esse é o paraíso que me reserva
A parte de minha vida que tenho gosto
Não tenho medo da morte
(Michel Manson)

Leia Mais

  ©Template by Dicas Blogger