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sábado, 15 de maio de 2010

Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Creio que esse texto fala um pouco do mundo nosso. Ele foi postado no meu blog "As Lágrimas do Palhaço" e aproveito também para postá-lo aqui, já que tem tudo a ver com o que discutimos no Rebeliarte. Espero que gostem. Samuel Macário


Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Tornara-se homem com dez anos de idade. Teve de ser pai, para sustentar a mãe e os irmãos pequenos. No farol pedia entre os vidros filmados que não se abriam, o sinal ficava verde uma vez mais. Parecia ter esperança? Nem devia.
Depois fora até a igreja, mas não entrara, ficava onde Deus não existia, mãos estendidas, não clamavam, nem oravam, mas pediam, não para Deus, pois Deus estava entre nuvens filmadas e a ele não via, pedia aos homens que lhe cuspiam a cara e crucificavam-no ainda menino.
Depois de tanto pedir e não ter resolveu tomar. Tomar o que lhe pertencia e outrora lhe tomaram: a fé, o sonho, a esperança... empunhando a doze que o seguia, era Pedro que trilhava os caminhos de um destino que o aguardava. Milagres? Não realizou nenhum. Mas multiplicou os pães que faltavam na quebrada onde nasceu, não na manjedoura, mas num esgoto a céu aberto.
Os humildes o idolatravam a elite queria teu sagrado sangue.
Formou gangue depois de um tempo, escolheu doze parceiros para o crime. Até que um dia por trinta contos um traíra o entregou nas mãos da policia. Não o crucificaram. Morreu a balas, uma em cada mão, uma pra cada pé, não lhe colocaram nenhuma coroa de espinhos, ao invés disso deformaram seu rosto pra que não o reconhecessem.
Não ressurgiu ao terceiro dia, mas em cada irmão que bebeu da água do cálice que repartia, renasceu o teu espírito. Certo é que esses também morreram e morrem da mesma forma, mas virão outros. O sinal está verde. Terão eles esperanças? Nem devem.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mais uma dose de São Paulo

Hehe, cheguei hoje pra escrever de novo aqui e o blog do Rebeliarte tá de cara nova!
Um pouco colorido demais, mas tá da hora.
aqui, de novo pra contar mais uma 'aventura' em Sampa city .
Cinco e meia da tarde, final da jornada. Desde às sete e meia no trampo.
Finalmente livre. Uma caminhada até o metrô, ontem tomei chuva e cheguei em casa encharcado. Hoje, um sol de lascar, o tempo na cidade cinza é muito louco, vinte minutos de caminhada fritando debaixo do sol até o metrô.

Metrozão lotado e eu numa mistura de fome e sono enorme. Dormindo em pé, dando umas pescadas, cada vez que abro os olhos vejo várias pessoas olhando pra mim com aquela cara de quem quer perguntar: Você tá bem?
Faço um esforço pra manter os olhos abertos e não ficar passando vergonha dentro do vagão. Passam duas estações, aí o metrô enche de verdade, nem tem mais como pescar o aperto não permite.
Finalmente 'Corinthians Itaquera', desço a escada rolante e já vejo um quiosquezinho, o estômago ronca. Encosto, compro uma esfiha e um suco de abacaxi gelado. Estava no final já quando um moleque chegou perto com uma caixa cheia de amendoim pra vender.
Vai amendoim aí tio?
Não obrigado. (não gosto muito de amendoim)
Então o sr. pode me pagar um pão de queijo?
(Não pensei meia vez) Opa, pede aí mano! Quer um suco também?
Só balançou a cabeça que sim.
Paguei o suco e dez pãezinhos de queijo pro menino, ele agradeceu e falou:
vendendo amendoim por que quero comprar um tênis pra mim!
Assim mesmo, sem drama, sem demagogia, falou a real.
É isso aí mano, infelizmente é essa a realidade, tem que trampar porque o mundão aí fora tá louco. Vário moleques da sua idade, vão pro lado errado aí e você ta ligado como é que terminam.
É verdade, eu vou lá vender tio, ver se consigo alguma coisa, obrigado!
Vai lá mano, boa sorte!
Terminei de comer e fui descendo a outra escada, o moleque estava lá em baixo vendo o amendoim dele, olhou pra mim, se esforçou pra segurar tudo numa mão só e fez um sinal de jóia com a esquerda.
Perguntei: Quanto é o amendoim mano?
Cinquenta centavos.
Espera aí.
Contei o que tinha sobrado no bolso. Dois e cinquenta, dá cinco ?
É
Então me dá cinco!
Obrigado tio, valeu!
É pra te ajudar mano, pra você comprar seu tênis.
Obrigado!
Dois e cinquenta não faz nem diferença. Imagina o tanto de amendoim que ele vai ter que vender pra comprar o tênis dele.
Mas é só uma fé no moleque, se ninguém comprar ele desacredita da batalha e vai partir pro lado 'fácil', aí é que fica embaçado.
Conheço vários parceiros de esquerda que dizem sonhar com um mundo melhor e lutar por ele, mas se recusam a comprar o chocolate, a pipoca, o amendoim do moleque do farol, do estacionamento, do metrô.
Muitos alegam: É, a gente não pode colaborar com esse tipo de coisa, é trabalho infantil, é crime, a gente tem é que fazer alguma coisa pra ele não precisar trabalhar mais!
Claro que isso tem sua parcela de verdade, mas é aí que eu deixo meu recado:
Meu querido em partes você tá certo, mas até acontecer a revolução e as coisas mudarem por aqui, tem tempo o suficiente pra esse moleque virar bandido. Aí quando isso acontecer você vai fazer o que pra mudar o mundo dele?

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