domingo, 29 de novembro de 2009

Ninguém controla nossa história

Tudo na calma, tudo sob controle. Tudo muito sob controle.
Pra que gritar, dessa vez vai ser sem berro, o grito vem na escrita e a bandeira vai na capa. Já era, ninguém controla mais nossa história nego.
A gente já começou a selecionar os textos que vão pra nossa primeira coletânea, o Fábio levou textos animais, o Anderson prometeu mandar mais textos iguais ao primeiro cheios de indignação, o Samuca confirmou a presença dos seus textos revoltados já conhecidos, o Edu reafirmou sua existência como poeta da revolução e eu também não fiquei de fora, vou colocar um conto e um poema meus.
Agora é lamentável doutor, tem mais gente do que vocês imaginam produzindo o que vocês controlaram durante tanto tempo.
Esses dias eu tava trocando idéia com um ator parceiro meu sobre essa situação de classes, de quem domina quem e quando isso vai acabar. Começamos falando de um pessoal que não tem essa dimensão de pensamento, de mudança social, de alienação através de pseudo-arte a etc.. Falando disso, falando daquilo a gente lembrou de uma treta que eu tive na sala de aula esses dias. Eu estudo teatro e tava no meio de uma aula de projeto e captação de recursos, a professora tava falando que não tem por que ter patrocínio se nãofor pra baratear o espetáculo e fazer arte popular, pra todo mundo, uma mina pegou e falou “é mas tem que ver até que preço vai ficar barato também né professora, por que se eu faço uma peça a dez reais que tipo de gente que vai? por que tem gente que assim (pensou pra falar, achou que não tinha perigo) você sabe né professora, vai uns pobres, vai só pra dar risada , gritar, tossir, aí é complicado né… Antes dela terminar eu interferi “Você ta falando então que só pobre é mal educado? Os burguês do seu condomínio não falam palavrão não? Eu sou morador de favela, tenho orgulho de ser e tô aqui. Pobre é sem educação? Pobre é sem educação mesmo, mas sabe por que? por que a gente não tem a educação que vocês negaram pra gente, vocês burgueses fizeram os pobres sem educação. Você não quer baratear espetáculo não é por causa da bagunça não, é por que vocês querem que os pobres não tenham cultura, por que o dia que nós tivermos cultura a gente vai mandar em vocês!” Ela ficou quieta, um pessoal falou pra eu deixar pra lá que não valia a pena, pra eu não falar mais e a aula continuou. Quando o meu amigo lembrou desse dia a gente começou a falar da revolução através da arte. Ele falou que a gente tinha que brigar por isso, pra arte ficar na mão de todo mundo. Aí eu falei que essa ordem social já tava no fim, a periferia ta acordando faz tempo e a ira dela ta pra explodir, por isso a gente tem que disseminar a arte por lá, por que se esse ódio não explodir artisticamente vai ser complicado. Mas a periferia ta mais lotada de arte que o mundo pode imaginar, tem vários poetas, atores, contistas, desenhistas, fotógrafos dentro das favelas, cheios de ideais e convicção de mudança, as coisas vão mudar e não demora.
O monstro cresceu, agora já era ninguém controla nossa história, a gente vai falar o que quiser e eles vão ouvir. Dessa vez vai ser sem berro, o grito vai estar na escrita e a bandeira vem na capa!

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma nova voz da periferia - Andressa dos Santos

Poucos são os que ousam falar alto. Poucos são os que têm olhos e coragem para enxergar a realidade em que vivem. Eu vou apresentar a vocês alguém que desafiou o silêncio e, por meio da poesia, vem falando da vida, da existência e da exclusão social.

Essa jovem poeta mora na Cidade Líder e vem produzindo bons textos já há algum tempo. Apreciadora de Literatura Marginal, lê Ferréz, Sacolinha, Akins, fora outros escritores, conhecidos do grande público ou não. É uma das lideranças de um movimento literário escolar e pela forma como vem produzindo, merece um lugar entre os "rebelados da arte". Bem vinda ao Rebeliarte.

A voz da periferia clama por mudança

A vida me pregou
mais um dessa, por essa
não pude esperar.
Tudo que sonhei desmoronou.

Há anos que vivo em cavernas
e ninguém nunca notou.
Sorriso que vem com a dor.
Desespero, choro, lágrima e emoção
que dominava a todos da comunidade.
Escutar gritos de socorro é comum;
não sei se dá pra confiar em minha própria sombra.

Queria poder acreditar em papai noel,
duendes e fada madrinha.
A única pessoa em quem eu acredito
e que não é capaz de me trair é Deus,
pois nele acredito.

Pessoas que moram em Copacabana, Morumbi
acham que o mendigo, o pobre que mora em uma favela
não seria capaz de morar onde eles estão.
Pois fiquem sabendo vocês que nos somos pobres
mas ricos de coração e alma.
Pois o que vocês pensam ou deixam de pensar,
só Deus, naquele grande dia, irá julgar.

Se inveja matasse, quantas
pessoas iriam morrer de desgosto.
Novamente a voz da periferia clama mudança.
Mudança para melhorar não só de vida,
mas de lugar.

Acho que faltam várias coisas neste mundo:
a esperança de renascer de novo.
Vivo em conflito com o tempo
porque perdi horas e horas
tentando achar a solução para mudar o mundo.
Até que ponto isso vai chegar?

O maconheiro, com sua maconha
pede ajuda para sobreviver.
Os moradores em desespero, ajudam.
Na periferia é um ajudando o outro.

Prefeitos, polícia. Eles não são mestres.
Onde eles estão nesta hora em que a periferia clama mudança?
Acho que nem tudo que brilha é ouro,
pois é a vida de todos que está em jogo.

Joia rara, isto que nós somos.
Dinheiro, inveja, pobreza, morte, arrepio na alma.

Todos que estão nesta vida vão triunfar
apenas coloque sua fé
em prática.

Andressa dos Santos

(Andressa tem 13 anos, estuda na rede municipal e é poeta)

(Edu)

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tenda Literária nº 5

No dia 15/11 nós estivemos na atividade que fechou a Semana de Arte Maloqueira, a Tenda Literária. Foi bacana, contou com a presença do escritor Sacolinha, sarau, dança afro e muita conversa. Aproveitei a foto e fiz um vídeo, minha nova diversão... hehehe
Detalhe, o blogue do projeto Tenda Literária:
Estamos juntos.

A música chama-se "Grândola Vila Morena". Ficou para a história por ter sido a senha para o início da Revolução dos Cravos, em Portugal, que pôs fim ao período de ditadura política, que vigorava desde os tempos no tirano Salazar. Eu acho a letra linda.
Abraço.
(Edu)

No caso, eu gravei as guitarras e a Jô cantou. Quem quiser cantar junto:

Grândola Vila Morena

Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade



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Atividade da Consciência Negra

Não poderia escrever aqui, hoje, sem falar dos momentos que passamos na Marcha da Consciência Negra, no último dia 20. Fomos num grupo de mais de 16 pessoas, mais especificamente os grupos de Percussão e Literatura (Rebeliarte). Foi muito empolgante, deu pra sentir que a galera curtiu muito. Todo mundo colaborou, tocou, dançou, carregou instrumento, dividiu lanche, tomou chuva e tudo mais. A única coisa chata foi o motorista “mala” que nos arrumaram, o cara implicava com tudo, se queixou até de ter que transportar os nossos instrumentos, não permitiu um “sambinha” de lei, foi um mala de fato; mais uma ofensa a nossa cor, costume e cultura negra.
Em relação ao evento, eu tive a impressão de não ter atraído muitas pessoas, a Marcha parecia estar um tanto esvaziada, o que nos revela o fato de que as pessoas vêem o Dia da Consciência Negra como mais um belo feriado para pegar a estrada, curtir uma praia, colocar a casa em ordem, saí de balada, tudo menos marchar em protesto. E protestar o que? Nem temos o que protestar! Já somos até reconhecidos pela lei como cidadãos. Ora se somos!!! Temos até cotas nas universidades, cotas nas passarelas, temos uma lei que nos protege das ofensas que possamos sofrer pela nossa cor, freqüentar a "macumba" é permitido e na rua ninguém te olha atravessado, a polícia nos respeita a toda hora do dia, podemos usar cabelos espalhafatosos porque já é moda, é fashion. Se nossos heróis negros estivessem vivos se surpreenderiam, pois hoje tem TV e negro é personagem principal em novela, rico, padrão de beleza top e tudo; EUA é negro. Negro agora, aliás, é moda, é doutor e todos nos respeitam. É, estamos com tudo!!! Quem nos viu quem nos vê!
Então reivindicar o que? Pra que? Na vida tudo se alcança se houver esforço, se o dia-a-dia for encarado como uma verdadeira batalha na qual a vitória deve ser exclusivamente minha. Que vençam os melhores!
Infelizmente, estes discursos já conquistaram muitas mentes e corações (como diria nosso amigo Serginho), inclusive negros. E a gente é visto como louco (lembro até que liguei para um amigo negro convidando-o e ele tava bem "dormindo" e rindo de mim) quando diz que o nosso programa do fim de semana é marchar com a negrada que sabe bem que ainda há muito o que conquistar neste mundo em prol do povo negro (as estatísticas estão aí pra provar). Negro que, aliás, ainda vive preso a condições de vida, muitas vezes, subumanas, sujeito a salários baixos, educação de péssima qualidade, acesso limitado ao ensino superior, desrespeito a suas crenças e costumes, etc; todas estas condições limitam a população negra a uma vida precária com poucas perspectivas. Como se diz o processo é lento e o barato é louco.
Então, a Marcha foi prejudicada pela chuvinha que resolveu cair pouco depois do início dela e isso fez com que a gente encerrasse a nossa participação, uma vez que não podíamos colocar em risco os nossos instrumentos. Mas até onde participamos foi muito legal, o pessoal da Percussão foi o único grupo que acompanhou a Marcha tocando e a galera curtiu demais, até "chorou" quando fomos obrigados a parar.

Distribuímos panfletos, o Edú e Jô prepararam um material bem interessante com poema do Solano Trindade e apresentação do grupo e o Espaço Cultural levou a carta manifesto em homenagem ao Carlos Marighella. Fizemos balanço da atividade no ônibus, todo mundo manifestou satisfação e maturidade para sugerir alguns cuidados a ser tomados nas próximas atividades.

À noite eu voltei e curti os shows do Luiz Melodia e da Elza Soares, foi louco, me diverti muito.

Mudando de assunto, o pessoal tirou de se encontrar no próximo sábado para discutir a atividade de fim de ano. Eu, particularmente, não poderei estar, pois terei de participar num Congresso de Educação na Cidade Tiradentes. Mas deixarei minhas sugestões aqui no blog e enviarei por e-mail ao Edú os poemas que selecionei para publicação.

Agora preciso falar de uma coisa muita séria com vocês: todos sabem que fomos aprovados no edital de Ponto de Cultura, mas estamos com alguns problemas financeiros. Acontece que a nossa documentação está sendo regularizada e para assinar contrato, segundo o contador, falta apenas a emissão de uma certidão negativa municipal, conhecida como CCM. Para emití-la precisamos acertar dívidas com o município, multas e taxas fiscais de anos anteriores que não foram pagas. O contador levantou um valor de R$ 923,00, fora o valor de pagamento do serviço dele. Não temos muito a quem recorrer senão as pessoas que participam do Espaço, pois já recorremos à APEOESP, à galera do PSOL, e eles já colaboraram alguns meses atrás. Colaboraram inclusive para resolvermos questões da documentação e despesas do Espaço. Então fica complicado solicitar mais doação. Fora isso estamos com aluguel atrasado, duas contas de luz e telefone atrasadas e a Marriete para pagar. Está complicado, porém sabemos que a prioridade deve ser a documentação, haja vista que isso garantirá a existência do nosso trabalho por mais três anos, com direito a muito ar e fôlego.
Bom, gostaria de fazer esse apelo, quem puder contribuir, a contribuição será muito bem vinda, já que estamos com a corda no pescoço e temos prazo curto demais para resolver isso. Quem puder é só ligar para a Marriete no Espaço Cultural e trocar uma idéia.

"A união fará a força!"

Forte abraço a todos e todas.

Deixo para vocês um poema-presente, adianto que esse não será de nenhum bambambam da literatura, mas sim de um cara louco que inventou de se achar poeta.

Uma idéia


Paira no ar uma idéia
uma idéia vaga
uma idéia vagabunda
uma idéia ordinária
uma idéia safada
uma idéia promíscua
uma idéia romântica
uma idéia ideal
uma idéia revolucionária
uma idéia
uma idéia qualquer
uma idéia vaga
cabe ao poeta ocupá-la.


Fábio Pinheiro

(Penso em criar um pseudônimo que chame mais a atenção. Ajudem-me!)

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

TRAPÉZIO

Tava na hora de postar esse poema, que foi um dos primeiros a ser lido nos encontros. Esse poema é um retrato do artista que se vê frustrado acima do trapézio e começa a cair, a queda é tão alta e forte, que nesse cair surge um poema, talvez o último de sua existência como artista. Retrata bem um dos meus temas favoritos que é o circo, além dessa arte cheia de escuridade e tragédia. recomendo ai a vcs que entrem no meu blog, que é exatamente voltado para a produção poética e sempre tratando do tema circence (um circo meio obscuro...rsrs). ta ai o link:

http://fluoxetinaprapalhaco.blogspot.com/




TRAPÉZIO

Em silêncio a platéia espera.
Em três quedas o palco partiu-se
O trapézio que segurava não era
Tão forte quanto o destino disse.

Acima de todos cai a primeira
Do alto ao olhar o redor a seguinte veio
Então às quedas a alma se rendera
E enquanto caía ainda naquele meio

Veio então chegando a queda maior,
O chão chamava para o desfecho,
E caindo olhava o esplendor ao redor
Num grande portão sem trinco e fêcho.

O chão puxava uma queda que não achava o chão,
O tamanho do tombo foi tão grande e feio
Que antes de cair já não existia vestígio do coração,
Então com a última queda deixou-o tão cheio,

Seu barulho como de um trovão estilhaçado
Um terremoto nesse momento treme o chão.
Em trevas cobriu-se um barulho por todo lado,
A alma caída, o corpo que dorme em vão.

Em vão o rosto olha ensangüentado,
Os olhos sem expressão, boca muda não dizia
Depois disso de repente as luzes do
Circo apagaram, de repente a platéia silencia.



Um abraço a todos que tem ousadia. Samuel Macário.

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domingo, 22 de novembro de 2009

Dia da consciência negra - rebeliarte



Esse fim de semana foi cabuloso. Dia 20 de novembro, na sexta, houve participação do Espaço Cultural Carlos Marighella, com o grupo de percussão e o pessoal do Rebeliarte, no ato do Largo do Paissandu. Eu e a Jô panfletamos, com um informe do Rebeliarte mais um poema do Solano Trindade. O Fábio, o Anderson, a Gabriela, o Serginho e o Miqueias estiveram tocando o tempo todo com o pessoal da percursão. Além da importância política, pois o ato envolveu as principais correntes da luta organizada contra a opressão da classe trabalhadora, tivemos a chance de compartilhar um dia juntos. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos encontros. E que o pessoal da percussão venha aos nossos encontros de arte e literatura.
Por uma sociedade sem discriminação, sem opressão e sem pobreza.
(Edu)

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

20 de Novembro

Mil anos que eu não apareço por aqui, to ligado que hoje nem era meu dia de escrever mas ta firmão eu escrevo hoje e amanhã também pra recuperar o tempo que eu perdi por causa do apagão que apagou meu pc, e das mil ocupações que eu tenho agora. Vishe, meu pc zuou mano, perdi vários baratos, até uns tecos do meu livro foram pro saco, vou ter que escrever tudo de novo, mas ta firmão, ta firmão o Estado já me lesou várias vezes uma a mais a gente suporta até chegar a nossa hora, eu escrevo de novo e salvo em algum lugar pra não perder de novo, se fosse na época que eu tava escrevendo no caderno nem tinha acontecido isso aí.

Mas nem foi disso que eu vim falar, eu vim falar do meu dia 20 de novembro mesmo. Hoje eu trampei só das 9:00 às 20:00h. pouco né?
Feriadão, rolou vários shows de Rap em São Paulo eu tava até afim de colar em uns, mas nem virou.
Dia da consciência negra nem pude ta presente nos atos a pans da um apoio, um salve pros mano.
Cheguei em casa e meti um rap no som pra simular os dos shows que eu perdi e to aqui sentadão na frente do pc dando um enrolada até achar um jeito de escrever o dia como que foi.
Mano é complicado falar de preto ou branco, sem parecer plagiador, cheio de demagogia ou falsa consciência, mas vamo lá que o barato é o seguinte a reflexão do dia vinte vem do dia anterior.
Ontem eu vi um mano, mil anos que eu não trombava, colava pouco com ele mas a gente tinha uma amizade forte, era um mano admirável, estudava pra caralho, dava um trampo pra ajudar a mãe, tinha futuro o moleque. Colou em mim me pedindo uma moeda, "Qualquer coisa serve, só pra eu interar o busão e voltar pra casa!" Ele não me reconheceu, mas eu me liguei ele mora a uns dois quarteirões dali "Tem não irmão, to quebrado". Mal vestido, o chinelo saindo do pé, no friozão da madrugada de bermuda e camiseta. É mais um negro que o sistema apagou a consciência, o mano que era uma ameaça pro sistema pela capacidade que tinha, agora transita por aí pedindo uma moeda, um qualquer, pra cheirar um pino, queimar uma pedra sei lá, de repente se não arrumar nada na crise pode até matar alguém em troca de uns minutos de viagem.
É o barato é louco fiquei com essa cena na mente, vishe o mano até curtia uma poesia, várias vezes veio em casa pedir livro emprestado pra fazer trabalho de escola e ontem o que ele me pediu nem tem nada a ver com isso.
Firmeza pra fazer um H os caras correram lá e transformaram o dia da consciência negra em feriado, mas e aí?
Os pobres tão aí largado no mundão se nós não fizermos por nós ninguém faz.
Essa é a real ninguém faz nem vai fazer, ninguém quer fazer nada.
O mundão é assim durão e frio de jeito que é, mais um parceiro que eu perdi pras drogas, mais um pobre que entra para as estatísticas que ninguém faz nada pra mudar.
Eu vim só pra relatar e por um carrapato atrás da orelha do leitor.
E pra deixar um salve pra massa negra do meu país e do meu planeta, pra todos que têm a coragem de dizer, pra todos aqueles que fazem desse feriado uma oportunidade de revirar essa lógica do sistema corrosivo que mastiga a liberdade e a soberania da nossa gente, do nosso povo, um salve pro povo da favela, Marabá vai ta no coração pra sempre, a favela fez eu ser quem eu sou. Um salve pros negros que cresceram comigo e me fizeram não ser só mais um branquinho filho da puta, de nariz e topete empinado: Cipó, Cássia, Rubão, Negão, Márcio, André, Jhonny, Marta, Bebê, Enrique (Preto), Dô, Sangue, Acum, Michel, Deyse, Jhully, Gabriela, Paca, Banha, Tripão, Huoslon, Ana, Cidinha (In Memorian), Jeremias (O Gê), Pedrão (In Memorian), Miriam, Moisés, Matheus, Josi, Tio Basto (In Memorian), Ricardinho, Abel, Keilinha, Ana Cláudia, Miriam (prima), Maicon e vários outros que talvez eu não tenha citado mas não foram esquecidos, Feliz final de dia da consciência de vocês, vocês mais do que eu sabem o que é ser preto e favelado por aqui, valeu por tudo que a gente compartilhou e compartilha até hoje.
Salve!

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Em homenagem ao dia da Consciência Negra

Em homenagem ao dia da consciência negra, vai o poema:




Consciência Negra
Sou a alma que ontem nasceu no mundo.
Sou filha da África,
Dos olhos de pérolas,
Do sorriso de marfim,
Dos sons dos atabaques em noite de luar,
Da roda de capoeira,
Do jongo ao maculelê.

Sou da raça que irradia perfume de alegria.
Sou semente da história humana,
De vida apesar de tanta dor.

Dos canaviais e senzalas,
Das mãos calejadas, exploradas e injustiçadas.

Podem tirar a minha vida,
Menos o direito de sonhar,
De ter esperança...
De lutar por dignidade e respeito,
Nem que seja em grito mudo,
Clamando por igualdade e justiça,
E de acreditar num amanhã melhor.
Consciência Negra
Sou a alma que ontem nasceu no mundo.
Sou filha da África,
Dos olhos de pérolas,
Do sorriso de marfim,
Dos sons dos atabaques em noite de luar,
Da roda de capoeira,
Do jongo ao maculelê.

Sou da raça que irradia perfume de alegria.
Sou semente da história humana,
De vida apesar de tanta dor.

Dos canaviais e senzalas,
Das mãos calejadas, exploradas e injustiçadas.

Podem tirar a minha vida,
Menos o direito de sonhar,
De ter esperança...
De lutar por dignidade e respeito,
Nem que seja em grito mudo,
Clamando por igualdade e justiça,
E de acreditar num amanhã melhor.


(Sarah Janaína Leibovitch)



Um abraços a todos os cheios de sonhos e ousadia que lutam pela liberdade.
(Samuel Macário - sam.macario@gmail.com)

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Ah! Esqueci de falar sobre a atividade da consciência negra, a Marcha no centro. O ônibus sairá às 10h00 do ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA e retornará às 16 horas; haverá lanche para os participantes.

Abraço a todos.


Vamos todos e todas!!!

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BOAS NOVAS

Meus queridos arteiros, já faz um tempo que não escrevo, mas agora volto com o prazer de trazer novidade e respostas às sugestões que foram postadas pelo Edu, que são resultado do Encontro que tivemos domingo passado na Semana de Arte Maloqueira, na atividade com o Sacolinha, que foi 10! A novidade é que o ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA teve o projeto ESPAÇO CULTURAL CARLOS MARIGHELLA: INTERAGIR COMUNIDADE E CULTURA entre os aprovados no Edital de "PONTOS DE CULTURA" da Secretaria de Estado da Cultura. Esta foi uma vitória super merecida, pois nos dedicamos muito a construção deste projeto. Gostaria até de em nome do ESPAÇO agradecer a todos que de uma forma ou de outra contribuíram para esta conquista e dizer que "é nóis na fita". Quanto as nossas próximas ações - o Sarau, a Publicação, o Boletim, os Encontros e a Internet - penso o seguinte: acho que a data do dia 13/12/2009 talvez comprometa a minha participação, por conta da prova do estado. Sugiro a data de 6/12/09, mas como há a possibilidade de o evento ser junto ao de comemoração e encerramento das atividades do Espaço, não sei se a data que sugiro será a melhor. Em relação à publicação acho que teríamos que, de repente, nos encontrar para discutir, ao certo, como será, talvez até escrever juntos o Editorial e encaminhar as demais coisas. O problema é que é tudo para ontem! Aí como faremos? Bom, acho que seria legal ter um espaço na revista para um texto do Espaço Cultural dialogando com o grupo rebeliarte e com o seu próprio fazer. O que vocês acham? Bom, em relação aos encontros acho interessante a idéia da Josi, penso que devíamos tentar. O Boletim acho necessário, porém não sei como podemos encaminhar a escrita dele. E a questão da internet ainda não pude expor à Coordenação já que o pessoal não se reuniu na segunda por conta da organização para o Congresso Estadual da APEOESP no interior do estado. Na próxima segunda dará para conversar a respeito de tudo que está sendo sugerido no blogger. Na sexta nós nos encontraremos na Marcha da Consciência Negra e aí a gente discute sobre a publicação e o sarau. Ah, precisamos definir a data logo, até para fecharmos a presença do Sacolinha, poeta de Suzano.Pra terminar que eu falo muito, rs rs rs... só de pensar em publicar o coisas que escrevemos e fazemos fico emocionado.

POEMA-PRESENTE
Os Filhos da época

Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.

Wislawa Szymborska
Tradução - Ana Cristina César
Abraços e beijos a todos e todas.
Saudações culturais!
FÁBIO

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Eis que surge um novo poeta!!!


Hoje vou postar o primeiro poema do Anderson, ele está conosco desde o ínicio, sempre quietinho mais vem participando muito e isso nos deixa muito feliz porque é bom ver os frutos desses encontros de Arte e literatura e o Anderson é um deles e nos trouxe a alegria de seu poema que foi escrito por ele.





QUE DISFARCE!




Um ser sem alma que só trabalha
Que a história apaga
os erros cometidos contra ele
Um túnel tido como sem luz


Agora encontra a sua luz,
através da arte ele mostra
seu verdadeiro disfarce
e desmente todo este disfarce.



(Autor: Anderson( Angels♫♪) )



Continue escrevendo Anderson, pois você está no caminho certo,espero que de onde veio este venham muitos outros e logo estarão na nossa coletânea.

(JÔ)

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domingo, 15 de novembro de 2009

Organização de fim de ano - rebeliarte

Hoje nós estivemos no fechamento da Semana de Arte Maloqueira. Antes do início da atividade, nós tiramos um tempinho para definir algumas orientações para o encerramento do ano. Para não haver necessidade de outra reunião, tiramos alguns encaminhamentos que serão discutidos aqui mesmo nessa página do blogue. Assim, fique a vontade em palpitar, o espaço tá aberto para isso.


1º - Organizar um sarau para encerrar as atividades de 2009. Deve ser no mês de dezembro e, de preferência, casado com a atividade de finalização das ações do próprio Espaço. Eu sugiro o dia 13 de dezembro, domingo, as 15:00hs.

2º - Publicação - o pessoal achou que dava pra fazer uma revista para venda, com tiragem inicial de 200 cópias. A editoração eu vou passar para uns parceiros que têm uma agência de publicidade, vai ficar profissa. Entrariam poemas da gente, contos do Euber e comentários das atividades. Precisamos tirar uma data limite. Seria para esse ano?

3º - Internet - também foi sugerido o uso da internet no espaço pelo pessoal do Rebeliarte. A ideia poderia estar ligada a uma contribuição mensal para ajudar a pagar a conta de telefone. Fica mais barato que Lanhouse e ajuda no custeio do Espaço. O Fábio vai levar para a reunião da coordenação, e passar o resultado pra gente. Bom pra dar um gás no blogue e divulgar o nosso trabalho.

4º - Sarau itinerante - fazer um sarau mutcho loco, pra levar pra rua. O Samuel ficou de combinar com o Euber, mas eu também quero me envolver.

5º - Encontros semanais - combinar encontros semanais, mesmo que não seja para uma atividade especifica, mas ter o sábado, as 15:00 como o nosso ponto de encontro, para ler, escrever, pegar dicas de poemas, ou mesmo para bater papo.

6º - Boletim - Ter um boletim na mão para o dia 20 de novembro, que vai ser nossa atividade. Mandem ideias. Tem que ser rápido.

Acho que foi isso. Vou destacar no topo da página, postem nos comentários.

Abraço!!!

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Dois poemas sobre o nosso circo real!

Fala gente to postando ai dois poemas, que estarão no meu livro em breve, e falam sobre essa coisa de ter que se mascarar todo dia, no mundo de hj o riso daquele palhaço pode ser uma dor bem lá no fundo daquele ser, porém somos obrigados a disfarçar nossos descontentamentos com as coisas erradas que andam acontecendo por ai.
Confiram ai e digam o que acharam

abraços, Samuel Macário

PALHAÇO-HOMEM

O palhaço que nasceu num circo
Mas num circo onde não se ri.
Um palhaço arrancado pelo bisturi
Sempre foi a gargalhada do rico.

O palhaço mais triste que já vi
Tendo no momento de mágoa seu pico,
Ausentando de si a cor do Colibri.
O palhaço no palco sempre pagava mico,

E sempre caía na hora que não podia.
Uma vez que fazia número principal,
Foi a piada contada no meio dia.
Quando para construir o circo foi preciso cal

Trouxe areia e a areia foi descendo
E o tempo devorando o espaço
E devorando o homem que ainda nascendo
Já pintava em si a grande máscara do Palhaço.



O PALHAÇO DE NEGRO

Toda vez que o circo vinha
Era um sorriso que puxava o da criança
E ela da outra que atrás caminha.
Quando chegava o circo pintava uma esperança

Que então gritada nascia.
O circo com carros, festas e alegoria
A avenida em cores descia,
Amanhecido o rosto menino ria.

De repente notou-se o estranho
Havia uma jaula escura e fria
Uma jaula de grade de estanho
E nele cheia d'água uma bacia,

Não chovera aquele dia,
Mas visível aparecia um rosto mal pintado,
Olheiras negras que a lágrima já dizia,
Talvez esse seja o palhaço errado.

25-09-2009 Samuel Macário



Abraços a todos. Samuel Macário (sam.macario@gmail.com)

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um pouco sobre a Semana de Arte Maloqueira


Como já havia comentado, o pessoal do Espaço Carlos Marighella está participando dos eventos da Semana de Arte Maloqueira de Guaianases, organizada pelos movimentos de cultura da região. Eu vou falar sobre duas atividades em que eu e o Fábio estivemos representando o Espaço Cultural e nossa Rebelião de Arte e Literatura.
No dia 08/11, domingo, rolou uma roda de conversa sobre Poesia como Utopia. Para abrir o debate, estavamos, eu, representando o Espaço Carlos Marighella; o Luciano, do Dolores Boca Aberta e o Akins Kinte, poeta da Edições Toró.
Eu abri falando basicamente da ausência de horizontes em que nos encontramos, da nossa condição amesquinhada, pensamentos voltados para nós mesmos, em contradição direta com as condições de vida do povo pobre, trabalhador. Daí propus que utopia, apesar de aparentemente morta, está presente na literatura de periferia, no RAP e no sentimento das pessoas, enscondidinho, pedindo lenha e chama. Também chamei a atenção para a necessidade de direcionar o potencial revolucionário contido nos movimentos culturais da periferia, e o cuidado para não perdermos a dimensão política da coisa, para não virar mercado.

O Luciano chegou dando continuidade, afirmando a obrigatoriedade de aliar teoria e prática, sendo a arte uma arma, e dando como exemplo o trabalho do Dolores Boca Aberta, que é pura militância política, enquanto arte. Mandou também dois poemas fortíssimos, que deixou a galera de cabelo em pé.
E quanto ao Akins, sem palavras. O cara transpira poesia. No jeito dele, na moral, falou da vivência, da relação dele com a arte, e também, a relação da arte com ele. Fez um relato do trabalho que ele desenvolve na Fundação Casa, em que os moleques escrevem os poemas, mas entregam para ele escondidos, muquiado dos "monitores", senão, já viu.
Sem contar um poema/samba que ele mandou, ainda inédito, sobre futebol de varze.
Cara, tô esperando você aqui no Espaço Carlos Marighella pra passar o Documentário.
Nossa, a partir daí as ideias foram longe, a galera tava inspirada. Acho que boa parte dos movimentos de cultura da região estavam presentes, a galera dos Jovens Urbanos, Cine Campinho, Onorio Arce... vou pegar com o Renato o nome de todos para postar, para não cometer injustiça. No final ainda rolou uma tietagem e tirei foto com o Akins. (Tô acompanhado seu trampo, mano, com admiração!!!)

No dia 10/11, na terça rolou um debate também pegado sobre Diversidade Cultura. Deste, a Jô filmou, vou editar, daí eu posto aqui. Então, retornem a esta postagem que ainda será editada com o vídeo, mas já ficam as fotos.
Um abraço revolucionário.







(Edu)



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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Criadouro de analfabetos, onde está o compromisso com a educação e a cultura?

A educação não é levada a sério nesse país. O importante é ter prédios públicos erguidos e enchê-los de filhos de pobres, alimentá-los e dar leite, uniforme e sapato. Isso tudo é para os pais nem pensarem em reclamar da qualidade de ensino que é dado aos seus filhos, que vão aprender o minímo para trabalhar numa loja de calçados e ser explorado até o fim de suas vidas. Esse caminho foi escolhido a dedo pelo capitalismo e pelo governo, por que senão quem vai manter essa máquina de fazer ouro? quem vai assentar bloco por um custo mais baixo? O mais triste é que temos uma universidade pública em que 90% dos que conseguem entrar são filhos de ricos que estudaram em escola particular, tiveram um ensino de primeira e vão passar em primeiro lugar em medicina, direito e assim vai... mais para consolar os pobres o governo financia as milhares de faculdades, dos mais diversos nomes. Parece até igreja evangélica que tem aos montes, onde ele pode pagar a metade ou conseguir financiamento no banco para conseguir ter o ensino superior da pior qualidade, que é o que lhe foi deixado como opção. Ou então ficar sábado e domingo dentro de uma escola no projeto escola da família. Será que só eu não me conformo com isso? As coisas são muito bem feitas pra que as pessoas não percebam que estão sendo enganadas. Temos o ENEM, o prouni, os financiamentos, para que o pobre não possa reclamar, dizer que ele tem muito mais oportunidades do que o rico. Se isso fosse verdade não precisava dessa parafernalha toda. Não concorde... não se conforme tão rápido com o que te dão, não. Tem um ditado que talvez case com isso.. " quando a esmola é muita, o santo desconfia! " pois é...

Tive uma experiência esse mês quando fui à reunião na escola da minha filha, onde me foi pedido para preencher a ficha do Saresp. É uma prova onde o governo precisa ter a certeza de que a família e o aluno estão satisfeitos com o programa escolar, e diz a lenda, com " o desempenho do aluno ". O incrível é que tem uma parte da prova que o aluno teria que responder, pois está escrito, "RESPOSTA DO ALUNO", mais foi pedido pela professora que os pais respondessem por ele. Claro, por que eles já sabem que a criança não sabe ler e quanto mais escrever. Uma mãe ficou muito revoltada e disse que não ia responder porque o filho teria que estar ali. Como ela poderia respoder por ele? A professora desaprovou o comportamento da mãe, mais ela bateu o pé e disse: "Não, respondo amanhã. Meu filho vem comigo e ele responde!" Na sala da minha filha a metade não sabe ler. E o que eu acho mais absurdo é que esses professores que dão aula na escola pública, também dão aula na particular, onde todos sabem ler e são adiantados. A minha filha faz aula de reforço fora da escola porque senão também não saberia ler. Ela lê livros pra idade dela, porque é incentivada por nós, os país. Se dependesse do governo, os livros continuariam nas bibliotecas e nas livrarias. O incentivo é zero, na escola da minha filha a maioria dos pais também não sabem ler... Esse é o futuro do pais, é a nossa realidade e enquanto isso os filhos dos ricos estão se formando e vão se tornar empresários, patrões e vão continuar explorando os pobres e analfabetos.


Poema de vida



Com os olhos sempre baixos
e sem saber onde me encaixo
encontrei-me lá embaixo
e no fundo me alojei
**
No poço da solidão
só encontrei a ilusão
de uma vida sem visão,
então me afastei
**
Foi aí que alguém me disse
ainda na minha meninice
uma coisa que gostei
Fui embora esperançosa
e não mais me afundei.


(Jô)jokw@estadao.com.br

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

To sem criatividade pra postar mas taí um poema do Manuel Bandeira grande poeta brasileiro que revolucionou o campo da arte na semana de 22 juntamente com Mario de Andrade e Oswald de Andrade. Esse poema é pra ficar na cabeça.

Poética
(Manuel Bandeira)

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare


— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Abraços pra todos vcs. Salve Marighella. (Samuel Macário)

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domingo, 8 de novembro de 2009

Semana de Arte Maloqueira

Segue abaixo a programação dos eventos da Semana de Arte Maloqueira de Guaianases. Tem muita coisa boa, para todos os gostos e seguimentos artísticos. Eu vou participar diretamente de duas atividades:

Domingo: roda de conversa, a partir das 19:00, sobre poesia e utopia, na casa de cultura de Guaianases.
Terça: Roda de Conversa, a partir das 19:00, sobre Diversidade Cultural, no Espaço Cultural Carlos Marighella.

Deixo como sugestão a gente se encontrar no domingo, dia 15, na praça do Mercadão, para a atividade da tenda literária. A gente já troca uma ideia, e participa da atividade.

(Edu - edukaw@hotmail.com)

PROGRAMAÇÃO

Dia 07 – sábado
Local = Praça do Mercado Municipal de Guaianases (o evento vai iniciar com um Cortejo que sairá do CEU Lajeado e seguirá até a Praça do Mercadão)

13:00 – Mostra Cultural da Zona Leste – Programa VAI (Secretaria Municipal de Cultura)

Dia 08 – domingo
Local = Casa de Cultura de Guaianases

13:00 – P.O.R.R.A. (Projeto Ostensivo de Rimas Revolucionárias e Atitude) – Encontro de grupos de Rap e microfone aberto

19:00 – Roda de Conversa: “Poesia como Utopia” – Convidados: Professor Edu, (Espaço Carlos Marighella), Akins (Edições Toró) e Luciano (Dolores Boca Aberta)

Dia 09 – segunda-feira
Local = Casa de Cultura de Guaianases

15:00 – Intervenção de Graffiti no entorno da Casa de Cultura / Convidados: 5 zonas de Graffiti, Rim, Art e Graffiti, Cota Crew

19:00 – Exibição do filme “Profissão MC” e roda de conversa com o diretor: Alessandro Buzzo

Dia 10 – terça-feira
Local= Espaço Carlos Marighella

15:00 – Oficina de produção de Fanzine – Convidados: Marcelo (Fanzine Catraca) e Celso (Zine Concreto e Asfalto)

19:00 – Roda de Conversa: “Diversidade Cultural” – Convidado: Tião Soares (Cientista Social)

Dia 11 – quarta-feira
Local = Biblioteca Cora Coralina

15:00 – Sarau/oficina de poesias – Convidado: Tenda Literária (GT de cultura do IPJ)

19:00 – Roda de Conversa: “A Mercantilização da Cultura” – Convidada: Iná Camargo (Pesquisadora)

Dia 12 – quinta-feira
Local = Casa de Cultura de Guaianases

15:00 – Mostra de teatro e performance com grupos da região e convidados

19:00 – Roda de Conversa: “Fomento à cultura: limites e desafios” – Convidada: Maria do Rosário (Secretaria Municipal de Cultura)

Dia 13 – sexta-feira
Local = CEU Lajeado

15:00 – Apresentação dos projetos dos jovens do Programa Jovens Urbanos: vídeos, blogs, revistas, graffiti, teatro, leitura dramática, etc.

19:00 – Mostra de vídeos produzidos por alguns coletivos de áudio-visual da cidade (Local = Cine-campinho)

Dia 14 – sábado
Local = Casa de Cultura de Guaianases

SEMINÁRIO = A CULTURA QUE QUEREMOS

9:00 – Mesas: “Histórico do Movimento Cultural na zona leste” / “Cultura de Periferia na Cidade” / “Política Cultural na cidade” / “Política cultural em Guaianases” – Convidados: Sacha Arcanjo (MPA), Representante do Movimento dos Guaianás, Carlos Calil (Secretário de cultura), Jorge Perez (Subprefeito de Guaianases)

14:00 – Grupos de discussão: 1. Equipamentos e estrutura para a cultura / 2. Movimento de cultura / 3. Casas de cultura na cidade

19:00 – Show de MPB com músicos do MPA / Cacá Lopes / Valdir Bota / Tita Reis / Costa Senna

Dia 15 – domingo

9:00 – Continuação do Seminário – Mesas: “Histórico da Cultura em Guaianases” / “Propostas da Casa de Cultura de Guaianases” – Convidados: Representante do Movimento dos Guaianás / Sergião (Coordenador de Cultura de Guaianases)

11:00 – Redação do Manifesto: Que cultura queremos? / Cortejo até a Praça do Mercadão

14:00 – Tenda Literária – Roda de Conversa sobre Literatura Marginal – Convidado: Sacolinha

17:00 – Atividade cultural de encerramento da Semana
Local = Praça do Mercadão de Guaianases

ENDEREÇO DOS LOCAIS DAS ATIVIDADES:

1.Praça do Mercado Municipal = Praça Getúlio Vargas – (Próximo a estação de trem de Guaianases)

2. Casa de Cultura de Guaianases = Rua Professor Cosme Deodato Tadeu (Próximo a praça do mercado municipal de Guaianases)

3. CEU Lajeado = Rua Manoel da Mota Coutinho, 293 – Guaianases

4. Espaço Carlos Marighella = Rua Carvalho de Araújo, 06 – Guaianases

5. Biblioteca Cora Coralina = Rua Otelo Augusto Ribeiro, 113 – (Próximo à antiga estação de trem)

6. Cine-Campinho (Jd. Bandeirantes) = Rua Aldésio Prati, s/nº

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SEQUESTRANDO LEITORES!!!!!!

faz um tempo que não posto nada, explico que andei esses dias meio pra baixo e entristecido com tudo que anda acontecendo... Mas isso é p outra conversa.

Carlos Marighella completa 40 anos de aniversário pelo seu falecimento, porém, ainda é vivo em nosso peito e nossas idéias. A mídia não lembrou da história de luta desse grande homem, nem seus poemas, nem seu rosto, nem seu nome, mas ele está eternizado em nós por todas as idéias, por toda luta que travou e o legado que deixou para nós, as armas que nos deixou para combatermos.

Obrigado por tudo grande Marighella.

A nossa idéia é a Ousadia. É hora de tomarmos medidas maiores, é hora de partirmos para um combate para que peguemos o inimigo desprevinido. É hora de fazermos sequestros, sequestros com nossos leitores, irmos até ele e o assaltar com arte, traficar poesia e depois fazemos um sequestro com o leitor, algo que mudará a vida dele, e assim ele viverá no nosso cativeiro livre e voltará para provar da liberdade. Vamos às ruas ousar, sequestrar com nossa arte, o momento é crítico e devemos tomar essa medidas. Vamos Ousar meu povo. Um grande abraço a vcs. Fiquem com mais uma das minhas tentativas de poemas:



ACIDENTE

A via
No havia.
Te encontrava
E não te via.

Toda magia
De uma palavra:
Degradada,
Debruçada,
Atropelada
Na via.
Não mais havia.

Talvez não com olhos.

Talvez com boca
E palavra oca.

Sim, te via
Andar na calçada,
Todavia,
Desvia.
Tão longe do corpo
Da palavra estirada.

Que havia
Somente enquanto te via.

(Samuel Macário)




Um abraço galera. Fiquem com Deus.

(Samuel Macário - sam.macario@gmail.com)

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Rebelião e Arte

Sem muitas palavras, posto o vídeo da apresentação que nós fizemos no dia 01 de novembro. Foi o dia da homenagem ao Carlos Marighella. Tentamos chamar um pouco a atenção para o processo de exploração a que todos nós somos submetidos. Exploração do julgo capitalista. Percebi que algumas pessoas ficaram com algumas pulgas atrás da orelha. Fato este que é animador.

Acordar e mudar.
O Euber é o patrão canalha, o Samuel faz o papel de Samuel e eu sou eu mesmo.

(Edu - edukaw@hotmail.com)



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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dia 04 de novembro " 40 anos da morte de Carlos Marighella "


" Um homem não desaparece com sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estátua à distância." Florestan Fernandes, sobre Carlos marighella



Hoje quem pôde foi ao local do assasinato do Carlos Marighella em homenagem aos 40 anos de sua morte.. é claro que a TV ou qualquer outro meio de comunicação não fez nenhum esforço para comemorar esses dia ou menciona-l0.
Lembra-lo nesse dia e saber por qual motivo foi morto, é faze lo renascer um pouquinho cada dia, dentro de nós, isso fará realizarmos um sonho muito antigo que muitos não estarão aqui para vê-lo realizado.


Liberdade

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome"

São Paulo, Presídio Especial, 1939

poema de Carlos marighella.


(JÔ)

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domingo, 1 de novembro de 2009

Pega essa, playboy!!! Homenagem a Carlos Marighella



É isso ai, salve, galera.

Mandando forte nas ideias do povo, rebelião e arte.

Hoje eu curti, a peça ficou foda, rápida, agressiva e marcante. Quiser conferir, postei aqui. A máquina do mundo desmontada. Trabalhador explorado e patrão canalha, de que lado você está? Quem foi viu, e com certeza saiu diferente. Que faça refletir quem assistiu. Essa foi nossa homenagem ao lutador Carlos Marighella.

Além disso, ainda rolou um bingo com uma pancada de livros subversivos e coisas mais. E como não poderia ser diferente, a gente aproveitou para mandar uns poemas na marra pra galera.

Mudando de assunto, ontem o Euber esteve aqui em casa e nós ficamos bolando várias ideias, acho que já dá para começar a amadurecer alguns pontos. A primeira é montar um sarau itinerante. Levar poemas para todo canto, principalmente para quem não quer ouvir. Assalto cultural. Sequestro artístico. Soco no estômago, fim da calmaria. Outro ponto é trabalhar com uma meta, e eu acho que deve ser a publicação de uma coletânea de poemas. A gente batalha fundos, publica, e cada um vende sua cota. Pra meter as caras, se é pra ser arte, que seja de verdade.


Tá na hora de crescer, de ampliar, de olhar pra frente, e descobrir o horizonte.

As prometidas fotos da atividade:









(Edu - edukaw@hotmail.com)

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