quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porque eles mandam os pobres



Este é um video com o clip da banda System of a down onde eles fazem uma pergunta
que muito devem fazer, principalmente quem esteve na guerra sem ter desejado isso.

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O que é poesia

Poesia é veneno, é bomba

Artilharia pesada
Que acerta a alma
Não erra
Alcança
Nunca se cansa.

Poesia é alento
É o último recurso
De uma vida sofrida
Marcada

Bomba, veneno, pancada
O poema explode

Não tem hora marcada.


[Eduardo Kawamura]
edukaw@hotmail.com
Twitter: @edukaw
http://edukaw.blogspot.com/

Inalgurando as postagens dos Poetas do Negro, no Rebeliarte.
Em rede somos mais fortes.

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terça-feira, 30 de março de 2010

Já era tempo!!!

Sempre é tempo de iluminar
Fazer dia a escuridão sem fim
E sonhar
Com os olhos abertos

Sonhar sonhos diurnos.


É isso. Depois de um tempo elaborando novas ações, estou de volta, e, muito, mas muito em breve, com novos poemas e novas notícias.

Um abraço
com muita revolta
e arte.

Edu

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terça-feira, 23 de março de 2010

A gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. A Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti


Nesse texto, Marina Colasanti, como em tantos outros textos de sua autoria, desvela comportamentos e ações humanas de todo dia, coisas que fazemos sem nenhuma reflexão. Aqui ela, a meu ver, traz uma profunda reflexão do quanto nos alienamos ao sistema capitalista e o adotamos a partir de modos individualistas, sem nem relutar a isso, apenas nos acostumamos à vida como ela é, sem nenhum questionamento ou intenção de mudá-la.



Texto publicado no livro "Eu sei, mas não devia", Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pag. 09.

Leiam também E por falar em amor, Ed. Rocco,1986.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tiradentes

Hoje eu vou postar um poema de Gonçalves Ribeiro espero que gostem que reflitam
um abraço.


Tiradentes


Ei-lo, de pé, cansado e macilento,
fitando as grades da prisão maldita.
Tem preso o corpo, livre o pensamento,
e sonha ainda e ainda o sonho o agita.

Não teme a morte, que um herói não teme
senão a sorte amarga do país.
E se a alma chora e se o peito geme
é vendo a pátria escrava e infeliz.

Vai Morrer Tiradentes, eis a hora:
qual irmão trata o algoz que vai matar;
e o carrasco soluça e treme e chora
ante a vida de amor que vai tirar.

Vai morrer um gigante brasileiro
por querer livre a pátria que venera.
E se na forca a morte o vê primeiro,
a glória eterna dos heróis o espera.

Despedaçam-lhe o corpo cruelmente
os covardes sem pena, os vis tiranos,
crendo assim que ante o horror um povo
[crente
desistia dos sonhos soberanos.

- Tiradentes, teu vulto brilha tanto,
e esse brilho de ardor que nós invade,
diz que enquanto sentirmos teu encanto,
nós creremos com fé na liberdade!
(Gonçalves Ribeiro).

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O que é Literatura?

Essa foi a pergunta que abriu o trabalho do REBELIARTE neste ano. A literatura é para nós? Nós da Periferia? Fomos feitos pra literatura?
Perguntas no ar pra pensar e se discutir. O documentário de Ferréz respondeu, Ela não foi feita para nós, mas vamos buscá-la, tomá-la. Agimos com e para Literatura e para seu Universo e a queremos, não a queremos mais como privilégios de alguns, queremos como semente nossa, plantada em infértil concreto, mas possívelmente a árvore mais resistente e bela, com os frutos mais doces e a folhagens mais vivas.
Vamos agir e ousar, pois, a literatura também é toda nossa. Nossa voz será rugido e vento da tempestade.
Sejam bem-vindos novas caras ao REBELIARTE, aqui a poesia não é só dita ou escrita, ela é clamor, é sentimento, é sangue, é vida. Aqui ela acontece, não é arte por arte, é arte por um Mundo. Aqui a poesia ousa no coração e na alma. Samuel Macário.

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