quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Literatura nas Ruas - por Sérgio Vaz


Literatura, pão e poesia - Sergio Vaz

A literatura na periferia não tem descanso, a cada dia chega mais livros. A cada dia chega mais escritores, e, por conseqüência disso, mais leitores. Só os cegos não querem enxergar este movimento que cresce a olho nu, neste início de século. Só os surdos não querem ouvir o coração deste povo lindo e inteligente zabumbando de amor pela poesia. Só os mudos, sempre eles, não dizem nada. Esses, custam a acreditar.
Não quero nem falar dos saraus que estão acontecendo aos montes, pelas quebradas de São Paulo. Isto me tomaria muito tempo. Haja visto as dezenas de encontros literários, pipocando nas noites paulistanas. Cada qual do seu jeito, cada qual com seu tema, cada qual a sua maneira de cortejar as palavras.
Mas eu quero falar mesmo e da poesia que se espalhou feito um vírus no cérebro dos homens e mulheres da periferia. Pois é, essa mesma poesia que há tempos era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos subúrbios à procura de novas emoções.
O Tal poema, que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros, comendo miudinho na mão da mulherada.
Vocês, por acaso, já ouviram falar do tal poema concreto? Pois é, os trabalhadores e desempregados estão construindo bibliotecas com eles, nas favelas. E o lobo mau pode assoprar que não derruba. Apesar da pouca roupa que lhe deram está se sentindo todo importante com sua nova utilidade.
A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até 400 páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara enrolou um soneto bem na frente da minha filha. Dei-lhe um acróstico bem forte na cara. Ficou com a rima quebrada por uma semana.
A criançada está muito louca de história infantil. Umas já estão tão viciadas, que, apesar de tudo e de todos, querem ir para as universidades. Viu, quem mandou esconder ela da gente, agora a gente quer tudo de uma vez!
Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia. Mas neste país de pele e osso, quem é o sábio ? Quem é o feio? E olha que a gente nem queria o café da manhã, só um pedaço de pão. Que comam brioches!
Não, não é Alice no país da maravilha, mas também não é o inferno de Dante. É só o milagre da poesia.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Teatro de Graça

Olá pessoal!!!
muito tempo sem postar nada mas agora venho para divulgar duas peças teatrais que eu acho que vale a pena ir ver.
a primeira é Em Pedaços,que fala dos nossos problemas no dia a dia de uma forma cômica mas com a intenção de te fazer pensar sobre e não fazer esquecer dos seus problemas, sábados e domingos, 19:00 horas, no Engenho Teatral.A entrada é gratuita porque você já pagou: o projeto é patrocinado pelo Programa Municipal de Fomento Ao Teatro Para a Cidade de São Paulo, dinheiro público logo dinheiro seu.já que você já pagou mesmo o melhor é ir lá e aproveitar.
Ingressos grátis na hora, no teatro
lotação 200 lugares
Estacionamento Gratuito no local
Estação Carrão do Metrô
Dentro do Clube Escolar Tatuapé
Rua Monte Serrat,230-fone 2092-8865.
E a segunda é se chama Pessoas que passam a passos de pés
baseando-se em textos literários de autores como Clarice Lispector, Drummond e Vinícius de Morais.
nos dias
08/08
17 horas no CEU Jambeiro
Dia 14/08
18 Horas CEU Jambeiro
Dias 10/07;07, 21 e 28/08
18 horas CEU Aricanduva.
é isso ai pessoal espero que vejam as peças um abraço a todos.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quase quarenta.




A dama encara o espelho e observa angustiada as marcas que o tempo imprimiu em seu sorriso, a maquiagem pesada não pode esconder as pequenas manchas na pele clara, as quais ela se recusou a perceber. Os vinte anos se foram levando os amantes e a idéia de que o futuro não importa.
Ao seu redor estão quatro ou cinco gatos, escondidos em baixo da mobília empoeirada,o papel de parede amarelado combina com o som do bolero e com a garrafa de bebida barata.
Ela apaga o cigarro até pensa em esvaziar o cinzeiro, mas se distrai ao perceber que seu esmalte vermelho está lascado, olha pela janela e vê garoa, apanha um casaco e sem opção abraça a madrugada.


Emily Stevarengo

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Algumas palavras de revolta - por Tawany, do "Negro"





Eu não sonho,
Na verdade, nem sei o que é isso.
As vezes me pergunto
Se Deus existe mesmo, porque se ele existisse,
Eu não viveria como vivo hoje.

Olho à minha volta
Vejo jovens se acabando em drogas,
Crianças sem ter o que comer.

Políticos canalhas tirando de quem nada tem:
Simplesmente tiram, e fica por isso mesmo.

Ninguém faz nada para isso mudar!
Entristeço ao ver o mundo dessa forma
E não poder tomar nenhuma decisão;
Não poder fazer nada para isso mudar!

Sem saber para onde ir, onde fugir,
Em quem me esconder...

Quero que o sonho que eu não sei sonhar,
Um dia se torne realidade
E que tudo em minha volta seja um paraíso,
Que deixe de ser ilusão.
Cansei de sofrer.
Cansei desse mundo cruel.
Cansei de chorar, cansei de não conseguir dormir,
Cansei de viver... Cansei de tudo isso!

Quero aprender o significado do que é sonhar,
Pois só sonhando consigo me desligar desse
Maldito mundo infernal.

[Tawani - 14 anos - poeta do coletivo - Poetas do Negro]


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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Euber falando sobre arte, periferia, favela e poesia.

Um salve pros parceiros do Rebeliarte. Dia 15 de maio o Euber chegou aqui no "Negro" pra falar um pouco sobre arte independente, poesia e periferia. Das duas horas de conversa, editei um pequeno vídeo que tem muito a ver com a proposta do blog. Vale conferir.


Um abraço!


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domingo, 16 de maio de 2010

Para refletir



achei esta imagem navegando na net, acho que foi esta que o Euber comentou no Rebeliarte.
um abraço a todos.

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sábado, 15 de maio de 2010

Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Creio que esse texto fala um pouco do mundo nosso. Ele foi postado no meu blog "As Lágrimas do Palhaço" e aproveito também para postá-lo aqui, já que tem tudo a ver com o que discutimos no Rebeliarte. Espero que gostem. Samuel Macário


Crônica Segundo o Evangelho do Messias não bíblico.

Tornara-se homem com dez anos de idade. Teve de ser pai, para sustentar a mãe e os irmãos pequenos. No farol pedia entre os vidros filmados que não se abriam, o sinal ficava verde uma vez mais. Parecia ter esperança? Nem devia.
Depois fora até a igreja, mas não entrara, ficava onde Deus não existia, mãos estendidas, não clamavam, nem oravam, mas pediam, não para Deus, pois Deus estava entre nuvens filmadas e a ele não via, pedia aos homens que lhe cuspiam a cara e crucificavam-no ainda menino.
Depois de tanto pedir e não ter resolveu tomar. Tomar o que lhe pertencia e outrora lhe tomaram: a fé, o sonho, a esperança... empunhando a doze que o seguia, era Pedro que trilhava os caminhos de um destino que o aguardava. Milagres? Não realizou nenhum. Mas multiplicou os pães que faltavam na quebrada onde nasceu, não na manjedoura, mas num esgoto a céu aberto.
Os humildes o idolatravam a elite queria teu sagrado sangue.
Formou gangue depois de um tempo, escolheu doze parceiros para o crime. Até que um dia por trinta contos um traíra o entregou nas mãos da policia. Não o crucificaram. Morreu a balas, uma em cada mão, uma pra cada pé, não lhe colocaram nenhuma coroa de espinhos, ao invés disso deformaram seu rosto pra que não o reconhecessem.
Não ressurgiu ao terceiro dia, mas em cada irmão que bebeu da água do cálice que repartia, renasceu o teu espírito. Certo é que esses também morreram e morrem da mesma forma, mas virão outros. O sinal está verde. Terão eles esperanças? Nem devem.

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