quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ferréz- Ninguém é inocente em São Paulo


Ninguém é inocente em São Paulo.

Ferréz é um escritor que eu admiro. Não apenas pela luta que realiza ao lado dos oprimidos, mas também pela qualidade de seus escritos. Apesar de se apresentar como romancista, autor dos ótimos “Capão Pecado” e "Manual Prático do Ódio”, tem demonstrado grande talento para narrativas curtas, divulgadas em diversos meios de mídia, dos quais, o que vale citação, Caros Amigos. Esse livro peguei emprestado na biblioteca da FFLCH/USP, o que pode ter um significado positivo: Ferréz já está catalogado nos acervos da conservadora Univesidade de São Paulo, a elite ta lendo e estudando escritores da periferia.

Em Ninguém é inocente em São Paulo a periferia de São Paulo é apresentada nua e crua. No entanto isso não retira o bom humor de várias situações, como no conto “No Vaga”, em que dois trabalhadores desempregados dialogam sobre as enganações sofridas na tentativa de conseguir um emprego, batendo sempre nas vagas de vendas de seguro, planos dentários e outras robalheiras que se apresentam como esperança aos desesperados inocentes. Em “Buba e o muro social” a vida de um cão burguês é transformada quando seu dono, viciado em cocaína o utiliza para pagar dívida com o tráfico. Pela visão do narrador/cachorro temos um retrato da periferia, comparada com a vida sem sentido, do ser enjaulado no apartamento, sem perspectivas, amigos ou liberdade.

O que se sobressai do livro não é a violência, mas a crítica social, com um peso muito grande na esperança e no humanismo. Livro altamente recomendado, para qualquer situação e qualquer leitor.

Boa fonte de referência para a galera que procura algo sobre a verdadeira Literatura Marginal.

Fica a dica, do seu crítico literário da quebrada, para o Rebeliarte.

Edu

edukaw@hotmail.com

twitter.com/edukaw

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Receita para uma revolução!!!

Ingredientes, pessoas que acreditam na mudança e que lutam por ela, que tem esperança e não se conformam com o que está acontecendo. arte. literatura. Uma pitada dos livros dos maiores autores da história. Um microfone. Um espaço com gente que está na luta.

Misture tudo e fazemos um sarau histórico no dia 19/12/2009.

E aí vem gente com todo tipo de armamento pesado, do marginal, do rap, do afro, do erudito, do rock, foi uma mistura de tudo isso, de Sergio Vaz a Brecht, do mangue ao Olimpo. O espaço ficou pequeno pra tanta arte, pra tanta bala-poema, provavelmente seriamos pegos por porte ilegal e armamento pesado, tanta foi nossa munição poética.

O rebeliarte mostrou a face da ousadia, com a antologia dos poetas da periferia mostrou o calibre da bala e segurou o gatilho, disparando-o aos poucos em cada um que chegava, estes levantavam e ,também bem armados, disparavam, com mira certa, a queima roupa.

Morria então todo um mundo opressivo e devorador,
Nascia o sonho e a libertação, a arte e a revolução!

É com grande alegria e satisfação que celebramos nossa conquista, nossas guerras travadas, batalhas ganhas, e nossa ousadia.

O ano está acabando, mas a revolução começando. O REBELIARTE está aí para lutar e combater, com armas munidas e calibradas na mira só para disparar.

Foi muito bom ousar com vocês neste ano, mas ano que vem tem mais, pois a luta e sonho continuam.

Preparem e carreguem suas armas para 2010.

Um abraço a todos que ousaram conosco. Samuel Macário.

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Poesia, política e resistência

Eu acredito na construção de uma nova sociedade. Acredito no resgate dos valores humanos. Acredito que o ser é mais importante que o ter. Acredito que a literatura é uma arma contra a alienação imposta pela sociedade contemporânea.

Tenho escrito alguns poemas, algo não comum. Sou teórico, estudo literatura, atuo nos movimentos da esquerda política. Mas agora escrevo poemas, também.
Vou postar um que eu publiquei na primeira coletânea do Rebeliarte. Trata de utopia, necessária, e revolução, obrigatória.

Revolução

Uma revolução não se faz só com armas
É preciso também coração.
O gosto amargo do meu poema político
É a bile do homem-máquina aprisionado em seu tempo.

Corro as unhas por sobre minha face plastificada,
Não sinto dor nem medo.

Cercas elétricas separam o escravo exausto do homem faminto.

Caminho descalço por entre vielas e becos,
Me misturo aos condenados da terra para uma nova jornada
Ao encontro da dignidade humana
e da paz universal

edukaw@hotmail.com
twitter.com/edukaw

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Pra lembrar de Celebrar

Dezoito horas e nenhum convidado ainda tinha chegado.
dezoito e quinze, e vinte, e trinta.
"Vamos começar assim mesmo, fazemos um sarau pra gente."
É começávamos então um sarau sem os convidados, mesmo estando presentes apenas os conhecidos, uma certa timidez amarrava as pessoas às cadeiras!
Um levantou puxou do bolso um poema e pronto, fogo na palha e o sarau começou.

Aos poucos o espaço foi ficando com calor de gente, gente de todo canto e o susto de todo o trabalho ter sido em vão começou a passar.
Manifestação de indignação, de sonho e de tantos outros sentimentos.
Brado em prol da arte independente, da arte que não é comércio, que não é mercadoria.
E o sarau foi esquentando, o povo já transitava pelo quadradão de cimento sem timidez, mal um saía e outro assumia o microfone, poesia, música, discurso, tudo oque um sarau de gente que vive do nosso lado precisa ter. O violão ja tocava, de repente apareceu um atabaque pra acompanhar, depois os bumbos e logo a musica afro tinha tomado conta e, a coisa estava tão boa que o espaço dali já não era suficiente e o povo tomou a rua, gente nos portões de casa com sorriso no rosto admirada com a beleza do som e da dança contagiante. Um sarau inspirador me fez transformar um poema em discurso.

Pra lembrar de celebrar.

Celebrar é viver a utopia de um palhaço, rir a gargalhada inocente da criança, atirar-se do alto esperando flutuar no ultimo instante, rir do susto e repetir o desvario, é pintar a cara de branco e outras cores e caminhar inconseqüente na corda bamba e sentir no fundo um prazer na aflição da platéia que vai rir do seu tombo na cama elástica. Celebrar é doar a arte a quem tem sede de beleza, é construir uma revolução mais bonita, mais poética. E se alguém disser que é estupidez dar a arte “de graça” a alguém… Com licença este estúpido quer falar.
Que a partir desse encontro de hoje que constata a nossa existência sejamos todos palhaços bêbados na corda bamba em praça pública sem medo da queda, cambaleando, trançando assustadoramente as pernas nos deixemos cair na rede que nos espera logo a baixo, celebrar é falar sem vergonha o que nos der na telha, é divertir-se enquanto se constrói grandes coisas. Celebrar pra despertar a platéia que dispersa não vê que o mundo passa, acontece e se contra nós se levanta podemos com a doçura de uma pintura infantil fabricarmos a mudança necessária e nos desprendermos de qualquer cativeiro que ouse nos limitar. Sejamos sim palhaços embriagados e com a liberdade que temos por sermos os palhaços dessa vez, digamos tudo aquilo que incomoda, tudo aquilo que santifica tantos e tantos profanos…
Que ao acordarmos todos os dias ou noite pra quem assim se fizer necessário, nos lembremos de celebrar e que sobretudo não tenhamos medo ainda da contradição, da beleza que essa tem, da contradição que nos faz encontrar a verdade. Não é mesmo assim que nos encontramos várias vezes? E que assim, celebrando e descobrindo, as coisas fiquem nítidas e levemos tantas outras pessoas a descobertas também. A partir desse momento vamos colocar fogo no circo e quando a lona derreter vamos sorrir, chorar, deslumbrar-se com a beleza das estrelas e quando a platéia vir a nossa loucura, a nossa pressa em espalhar fogo pelo terreno ela perceba que é a revolta circense, dos trapezistas e engolidores de facas, do homem bala e da mulher barbada. Essa trupe não quer mais animar, agora quer ser animada.

“A paz, a ciência, a essência, a poesia prevalece.
Se lembrar de celebrar muito mais” (Fernando Anitelli)

“Não acomodar com o que incomoda” (Fernando Anitelli)

Euber Ferrari

euber.ferrari@hotmail.com

twitter: EuberFerrari

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Esperança através da Arte...

Há pessoas que descobre velhinhas, que seus poemas podem ir longe, poemas de amor pela vida, poemas de esperança para quem não tem mais, poemas como um recado para quem está de braços cruzados esperando sentado, as coisas acontecerem, poemas apaixonados, poemas de relatos do que acontece na sociedade, poemas de desabafo, de chega não dá mais !!!
Olhando em nossa volta, tudo se faz um poema ou um conto, somos escravos desse sistema e nem todos percebem isso, não podemos aceitar calado. Que a nossa voz ecoe através das palvras escritas e de lugar em lugar vamos declamar em alto e bom som a nossa realidade!!!



SEMENTES




Cada dia aprendo mais,
e num instante não sou
mais eu.. O saber nos
transforma em pessoas
diferentes,
como as sementes que
germina com uma gota de
orvalho, somente.

Meu poema vou plantar
no coração dessa gente,
que descrente não acredita
que é possivel mudar
o pensamento de uma pessoa
através da arte declamada, somente.


(JÔ)

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Literatura e periferia, para lembrar

Segue abaixo um vídeo com algumas imagens e gravações que nós fizemos no
início do projeto. Para quem não lembra, foi um sarau sobre literatura e periferia que aconteceu em agosto deste ano.
A música é do Milton Nascimento, chama-se "Menestrel das Alagoas".
O arranjo eu fiz com a Jô.
Abraço.
edukaw@hotmail.com
twitter.com/edukaw

Menestrel das Alagoas

Milton Nascimento

Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

midinvasora

A literatura marginal tá aí faz tempo! Os movimentos de arte na periferia também (se bem que quase sem engajamento algum mas tão aí!)

Muitas lutas, e os poetas, escritores, músicos, graffiteiros penaram e muitos ainda penam!
O Racionais Mc's desde 1988.
Acontece que ultimamente a mídia resolveu falar disso também. O jornal "Agora" divulgou um roteiro dos principais lugares onde assistir um "sarau de periferia".
O Mano Brown, piloto do Racionais Mc's saiu na capa da revista Rolling Sotnes.
O que é que está acontecendo? A mídia cansou de fabricar talentos furados e resolveu atacar os lapidados a mãos artísticas e transformá-los também em mercadoria? Ou esse é o resultado de tantos anos de persistência atrás de voz por parte dos artistas renegados das periferias e bairros esquecidos?
Na verdade eu ainda nem digeri isso pra formar opinião, ultimamente meu processo de absorção de certas questões tem demorado bem mais! O que eu queria era saber o que os leitores desse blog pensam disso. Será que sou só eu que admiro uma certa reclusão artística?
Tudo bem em querer voz, mas por exemplo você daria entrevista à revista contigo?
É só um questionamento em breve volto com um texto bem elaborado sobre o que acho disso, mas antes queria que os leitores me ajudassem a digerir! Dêem sua opiniões!
Abraços

Twitter: EuberFerrari
euber.ferrari@hotmail.com

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