domingo, 31 de janeiro de 2010

Alguns

Alguns passos dados no escuro
Algumas palavras sorrateiras
Alguns deveres mal cumpridos

Algumas imagens esquecidas
Alguns amigos do passado
Algumas pegadas no caminho

Algumas folhas caídas
Alguns temores escondidos
Alguns fantasmas

Nada mais.
Nem mesmo a distância de mim mesmo
No espelho
É real.

Alguns...

[Eduardo Kawamura]
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Cotidiano

Inspirado nos matinais da minha vida escrevi isso:

Cotidiano

Todos mortos ainda vivos
cheios de assuntos interminados
todos soltos, porém cativos

O metrô corre eletrificado
todos os vivos na estação
ainda mortos apavorados

São empilhados num só vagão
Rodas e trilhos assobiando
ditam o rítimo da paixão

No vidro da frente o reflexo olhando
já é motivo pra distrair

a porta abre pra entrar um vivo
(que morto vai se encostando)

Á frente a negra masmorra
e vê-se o espectro do carcereiro
que transita por entre as dores

descem os vivos ainda mortos
Sem querer ainda entrelaçados
levantam pó marchando (com membros tortos)

todos os vivos apavorados
mediante o pasmo da multidão
Que descobre vivos esquartejados
e mortos em vibração.

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A MÁFIA DAS GRANDES UNIVERSIDADES

Passou-se o ensino médio e o sonho de muitos jovens é o ingresso numa universidade. Poder finalmente escolher a carreira e seguir e se satisfazer pessoalmente, certo, nada de mal nisso, porém, o jovem encontra alguns obstáculos do meio do caminho.

O primeiro grande desafio será exatamente pra jovens que não tiveram acesso a um bom ensino, ou seja o ensino particular, que é o ensino que visa o maior vestibular do Brasil a Fuvest, ensino esse que é de pequeno acesso, somente aos filhos de um grupo de elite.

Já que citei o grande vestibular da Fuvest, que é um vestibular dificili-mo, que abrange nove obras literárias, e pouco menos de 100 questões de todas as matérias escolares, mas com um grau elevado de dificuldade, impossibilitando alunos de escolas públicas, já que a grande maioria não tem a mínima ideia de como tal questão pode ser resolvida, já que eles não foram preparados para tal vestibular. Ou será que o vestibular não foi preparado para eles? Estranho. A USP é uma universidade pública então por que só os filhos dos patrões tem acesso a ela? O curso de medicina por exemplo é um sonho que só os filhos da elite podem ter, além do curso ser integral, a nota de corte para o ingresso no curso é altíssima.
Por que a USP quer somente os filhos dos patrões? Os que sempre tem tudo?

O jovem então que toma "bomba" na Fuvest vai ter que recorrer ao ensino particular. Justo? Vai procurar as "Uniletrinhas" ou "Unidisciplininhas", além do que vão se tornar produto nas mãos dessas que cobrarão absurdamente, já que há um reajuste todo ano no valor da mensalidade. E por que o dinheiro dos pobres interessa à essas Universidades?

Muitas perguntas sem resposta, provando uma imensa injustiça no sistema educacional de nosso país. Os ricos não pagam e os pobres sempre pagam pelos ricos.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EMPRESA DO RISO

O profissional palhaço
deve comercializar o riso.
(pinga uma lágrima no piso).

O funcionário palhaço
como outros, faz hora extra,
utiliza da esquerda se inútil a destra.

O empresário do espaço
do circo vendido e triste,
Prostituído e com retocolite.

O engraçado palhaço
Hoje já não mais insiste
Persiste com todos os risos do fracasso.

(In: Lágrimas do Palhaço; Samuel Macário - Setembro de 2009)

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tempo

Olá a todos!!!

como hoje é dia de eu postar eu vou postar um poema meu e ele foi feito quando eu estava com tempo pra observar o tempo ai o poema veio espero que gostem.

Tempo


Tempo, tempo quanto tempo

o ponteiro do relógio percorre

as vezes calmo e devagar

e as vezes mais rápido

tentando me atrapalhar


O Tempo não passa

na verdade quem passa

somos nós por entre o tempo

deixando no tempo um puco de nós.


um abraço a todos...

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Traduzir-se

Ontem era meu dia de postar aqui no blogger, contudo, o dia foi corrido e não foi possível. Então, como pedido de desculpa, deixarei de presente um poema muito bonito do Ferreira Gullar, cujo nome é o título desta postagem.



Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo

Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira

Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem

Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte ?


Ferreira Gullar


Este poema foi musicado pelo Fagner e virou uma das canções mais bonitas que já escutei. Deixo aqui um vídeo da Adriana Calcanhoto cantando-o, só violão e voz; Espero que gostem!


Saudações culturais!



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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sérgio Vaz - Colecionador de Pedras - Inspire-se!

Sérgio Vaz é um poeta da Zona Sul de São Paulo que representa todas as quebradas com o movimento cultural Cooperifa. O sarau acontece toda quarta, e reune centenas de pessoas. Vou deixar um poema desse parceiro, que sirva de inspiração para a galera do Rebeliarte chegar chegando nas próximas atividades.


Porém
Sérgio Vaz


Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.

Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.

Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.

Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.

Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.

Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.

Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.

Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.

Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.

Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.

Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.

Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.

Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.

E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.

Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.

Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.

E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.

Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.


******

Se quiser conhecer um pouco mais sobre a obra do poeta, eu analisei alguns textos no meu blog, só chegar.
Um abraço. E muita poesia na cabeça de vocês.
Edu.
[edukaw@hotmail.com]


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