sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween

Dia 31 de agosto, fui na casa do Edu discutir umas idéias que estavam me fritando a mente.

Falamos bastante, assistimos o documentário do Ferréz, que por sinal é do caralho. Tragetória fodida de um cara que nasceu na favela que nem a gente, viveu os mesmos dilemas da favela que a gente e hoje é escritor reconhecido no mundo inteiro e até a burguesia fedorenta teve que admitir que o cara é foda!
Depois que assistimos ao documentário fomos tomar um café, entre uns pedaços do bolo "experimental" da Jô e umas e outras palavras sobre literatura e arte fomos interrompidos pelo toque da campainha... O Edu atendeu e um grupo de criancinhas soltou: "Doçura ou travessura?"
E ele respondeu rapidão: Tem não véi!
Uns quinze minutos depois a mesma cena e se repetiu mais umas duas vezes.
Nas fantasias não tinha nenhum curupira, saci pererê... era o "pânico".
Aí o tema das conversas já passou a ser a brincadeirinha nada brasileira da molecada.
Puta colonização ianque, e o pior tudo molecada pobre, se fosse filho de rico ainda entendia, mas eram filhos de pobre, pobre metido a rico, mas pobre.
É de foder.
Sem contar o teor da frase: "Doçura ou travessura". Como que as crianças dos EUA são educadas mano? "Doçura ou travessura", é bem o estilo de negociação norte americano mesmo: "Ou você me dá o que eu quero ou então cê ta fodido, vou zuar sua casa." E agora depois de tantos anos tentando já estão conseguindo enfiar essa brincadeira na mente das nossas crianças.
O povo brasileiro que sempre teve seu estilo humildão de ser agora ta entrando nessas, de doçura ou travessura, de chantagem desigual.
Mas tudo isso tem um outro lado, se é pra brincar de doçura ou travessura a gente tinha que ir brincar lá no quintal dos magnatas e falar: "Aê é doçura ou travessura, cê que escolhe".
É o que a gente quer ou então o chicote vai estralar!
Aí sim a brincadeira ia ficar interessante.

(Euber Ferrari)


Leia Mais

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Caminhando e Cantando

Já faz um tempinho eu gravei com a Jô uma música do Geraldo Vandré que ficou marcada como hino da resistência ao regime militar. Pra não dizer que não falei das flores não é apenas uma grande composição de MPB. É um grito de guerra, um chamado à luta, à organização. Sempre que escuto lembro de todos os atos públicos dos quais participei. Greves, manifestações, ou qualquer sentimento de indignação não reprimido.

Que Vandré nos inspire, e que neste domingo estejamos todos juntos, isso nos fortalece, nos encoraja, nos torna mais humanos.

(Para ouvir, clique aqui. Vai abrir em outra página, daí você pode ouvir pelo site ou baixar a mp3. Eu gravei todos os instrumentos de cordas, a Jô cantou. O arranjo a gente fez juntos).

(edu - edukaw@hotmail.com)

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Geraldo Vandré

Composição: Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(4x)

Leia Mais

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dividir a Arte é preciso...

Daqui a 1 bilhão de anos, talvez até antes disso, os seres que aqui habitar, vão descobrir o que causou a extinção de seres de uma inteligência tão avançada, vão descobrir que eles poderiam ter sobrevivido por décadas e décadas se não fosse o desejo interior que sempre lhes perseguia que era de querer sempre ser melhor que o próximo e por este motivo, na maioria das vezes era muito dificil para eles, dividir alguma coisa com alguém e isso eu falo de modo geral, pois, inclui amor, compaixão, saber, arte e até o pão. Essa descoberta foi de grande importancia para esses habitantes e prometeram que jamais cometeriam o mesmo erro. Essa história é de simples ficção, mais pode se tornar real se não tomarmos uma postura de vida diferente da que vivemos completamente egoísta e individualista, o que temos, queremos guardar, com medo de alguém roubar.



O que temos
queremos guardar
com medo
de alguém roubar.





****


Dividir o pão,
dividir a arte,
dividir o saber,
dividir a literatura.
Tudo isso pode bolorar
dividir, enquanto está fresquinho!!


(Jô)
jokw@estadao.com.br

" O mistério é a coisa mais formosa que nos é dado experimentar.
É a sensação fundamental, o berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência.
Quem não o conhece, quem não pode assombrar-se ou maravilhar-se está morto.
Seus olhos foram fechados."

(EINSTEIN,Albert. minha visão do mundo.)






Leia Mais

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Primeiros escritos no blogger

Eaê Rebeliarte!

Esta é a primeira vez que escrevo no Blogger, aproveito o momento para expor um pouco o que penso e sinto em relação aos nossos encontros:
Os Encontros de Arte e Literatura foram para mim um impulso ao desejo de expressão, algo incontrolável no ser humano, nunca se esgota, apenas se inibe às vezes. Unir todos estes anseios, manifestados em várias linguagens artísticas, num Espaço que compreende que o avanço na consciência política dos sujeitos é necessário para alcançarmos um mundo mais coletivo e justo, já aponta, por parte do grupo, algo muito além de passar tardes entrelaçado em poesia e arte.

Isso é muito bom!

Bom, agora quero aproveitar mais ainda este momento para publicar a Carta Manifesto que , em virtude dos 40 anos depois, MARIGHELLA VIVE!, a Coordenação do Espaço Cultural Carlos Marighella escreveu.
Acabou de sair do forno, espero que gostem e participem do nosso evento no próximo domingo às 15 horas. Haverá muitas atividades: Bingo de livros, Bate papo sobre o Marighella, Música, Comes e Bebes a preços populares e muito mais.

CARTA MANIFESTO

Para quem é de interesse, Carlos Marighella (1911 – 1969) foi um lutador social revolucionário, atuou na militância política contra os governos ditatoriais de Getúlio Vargas (1930 – 1945) e dos militares a partir de 1964. Neste ano houve um golpe contra o governo de João Goulart, que tinha comprometimento com partidos políticos, sindicatos e diversos segmentos dos movimentos sociais e a pretensão de pôr em prática mudanças estruturais que melhorariam, significativamente, a vida do povo brasileiro.
Neste contexto se deu a luta de Marighella que, com erros e acertos, deixou um legado positivo para os lutadores sociais. Seus escritos foram traduzidos para muitas línguas e orientaram revolucionários por vários cantos do mundo. Como todo homem que age, teve concepções que não se confirmaram, pregou a luta armada, praticou-a e perdeu sua vida em nome do socialismo, na data de 4/11/1969.
40 anos depois, aqui estamos, homenageando a memória deste símbolo da resistência socialista e convictos da importância de lembrarmos a história de nossos heróis. Neste sentido, fazemos deste momento de “mística” revolucionária oportuno para que esta mensagem conquiste corações e mentes para a luta socialista.
Certos de nossa responsabilidade e compromisso, nós do Espaço Cultural Carlos Marighella, viemos a público para reafirmar nossas convicções e convidar novos atores sociais para que, por meio da contribuição político-cultural, construam coletivamente alternativas culturais, a luta do povo e o socialismo.



PRIMAVERA de 2009.

Contato:


R Carvalho de Araújo, 5 - Guaianases
CEP: 08461-010 - Tel: 2553-1466
São Paulo - SP
cultural_carlosmarighella@yahoo.com.br


Abraço a todos!!! Saudações Culturais!!!

Talvez eu volte mais tarde com novidades!!!!

Leia Mais

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Dedicado a Carlos Marighella...

Eis o poema dedicado ao nosso grande lutador, um dos maiores nomes na luta contra ditadura, e um símbolo de luta na nossa luta de hoje. Em homenagem aos 40 anos de sua morte que se comemora no proximo dia 4/11, eis o poema lido na tarde do dia 24/10/2009

Luta
(a Carlos Marighella)

No campo travo luta real
Com armas, socos, pedra e caneta.
Luto diferentemente pelo sonho do igual,
Sonho onde não haja sangue e sarjeta.

Sonho com um verso - Rápido Cometa.
E mesmo que venham eles como vendaval
Munidos de fardas e escopeta,
Estarei pronto ao tiro. Meu poema leal

Não foge ao combate, valoroso guerrilheiro
Com palavras, munição infinita na luta,
E mesmo que infinita também a disputa

Meu sangue e verso se entregará inteiro.
Lutarei para provar da minha própria fruta,
Para um dia berrar alto e forte meu verso Brasileiro.

(Samuel Macário)

Abraços a todos.

(Samuel Macário - sam.macario@gmail.com)

Leia Mais

domingo, 25 de outubro de 2009

Ditadura Militar - notas sobre a atividade de ontem



Ontem tivemos uma tarde extremamente rica. O intuito era apenas um debate visando retomar fatos vivenciados durante os anos em que os assassinos e torturadores roubaram o poder do povo. Esse tempo iniciou-se em 1964. Até então o Brasil vivenciava uma era de consolidação da democracia e da participação popular, e o presidente de então, João Goulart, encaminhava propostas no sentido de dividir a terra (reforma agrária), educar e alfabetizar o povo e rever pontos fundamentais na economia e na sociedade brasileira. Isso significava mais poder para o povo, possíbilidade de redução da pobreza, e um direcionamento político à esquerda. Isso assustou os velhos ratos do capitalismo. Orquestrado e orientado pelo governo estadunidense, o golpe militar derrubou João Goulart e instalou um regime que retirou os direitos políticos da
população e sangrou o Brasil, deixando até os dias de hoje feridas abertas em nossa sociedade.

A atividade iniciou com a leitura do poema "Dentro da Noite Veloz", de Ferreira Gullar. Este
poema trata, entre outras coisas, da morte de Che Guevara e da interferência dos lacaios ianques na política latino-americana.

Mas o que emocionou a tarde foram os depoimentos marcantes de Mário Barba. Esse comunista histórico nos relatou parte de sua vida, a repressão do governo e a tortura. Seu pecado? Lutar por liberdade e justiça.

Choques elétricos e espancamentos, essas eram as formas que o governo militar utilizava para dialogar com trabalhadores, estudantes e artistas. Tempo este em que surgem formas de enganar o povo (a Rede Globo foi um presente da ditadura para enganar o povo), e outros se fortalecem (como os nossos jornalecos, Folha de São Paulo e Estadão).

O ano de 1985 marca o fim do regime militar, mas não nos dá uma democracia que vá além do voto. Ainda vivenciamos tortura, miséria e o silenciamento dos mais pobres.


Mário Barba continua lutando e nos traz a memória dos camaradas que tombaram. Cabe a nós mantermos essa história viva.


E nós manteremos.

(Edu)

Leia Mais

sábado, 24 de outubro de 2009

Nada Comercial

Dia dez rola uma conversa sobre mercantilização da cultura e depois de tanta pensar em "sobre o que postar" resolvi arriscar clarear um pouco o tema só pra tentar fundamentar a discussão já que provavelmente não poderei estar presente.

Uma das minhas vertentes de fortes de debate é a indústria cultural, que é tema fundamental pra discussão do mercantilismo cultural.
A indústria cultural não é coisa do nosso tempo. Há séculos as instituições de poder já têm o costume de patrocinar certas "manifestações culturais" afim de inibir outras que não lhes interesse ou que lhes ofereça perigo. Assim foi com o simbolismo afim de inibir a ascensão do realismo e assim é com o funk carioca por exemplo afim de dissolver tantas outras manifestações musicais questionadoras, principalmente as de periferia.
Após essa introdução vamos a discussão de tal indústria
Neste campo há uma grande posição a ser destacada. Não chega a constituir-se em uma corrente propriamente dita, embora esteja constantemente fornecendo elementos para a análise da industria cultural.
esta posição é a que deriva de uma das lições fundamentais de Karl Marx: todo produto traz em si os vestígios, as marcas do sistema produtor que o fabricou. Estes traços estão no produto, mas geralmente permanecem "invisíveis". Tornam-se visíveis quando o produto é submetido a uma certa análise, a que parte do conceito segundo o qual a natureza de um produto somente é compreensível quando relacionada com as regras sociais que deram origem a esse produto.
A partir desse ponto de vista, e considerando primeiro, que a indústria cultural tem seu berço propriamente dito apenas a partir do século XIX, de capitalismo dito liberal, e, segundo, quea indústria cultural atinge seu grande momento com o capitalismo de organização ou monopolista (gerador da sociedade de consumo), ficaria claro que a indústria cultural e todos os seus veículos, independentemente do conteúdo das mensagens divulgadas , trazem em si, gravados a fogo, todos os traços dessa ideologia, da ideologia do capitalismo. E, neste caso, também trariam em si tudo aquilo que caracteriza esse sistema, particularmente os traços da reificação e da alienação.
Isto significa que, se levarmos esta análise às ultimas consequências, façam o que fizerem, os veículos dessa indústria cultural só podem produzir alienação. Mesmo que o conteúdo de suas mensagens possa ser considerado como libertário. É que a força da estrutura natural, das condições originais da criação da indústri cultural é mais forte que a força das mensagens que seus veículos possam transmitir, e que se vêem anuladas ou extremamente diminuídas pelo poder da estrutura. Se preferir: A natureza da industria cultural, considerando o sistema que a gerou, aparece como dominante ou como resultante de um sistema de forças.
Nesse sistema podem estar presentes forças contrárias à caracterizadora da natureza do veículo da indústria cultural, mas estas acabam ficando em segundo lugar.O enfoque desta análise é simples e ao mesmo tempo rígido: se o sistema onde surge um determinado produto aparece baseado na alienação, esse produto só pode apresentar essa mesma característica. E não seria pensável a hipótese de uma outra utilização desses veículos no caso de uma mudança de sistema social. Passando-se por exemplo de uma sociedade capitalista para outra socialista, os meios de comunicação anteriormente existentes não poderiam ser postos a serviço da nova ideologia, uma vez que estariam impregnados da ideologia que os gerou e a insistência no uso desses meios poderia (ou com certeza faria) até mesmo colaborar para um movimento de retrocesso na direção do sistema que se desejou superar.
Apesar de radical, esta análise não está pautada exatamente em bases equivocadas, encaixada como está no quadro maior relativo à produção da ideologia, à sua infiltração profunda em todos os setores da vida por ela coberta e aos modos pelos quais pode ser combatida. O problema é que, nesse caso, o único modo de eliminar uma certa ideologia e seus efeitos, seria a destruição de tudo aquilo que estivesse afetado por ela, solução bem pouco prática e, mais ainda, pouco viável. Parece imperioso admitir a hipótese de um gradualismo nessa passagem de uma para outra ideologia. Caso contrário, se chegaria a conclusão de que, por exemplo, o meio por ecxelência de comunicação de massa, a 'TV', não poderia de jeito nenhum ser utilizada revolucionáriamente (quando digo TV, não me refiro ao objeto televisor, mas sim ao produto cultural TV já que não importa que se muda a mensagem de tal produto, se este continuar sendo feito pelas mesmas máquinas nada mudará). Fica claro q nenhuma sociedade existente , e que queira dar início a um processo de grandes e profundas alterações sociais, pode se dar o luxo de dispensar um meio como a TV e os produtos culturais por ela gerados. De todo modo, não podemos esquecer que , de fato, todo produto traz em si os germes do sistema que o gerou; dimiunuir pode gerar graves danos para uma sociedade em processo de transformação.
Eu queria aqui demonstrar que grande parte (senão todos) de conceitos e práticas ideológicas de uma sociedade e compactada e embutida em todos os produtos dessa sociedade. Uma ideologia cujos traços são, entre outros o paternalismo, a necessidade de tornar passivos todos os sujeitos, a transformação em coisa (reificação) de tudo o que possa existir (inclusive o homem) - Traços esses presentes no capitalismo de organização- estaria assim presente num produto como a TV, como de fato está. Efetivamente todos aqueles traços são, simultâneamente, traços caracterizadores desse ramo da indústria cultural que é a TV. Esquecer isso, e tentar manipular a TV como se bastasse alterar seu conteúdo, pode dar origem a entidades isoladas, impermeáveis ou híbridas, como por exemplo um "socialismo" baseado no autoritarismo, no paternalismo, na passividade dos que se poem de baixo de suas asas, isto é, um socialismo baseado na alienação. O que já é uma realidade.
Disso vem o príncipio de mercantilização da cultura. O que é e o que não é comercial? Sendo interesse inibir questionamentos apenas cultura massificadora é comercial. De resto tudo o que for questionador é mais caro de produzir e só serve a partir do momento que pode ser transformado em moeda de troca.
É isso aí, fica aí essa breve contribuição.
Um salve pro pessoal do espaço.
E quero deixar registrado que o encontro de hoje foi responsa, contamos com a presença de Mário Barba falando de suas amargas experiências no período da ditadura militar.
Responsa mesmo, que foi sabe do que eu estou falando.
Abraços vou nessa!

Leia Mais

  ©Template by Dicas Blogger